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Disco: “Six month is a long time”, Kakkmaddafakka

Kakkmaddafakka
Norwegian/Indie/Alternative
http://kakkmaddafakka.tumblr.com/

 

Por: Cleber Facchi

Kakkmaddafukka

Hest (2011) assim como todos os inventos anteriores do coletivo Kakkmaddafakka cresce em cima de um único propósito: as melodias. Obra mais criativa dos noruegueses até o presente momento, o curioso registro conseguiu amenizar a relação entre a herança de bandas como The Clash e Talking Heads, dentro de uma composição própria do grupo. Uma visita ao passado sem necessariamente tirar os pés do presente, base para o que volta a abastecer criativamente o trabalho da a banda em Six month is a long time (2013, Vertigo), terceiro registro em estúdio do grupo e mais uma obra guiada pelo uso esforçado das melodias.

Menos acelerado que o registro anterior, o novo álbum foge aos padrões impostos em faixas como Touching e Gangsta, reforçando um comprometimento do grupo com uma maior carga de instrumentos e sons. Saem as guitarras velozes, o jogo rápido de sons e a atmosfera quase reggaeira (no melhor estilo The Specials) para que um grupo de faixas tomadas pelo detalhe ganhem formas. Nostálgico em alguns pontos, o trabalho vai em busca das harmonias firmadas décadas antes por veteranos como The Beach Boys, se revelando como uma continuação exata do álbum passado, apenas comportado em alguns aspectos e musicalmente atento em outros.

Erlend Øye, a grande mente nos comandos do Kings of Convenience e The Whitest Boy Alive é quem assume com presença a produção do disco. Atento ao posicionamento cuidadoso dos instrumentos e principalmente das vozes, o músico é quem estabelece as regras para o resultado climático que preenche a obra, sendo visível na construção de faixas como Forever Alone e outras composições mais leves espalhadas pelo trabalho. Como Gangsta No More assume em um tipo de resposta ao disco passado, os rumos do coletivo norueguês com o novo álbum agora são outros e facilmente traduzidos em acertos.

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Contraponto aos exageros que ocupam boa parte dos trabalhos organizados dentro do mesmo cenário, Six Months… passeia pelas sutilezas do Indie Pop em um sentido de descoberta. Parte visível disso vem da estrutura prévia alimentada pelo grupo, capaz de brincar com um catálogo de sons variados sem que haja o desprendimento do pop tradicional. Assim, há na exposição do presente disco um exercício criativo na forma como os arranjos são explorados, marca evidente na sonoridade de Bill Clinton (um misto de Ra Ra Riot em começo de carreira com The Beatles) ou em All About You, faixa que soa como um Coldplay menos sorumbático.

Se o uso de melodias suaves impulsionam criativamente o trabalho da banda, por outro lado a ausência de faixas grandiosas e velozes como as do registro passado pesam na construção final do álbum. O grupo até tenta resolver isso em composições aos moldes de Young e Female Dyslexic, entretanto, é a delicadeza soturna dos sons que ao final alimentam a composição do disco. O resultado dessa imposição de músicas cada vez mais intimistas resulta em faixas como Never Friends, Lie, além da já mencionada Forever Alone, canções que parecem divididas entre a melancolia dos anos 1980 e uma versão em marcha lenta dos sons apresentados em Hest.

Por conta do bem sucedido enquadramento dado pelo Vampire Weekend ao recente Modern Vampires Of The City, o novo álbum do Kakkmaddafakka ecoa “atrasado”. Bem observado, são os mesmos temas, variações instrumentais e a forma como os vocais são apresentados, o que está longe de parecer um plagio, apenas ideias partilhadas. Entretanto, mesmo a relação entre as obras em nenhum momento tira a beleza de Six Months Is a Long Time, um trabalho que entende o pop e a colagem de ritmos dentro de uma linguagem própria, sem clichês e atenta aos mais variados ouvidos.

Kakkmaddafakka

Six Months Is a Long Time (2013, Vertigo)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Ra Ra Riot, Vampire Weekend e The Whitest Boy Alive
Ouça: Forever Alone, Bill Clinton e Young

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