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Disco: “Spectrum Vol. 1”, Diogo Strausz

Diogo Strausz
Alternative/Indie/Nacional
http://diogostrausz.com/

 

Basta uma visita ao site de Diogo Strausz para perceber a versatilidade em torno da obra do músico carioca. Como produtor, registros assinados em parceria com Alice Caymmi, Castello Branco e outros nomes de peso da cena alternativa, principalmente a carioca. Em projetos individuais, esporádicos, obras marcados pela colagem de referências – caso do EP/clipe de Garoto Nacional -, remixes desenvolvidos a convite de conterrâneos como Kassin e Léo Justi, além de colaborações com Jaloo, Gang do Eletro e até marcas como Coca-Cola.

O mesmo mosaico de ideias, sons e referências parece servir de inspiração para o primeiro registro solo do produtor: Spectrum Vol. 1 (2015, Independente). Em uma colagem de tendências e pequenos experimentos com a música pop, Strausz articula uma obra tão vasta quanto o próprio acervo de inventos compartilhados na última meia década. Um passeio temático e instrumental que começa ainda na capa – uma homenagem à Jovem Guarda do próprio pai, Leno, músico e uma das metades da dupla Leno & Lilian entre 1960/1970 -, mergulha na música negra, na eletrônica dos anos 1990, até se estabelecer no presente, caminhando ao lado de uma série de colaboradores recentes.

Como indicado logo nos primeiros instantes do disco, a estreia de Strausz parece esquiva de qualquer “linearidade”. Surf rock, guitarras típicas das trilhas de Quentin Tarantino, um sample de Bob Esponja, arranjos orquestrais, pitadas de Disco Music e coros de vozes. Antes mesmo que Narcisus chegue ao fim, faixa em parceria com os irmãos Keops e Raony, do Medulla, é possível se perder em meio ao ziguezaguear de experiências. A dica? Deixe que as canções conduzam. Não tente tatear as paredes ou se concentrar em um ponto específico. Com inspirações como “Castlevania, Final Fantasy, Justice, Donkey Kong, Chemical Brothers, Ennio Morricone, Queens of Stone Age e Daft Punk“, seria um erro estabelecer limites.

Tamanha flexibilidade no uso dos arranjos e temas em nenhum momento faz com que Strausz (e o ouvinte) tropece em uma obra de formação esquizofrênica. Mesmo amplo em conceitos, gêneros e tendências musicais, é possível perceber a coluna vertebral que se forma ao longo do registro. Uma obra concisa, capaz de posicionar o Soul-Pop-Eletrônico de FCK – parceria com o cantor Apollo – no mesmo palco de emoções confessionais, densas e amarguradas de Diamante, faixa de encerramento do álbum e mais recente colaboração com a cantora e amiga Alice Caymmi.

Mais do que meros “convidados”, o time de colaboradores selecionados por Strausz garante equilíbrio e movimento ao trabalho. Ao mesmo tempo em que se mantém íntimo do som dançante/funkeado exposto logo nos primeiros minutos da obra, o produtor autoriza de forma explícita que a essência de cada colaborador interfira na montagem final do disco. Da relação com o Soul Nacional em Não Deixe de Alimentar, ao lado de Ledjane Motta e Maria Pia, passando pelo som nostálgico de Renda, parceria com o próprio pai, quem passa pelo álbum tempera a música de Strausz com necessário acréscimo. Entretanto, ninguém invade (e comanda) a obra de forma tão perceptível quanto Kassin, responsável por converter a pegajosa Me Ama em uma espécie de sobra de estúdio do álbum Sonhando Devagar (2011).

Catálogo imenso de variáveis, marca explícita no título e numeral que aparece na capa do trabalho, Strausz reforça em Spectrum Vol. 1 apenas o primeiro ato de um pequeno acervo de possibilidades rítmicas e temáticas. Que rumo seguir depois de uma obra tão vasta, rica em sonoridades? A resposta está em cada movimento (des)controlado do produtor (e seus parceiros) ao longo do álbum, indo de uma ponta a outra da música nacional (ou estrangeira) sem necessariamente perder o próprio controle. Uma audição sem começo, meio e fim, afinal, não importa a ordem, basta seguir.

 

Spectrum Vol. 1 (2015, Independente)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Kassin, Alice Caymmi e Baleia
Ouça: Me Ama, Não Deixe de Alimentar e Renda


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