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Disco: “Ski Mask”, Islands

Islands
Indie/Alternative/Indie Pop
http://islandsareforever.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Islands

Nicholas Thorburn é um artesão, e a especialidade dele são as melodias. Principal mente nos comandos do coletivo norte-americano Islands, o músico canadense reforça a própria habilidade com a chegada de Ski Mask (2013, Manque), quinto e mais novo registro em estúdio ao lado dos mutáveis parceiros de banda. Em um sentido natural de preservação do que foi implantado desde o fim do The Unicorns, antiga banda de Thorburn, o presente álbum acomoda vozes e sons de forma a desenvolver verdadeiras paisagens instrumentais.

Inspirado, Thorburn e os parceiros – Luc Laurent, Evan e Geordie Gordon – dão sequência aos sons de acabamento primoroso instalados no último álbum da banda, o ainda fresco A Sleep & a Forgetting, de 2012. São as mesmas harmonias de vozes (fruto de uma influência confessa de bandas como The Beach Boys e T. Rex), instrumentais pontuados pelo detalhe e uma arquitetura límpida que direciona com visível cuidado cada uma das 11 faixas do registro. Ora navegando nas águas calmas do The Shins, ora mergulhando no universo turbulento do Of Montreal, o grupo encontra em cada canção um cenário visível de novidade.

Imensa colcha de retalhos, Ski Mask assume uma experiência isolada a cada princípio de faixa. Enquanto Wave Forms, na abertura do trabalho, aproxima o ouvinte de um universo de sensações matinais – típicas do álbum Return to the Sea, de 2006 -, outras como Death Drive arrastam o disco para um terreno sombreado. É possível em diversos momentos estabelecer uma relação de proximidade com a proposta do Passion Pit em Gossamer (2012): Canções conduzidas pela melancolia dos versos, mas que não excluem a sutileza ensolarada dos sons.

Carregado de composições graciosas, o presente registro pode não assumir a mesma condução primorosa exposta em Return to the Sea e Islands, o que não quer dizer que o ouvinte não vá se deliciar com a proposta que recheia o álbum. Há desde faixas como We’ll Do It So You Don’t Have To, um típico Indie Folk marcado pelo uso cuidadoso dos vocais, até Sad Middle, uma dessas composições que fariam qualquer banda veterana sentir inveja. É preciso observar que a grande beleza em Ski Mask não está na seriedade típica de trabalhos do gênero, mas na atmosfera temperada pela leveza que a banda administra com cuidado.

Ainda que os instrumentos pareçam funcionar em uma linguagem concisa e de plena intimidade estrutural, há no manuseio dos sintetizadores um ponto visível de crescimento dentro da obra. É o caso de faixas como Death Drive, em que a banda parece atravessar a década de 1960 em meio a harmonias variadas. Já Of Corpse traz no mesmo instrumento um ponto de complemento, tempero fundamental para os vocais entregues de Thorburn. Há também espaço para experimentos (Hushed Tones), instantes de timidez (Shotgun Vision) ou mesmo tratados de pura versatilidade sonora (Wave Forms).

Mais um claro acerto para o catálogo iniciado pela banda há quase uma década, Ski Mask é um trabalho que está longe de mudar a vida do ouvinte, mas serve muito bem como uma trilha sonora passageira ou um aquecimento entre discos. Sem exageros e coberto por boas composições, o álbum não custa a chamar as atenções do espectador, que talvez sem querer, acabe sugado para dentro do universo colorido que a banda pinta com os instrumentos e Nicholas Thorburn garante acabamento com os vocais.

 

Ski mask

Ski Mask (2013, Manque)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: The Shins, Passion Pit e The Unicorns
Ouça: Wave Forms, Deat Drive e Shotgun Vision

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