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Disco: “Sexo”, Erasmo Carlos

Erasmo Carlos
Brazilian/Rock/Jovem Guarda
http://www.erasmocarlos.com.br/

 

Por: Cleber Facchi

Assim como o sexo na vida real conta com seus momentos de entusiasmos e “encaixes perfeitos”, acontecimentos menos inspirados ou simplesmente básicos também se apresentam quase na mesma intensidade ou talvez até em nível maior. Com o recente lançamento do eterno Tremendão não é diferente, afinal, em seu novo disco simplesmente denominado Sexo (2011, Coqueiro Verde) o músico, um dos maiores ícones do rock nacional acaba por apresentar um trabalho que mesmo esforçado e até inspirado em alguns momentos, acaba finalizando com um desempenho fraco ou quem sabe até broxante.

Vindo daquele que provavelmente é seu melhor trabalho em décadas – o glorioso Rock ‘n’ Roll de 2009 –, para seu novo disco o cantor de 70 anos se apresenta embarcado por uma sonoridade bastante similar ao que fora proposto há dois anos. As guitarras soando em alto e bom som e o uso de artifícios melódicos se escondem por todos os cantos das 12 faixas do disco, que além de apresentar uma sonoridade já bem conhecida repete algumas mesmas parcerias de um passado recente. Surge assim a produção assumida pelo parceiro Liminha, aos composições ao lado de Nelson Motta ou mesmo até a presença da velha banda de outrora.

Se o sexo é o que movimenta o disco em todos seus aspectos, Erasmo Carlos acerta em seus momentos menos exaltados, mais românticos e voltados para o uso de “movimentos” abrandados. Surgem assim baladas aos moldes da doce Apaixocólico Anônimo – provavelmente a melhor de todo o disco -, a declaração às mulheres em Santas Mulheres Santas, ou ainda a nostálgica Vênus e Marte, que de alguma forma se volta aos bons trabalhos do músico lançados ao longo das décadas de 1960 e 1970. Sempre suavizadas, as composições, mesmo dotadas de uma instrumentação básica, acabam cativando e envolvendo o ouvinte.

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Em Apaixocólico Anônimo, por exemplo, as guitarras ecoam baixas, delicadas, como se o músico desenvolvesse uma espécie de trilha sonora para os momentos mais íntimos dos casais. Enquanto deixa correr versos como “sou um apaixocólico, anônimo ou não, viciado/ bebendo as delícias saudáveis do amor”, uma fina camada de teclados beirando o pueril vão se apropriando do ambiente, algo que se repete tanto na faixa seguinte, Sentimento Exposto (claro, em menor escala), como próximo ao fecho do álbum, com a dolorosa E Nem Me Disse Adeus. Se permanecesse dentro desse limite, Erasmo obviamente garantiria um verdadeiro orgasmo musical, entretanto, a busca eufórica por excessos instrumentais e poéticos acabam barrando isso.

Logo na faixa de abertura Kamasutra, o Tremendão acaba errando feio ao tentar soar engraçado, entrelaçando versos de forte cunho sexual, mas que acabam por soar desnecessários e forçados. O mesmo se repete ainda em músicas como Roupa Suja e Sexo e Humor, ambas composições que se apoiam na mesma musicalidade do último disco do músico, soando fortemente como canções que acabaram ficando de fora do trabalho em questão. Embora o empenho instrumental seja visível, falta ao trabalho real inspiração, com as composições soando mornas em sua quase totalidade.

É obviamente memorável observar que ao completar 50 anos de carreira Erasmo Carlos ainda esteja em plena forma, se arriscando de maneira nada tímida em experimentar novas temáticas ou mesmo novas tendências instrumentais em seu trabalho. Entretanto, o suposto “sexo” ressaltado pelo músico ao longo do disco se representa em pouquíssimos momentos como algo verdadeiramente intenso, ardente, ficando constantemente no “quase”, como se o músico talvez precisasse de uma forcinha da pílula azul.

 

Sexo (2011, Coqueiro Verde)

 

Nota: 6.5
Para quem gosta de: Roberto Carlos, Ronnie Von e Odair José
Ouça: Apaixocólico Anônimo


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