"Smalhans"

Lindstrøm

Ano: 2012
Selo: Feedelity Music
Gênero: Eletrônica, Space Disco
Para quem gosta de: John Talabot e Prins Thomas
Ouça: Eg-ged-osis e Va-fle-r
Nota: 7.8

Resenha: “Smalhans”, Lindstrøm

Se por um lado estrear com Where You Go I Go Too (2008) deu ao norueguês Hans-Peter Lindstrøm um crédito que só seria alcançado depois de anos por qualquer outro produtor, por outro lado a criação de um dos melhores exemplares da Space Disco/Minimal empurrou para o artista a infeliz tarefa de não apenas alcançar um novo trabalho do mesmo nível, como de superá-lo. Embora o feito não esteja nos planos do artista de Stavanger, Noruega, passear por cada novo lançamento do produtor sem buscar certa dose de afinidade entre o volumoso debut é uma tarefa deveras complexa, resultado que não apenas atrapalhou a audição de muita gente ao longo do ainda novo Six Cups of Rebel (2012) como deve dificultar qualquer aproximação com recém-lançado Smalhans (2012, Feedelity Music), terceira e mais nova obra do produtor.

Mergulhado em conceitos e apropriações que em nada lembram o registro entregue há alguns meses, com o pressente trabalho Lindstrøm diminui a aceleração e apresenta um trabalho que de uma forma ou outra se mantém entre o bem conceituado primeiro álbum e o projeto irmão apresentado no começo de fevereiro. Talvez pela forma como as batidas são arquitetadas – sem as explosões concebidas em músicas como Deja Vu e Magik -, a ausência dos vocais – marca do último disco -, bem como o retorno das camadas de sintetizadores atmosféricos, tudo contribui para um resgate dos próprios inventos do artista. Um pedido de desculpas para alguns, e um presente para quem soube absorver a nova proposta do produtor.

Definido por completo em seis composições – todas ausentes de versos e apostando no mesmo minimalismo semi-psicodélico testado há quatro anos -, com Smalhans o norueguês rompe com a proposta ambiental de outrora para entregar um disco dançante, mas sem exageros. Por mais que a estrutura definida em músicas como Ra-ako-st e Eg-ged-osis até esbarrem no mesmo acabamento climático testado nos primeiros experimentos do produtor, o fluxo crescente das canções puxa o disco para um novo resultado e natural melhor desempenho. É como se fossemos novamente apresentados ao mesmo universo dançante de Real Life Is No Cool (2010), mas sem os vocais concentrados da colaboradora Christabelle.

Outro claro regresso do produtor – além da tradicional capa com uma fotografia em preto e branco -, Smalhans traz o ouvinte de volta aos mesmos realces retro-futuristas que tanto aproximam Lindstrøm da eletrônica firmada ao longo da década de 1970. Em faixas como Eg-ged-osis e Va-fle-r, por exemplo, o produtor utiliza de uma minúcia eletrônica que soa como se o Kraftwerk ou talvez Neu! se perdessem em uma viagem de êxtase adentrando de maneira suavizada uma nuvem de maconha, “ampliando” os limites da mente e do próprio disco. Interessante perceber que mesmo valorizando a postura ambiental do álbum com faixas desse gênero, o produtor acaba por elevar ainda mais a dinâmica dançante do trabalho, tornando o disco versátil.

Já em outras composições espalhadas ao longo do álbum, como a própria faixa de abertura ou Faar-i-kaal temos um novo diálogo com a sonoridade estabelecida em princípios da década de 1990, se relacionando de forma coerente com a House Music, bem como a música minimalista em contornos mais “tradicionais” – isso sem jamais abandonar alguns toques evidentes de música pop. É dentro dessa mesma proposta que encontramos um “aperitivo” para o que o produtor alcançou dentro de Six Cups of Rebel, afinal, o que é o recente trabalho se não uma “versão do diretor” ou talvez um aquecimento para o que Lindstrøm alcançou há alguns meses?

Consumido por uma tonalidade jamais expansiva – e até tímida quando voltamos os ouvidos para os ainda recentes inventos do norueguês -, em Smalhans o produtor consegue alcançar a mesma medida de atração e invento que tanto lhe garantiu destaque na produção de remixes. Por mais que ainda faltem os mesmos encaixes certeiros e loops hipnóticos que tanto decidiram os acertos e a beleza sintética de Where You Go I Go Too, com o disco Lindstrøm não só está de volta, como mostra ser dono da mesma relevância e credibilidade que lhe fora concedida há poucos anos.