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Disco: “Stranger Things”, Yuck

Yuck
Indie/Alternative/Rock
http://www.yuckband.com/

 

A originalidade nunca foi uma marca do Yuck. Do homônimo álbum de estreia, lançado em 2011, até a chegada de Glow & Behold (2013) e Southern Skies EP (2014), já sem o ex-vocalista Daniel Blumberg, visitar o passado de forma nostálgica sempre foi uma das principais características do grupo britânico. Um delicado exercício de “reinterpretação” que passeia por clássicos do rock alternativo e volta a se repetir com a chegada de Stranger Things (2016, Balaclava).

Tão enérgico e enfurecido quantos os dois últimos trabalhos do grupo, o presente álbum mostra a capacidade da banda – hoje formada por Max Bloom, Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes – em brincar com diferentes sonoridades e tendências sem necessariamente perder o controle. Guitarras sujas e vozes melódicas que poderiam facilmente ser encontradas em obras de veteranos como Dinosaur Jr., Built To Spill, Pavement, além de outros gigantes que continuam a servir de inspiração para a banda.

A principal diferença em relação aos últimos trabalhos do grupo? O som essencialmente pegajoso que orienta cada uma das 11 canções do disco. Da letra acessível que inaugura o disco com Hold Me Closer, passando pelas guitarras estridentes de Cannonball e o som dançante de Only Silence, difícil escapar das canções apresentadas em Stranger Things. De fato, esse talvez seja o trabalho que mais se aproxima do primeiro álbum de estúdio da banda, uma verdadeira coletânea de hits como Get Away e The Wall.

Mais do que uma obra de reverência, faixas como Down reforçam o quanto a banda parece em busca de um som autoral, particular. Longe do material que poderia ser de Kevin Shields ou Stephen Malkmus, são arranjos tímidos e pequenos encaixes detalhistas que transportam o ouvinte para um novo território. Swirling é outra que mostra o quarteto em um ambiente de novidades. Vozes e arranjos semi-acústicos que criam uma espécie de abrigo intimista no interior da obra.

Também curioso é o flerte do grupo com um time de novos veteranos da década de 1990. A mudança mais explícita talvez apareça na faixa-título. Livre dos paredões de ruídos que acompanham o grupo desde o primeiro ano, a canção de vozes brandas transporta o público para o mesmo universo do grupo escocês Teenage Fanclub em clássicos como Bandwagonesque (1991) e Grand Prix (1995). Mesmo As I Walk Away, música assumida pela baixista Mariko Doi, mostra um resultado curioso dentro da curta trajetória da banda inglesa.

Intenso, Stranger Things está longe de parecer um registro marcado pela novidade. A julgar pela fórmula explorada desde o primeiro disco, trata-se apenas de um novo capítulo na extensa coletânea de clássicos que o grupo vem desenvolvendo desde 2011. Um caminho óbvio, seguro para o ouvinte, mas não menos interessante como as guitarras, versos e temas referenciais do disco parecem surpreender o ouvinte a cada nova curva do registro.

 

Stranger Things (2016, Balaclava)

Nota: 6.5
Para quem gosta de: The Pains of Being Pure at Heart, Cloud Nothin e DIIV
Ouça: Hearts In Motion, Down e Stranger Things