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Disco: “Skylab X”, Rogério Skylab

Rogério Skylab
Brazilian/Alternative/Experimental
http://www.rogerioskylab.com.br/

 

Por: Fernanda Blammer

Um indivíduo pálido, alto, detentor de uma cabeleira acinzentada e um olhar disforme caminha estranhamente pelo palco até chegar ao microfone. Ele para, respira como se estivesse cansado e tranquilamente pergunta: “Doutor, me explica: por que é que às vezes, quando eu fico parado, sem fazer nada, o meu pau fica duro?”. Antes mesmo que ele ou a banda que o acompanha entreguem a nada agradável resposta ao seu público, uma multidão ensandecida antecipa o questionamento, respondendo em meio gritos, gargalhadas, alguns olhares envergonhados em uma espécie de grande esquizofrenia coletiva.

Qualquer indivíduo que já tenha presenciado algum show do músico carioca Rogério Skylab deve ter se deparado com alguma cena muito próxima da que é descrita acima, afinal, mesmo aquele que despreza ou finge não ver a obra de Skylab cedo ou tarde acaba esbarrando no conjunto de versos proclamados pelo músico em suas apresentações ou em seus registros. Escatológicos, constrangedores, sujos, agressivos e bem humorados, seus poemas vem desde os anos 90 causando estranheza e admiração ao público, sendo sempre catalogados através de seus discos, uma grande coletânea musical que após mais de 10 anos chega ao seu derradeiro final.

Quando em 1999 o carioca lançava ao público o primeiro registro da série Skylab, o agregado de faixas proclamadas pelo músico o posicionavam como um artista menor, um indivíduo cômico, porém não detentor de um material verdadeiramente inovador ou que merecesse qualquer tipo de respeito. As extensas apresentações em canais de TV aberta – quase todas realizadas no programa de Jô Soares – além de um crescente número de fãs capitaneados através da expansão da internet, aos poucos foram revertendo esse estágio, dando ao então odiado músico, um caráter cult.

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Com o lançamento de Skylab X (2011, Independente), o carioca fecha definitivamente sua obra, presenteando seu público (e também aqueles que o desprezam) com dez álbuns de pura experimentação, delírios e doses nada moderadas de humor negro. Composto de quinze composições, seu recente álbum soa como uma grande revisão de tudo que foi construído ao longo dos anos, tanto em estúdio quando nos palcos, com o músico apresentando ao seu público a etapa final de sua epopeia peculiar e excêntrica.

Menos anárquico que o compositor apresentado há mais de uma década, Skylab se apresenta de forma branda em seu novo projeto, investindo em composições menos agressivas, mas que mantém a mesma ironia e o despojo de outras épocas. Com os versos mais “comportados”, o músico investe no uso de uma instrumentação mais apurada, um tipo de som que parece dividido entre o noise rock da década de 90, o experimentalismo dos anos 70 e até algumas passagens pela música brasileira. Se destacam assim as composições mais extensas do álbum, como Cueca e O Corvo, que acrescentam ao trabalho do cantor um toque atmosférico.

Mesmo que o trabalho não garanta a mesma qualidade dos clássicos Skylab III (2002) e Skylab VI (2006), pecando pela ausência do mesmo aspecto anárquico encontrado em outras épocas, o registro em nenhum momento prejudica ou diminui a vasta obra do músico, que em mais de 70 minutos nos ataca com seus bons versos, evidenciando novos clássicos para sua grandiosa coleção. Resta ao público torcer por uma nova série de discos, ou aguardar para ver de que maneira Skylab ainda nos surpreenderá.

 

Skylab X (2011, Independente)

 

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Zumbi do Mato, U.D.R. e Skygirls
Ouça: O Corvo

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