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Disco: “Skyswimmer”, Kalouv

Kalouv
Brazilian/Instrumental/Post-Rock
http://kalouv.com/

Por: Cleber Facchi

 

É cada vez maior o número de grupos expoentes de um rock instrumental simples e capaz de “conversar” com o grande público sem que para isso o ouvinte precise de uma aula prévia sobre as estruturas do pós-rock ou todas as grandes excentricidades que trafegam pelo gênero. Se antes a opção de determinadas bandas em simplificar as estruturas por eles anunciada acabava proporcionando uma sucessão de álbuns pouco relevantes ou demasiadamente fáceis, hoje é possível nos depararmos com discos de fluência volátil sem que para isso as bandas precisem promover um som bobo e descartável.

Claramente relacionados com essa produção menos específica, os novatos do Kalouv fazem do primeiro registro em estúdio uma aula de como desenvolver um projeto musical que se dissolva de maneira abrangente, rica e acima de tudo, capaz de se relacionar com todos os públicos. Longe das afetações de diversos artistas nacionais que insistindo em se cercar pelos ritmos estrangeiros acabam promovendo um disco excessivamente comum e pouco criativo, a banda estabelece ao longo de Sky Swimmer (2011, Sinewave) um forte diálogo com a música vinda de diversos outros segmentos e países, mantendo no autocontrole a força básica de todo o trabalho.

Espantoso observar que mesmo formada há pouco mais de um ano o grupo já mantém uma perfeita união entre seus integrantes. Elemento que se faz visível a cada segundo do álbum, um projeto que se manifesta como um trabalho unificado, como se todos os membros da banda partilhassem de uma mesma sintonia. Composta por Bruno Saraiva (teclados), Saulo Mesquita (guitarras), Túlio Albuquerque (guitarras), Basílio Queiroz (baixo) e Rennar Pires (bateria), o grupo abandona logo nos primeiros acordes a figura múltipla dos componentes, transformando todos em um.

Valendo-se desse pressuposto de que todos os membros da banda estão amarrados a um único pensamento, cada instrumento abordado ao longo do álbum parece servir como elemento de sustentação e gancho para o outro. Dessa forma, desde a faixa de abertura, Agripa, até o encerramento com Waves, cada acorde de guitarra anunciado por Albuquerque e Mesquita serve de base pare que as harmonias de Saraiva, o baixo de Queiroz ou as batidas de pires possam se encaminhar, resultando em um trabalho que desce fácil e segue de forma competente (e conexa) até seus últimos instantes.

Partidários das mesmas exaltações proclamadas por grupos como God Is An Astrounaut, 65daysofstatic e outros projetos de música instrumental que atentam para o uso de construções instrumentais mais “simples”, o quinteto transforma as sete músicas do disco em um composto dinâmico e que chama as atenções logo nos instantes iniciais. Nada de faixas extensas demais, experimentais demais, ou intragáveis demais, do ritmo quase pop de Avec…? ao tom soturno de Beni, todos os 36 minutos do álbum são ocupados de maneira tranquila e envolvente, possibilitando que o grupo desenvolva um trabalho rico, e ainda assim ausente de excessos.

Mesmo explorado de maneira convincente e agregando um satisfatório compendio de fortes composições, Sky Swimmer acaba “errando” em músicas como a faixa título justamente por explorar uma sonoridade menos intensa, parecendo até que a banda se apresenta com o freio de mão puxado.  Entretanto, por se tratar de um primeiro álbum, não restam dúvidas que a banda regressará com algum novo e ainda mais influente trabalho. Pelo menos no caminho certo eles já estão.

Sky Swimmer (2011, Sinewave)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: A Banda de Joseph Tourton e God Is Na Astrounaut
Ouça: Avec…?

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