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Disco: “Sobre os Ombros de Gigantes”, Dabliu Junior

Dabliu Junior
Brazilian/Indie/Alternative
http://www.dabliujunior.blogspot.com.br/

Por: William Manfroi

Já conhecido no circuito musical de Curitiba, Paraná pelos seis anos que ficou à frente da Metaphorica, extinta banda de rock independente da cidade, Dabliu Júnior estreia em carreira solo com o álbum Sobre os Ombros de Gigantes. Produzido pelo próprio e com co-produção assinada por Rodrigo Azzolin e Kristian Capeline, o disco difere dos trabalhos anteriores do artista por compreender um maior número de gêneros e conter letras de conteúdo intimista e até mesmo subjetivo, como é o caso de Girassóis, a segunda canção do álbum. Em seu antigo grupo, o foco do letrista era mesmo realizar uma comunicação mais próxima com seu público.

A banda de Dabliu é composta por Robb Lima na guitarra, Bogdan Skorupa no trompete e Emerson Gogola no baixo. Além de todos os integrantes terem contribuído nos arranjos das canções, são também compositores em algumas delas. Vento Norte, a segunda música de trabalho do projeto, é de autoria de Bogdan Skorupa junto a Dabliu Junior. Já Atlântida e Nem Samba, Nem valsa são inteiras de Robb Lima que, além de amigo pessoal, é parceiro do cantor desde os tempos da Metaphorica e foi ao próprio guitarrista a única dedicatória de Dabliu no disco. Essa segunda música serve como uma espécie de interlúdio, separando o lado a do lado b. Além de um “intervalo” entre as faixas, o álbum também apresenta uma introdução com Catarse, a que abre do cd.

Mesmo antes do lançamento, Sobre os Ombros de Gigantes pode ser parcialmente degustado pelos fãs de Dabliu Junior por conta dos dois singles que o artista havia lançado previamente, Aeroporto e Vento Norte. A primeira é dona de um refrão pegajoso à lá Clube da Esquina cantado com honestidade quase biográfica, em forma de redenção (com onomatopeias e tudo) e contém em meio a seus versos de perguntas sem respostas as palavras que, juntas, dão título ao fonograma. Já a segunda, mesmo sem ter a força de Aeroporto, consegue aumentar ainda mais a expectativa dos fãs para o lançamento do produto final. Com uma guitarra marcantemente pesada e o piano ditando o universo sombrio da faixa juntamente com o trompete, Vento Norte reconhece sua inquietude. A letra pode ser relacionada com o fim da Metaphorica, com o desejo que Dabliu não podia deixar de obedecer de se aventurar em outras sonoridades, de seguir um fluxo natural, de apontar para o Norte e remar.

A percussão, muito bem realizada por Marcus Pereira, Rodrigo Azzolin, entre outros, é contundente durante o trabalho inteiro. Parece mesmo que ela serve como um encaixe perfeito entre as faixas, dando ao disco uma uniformidade difícil de ser alcançada nos dias de hoje, onde as possibilidades sonoras são tantas e, se juntas ao talento (como é o caso), podem levar o artista facilmente a diversas portas de entrada ao reconhecimento. Porém, ao mesmo tempo, é muito comum a perda de foco, erro fatal no mercado musical brasileiro. O objetivismo de Dabliu é louvável. Ele atirou em direção a apenas um arco e foi feliz em sua escolha.

O Menino e o Muro é a mais densa do álbum. A caixa e o surdo batem num tom dramático e a letra imersa em nostalgia misturada com desejo de vida a transforma indissociável de emoção. Com a influência de Los Hermanos evidente na forma com que o trompete se impõe nas melodias, o álbum conta com homenagens claras. Uma contida na composição Atlântida, onde um famoso trecho da antiga canção Construção de Chico Buarque é embutido, inserindo uma interessante analogia à canção. Outra está em Alicia, música que Dabliu fez à sua afilhada que, por sua vez, contribuiu com sua doce voz na gravação da faixa. Alicia tem menos de dois anos e sua participação é essencial na criação da atmosfera da composição.

O resultado final do trabalho é positivo. Talvez uma leve pitada de malícia não fizesse mal em alguns trechos de Atlântida ou Estrela, por exemplo. Porém, essa doçura é, de fato, a intenção do artista. O refrão da maioria das canções é formidável e pegajoso em um bom sentido. Os acordes estão longe de soarem fáceis. Dabliu provavelmente não estancará por aí. Tem muito a evoluir e será um prazer acompanhar seu amadurecimento.

Sobre os Ombros de Gigantes (2012, Indpendente)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Los Hermanos, Cícero e Banda Gentileza
Ouça: Girassóis, Aeroporto e O Menino e O Muro

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One thought on “Disco: “Sobre os Ombros de Gigantes”, Dabliu Junior

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