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Disco: “Suíte Pistache”, Trio Eterno

Trio Eterno
Brazilian/Indie/Alternative
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Por: Cleber Facchi

Trio Eterno

Uma fuga do comum, mas sem deixar a própria varanda. Esta parece ser a proposta que alimenta Suíte Pistache (2013, Independente), obra de estreia da trinca formada por Felipe S (Mombojó), André Edipo (Bonsucesso Samba Clube) e Missionário José, o Trio Eterno. Ponto de encontro assumido para alguns dos inventos mais curiosos da cena recifense – ou mesmo fora dela -, o projeto abre as portas para que diferentes tendências, sons e experimentos controlados se instalem com conforto, exercício que praticamente transporta o ouvinte para um cenário amplo e mutável em essência a cada nova canção.

Ora entregue aos inventos do jazz (Ruptura), ora autorizado a trafegar por experiências melódicas e de apelo “comercial” (Saí Descalço), Suíte Pistache é uma obra que trava na incerteza um princípio natural para as canções. Tendo nos vocais tímidos de Felipe S um sustento básico para a obra, cada integrante derrama doses específicas de referências sonoras e poéticas, estrutura que transforma o álbum em uma imensa colcha de retalhos. Do Surf Rock ao Brega, da música eletrônica ao Samba, cada espaço dentro da obra incorpora na mudança uma escada segura para o crescimento dos sons. Um registro de alicerce firme, mas nunca exato.

Mesmo que se apresente como um catálogo de preferências naturais para cada integrante, em uma primeira audição a estreia do Trio Eterno talvez se confunda como uma possível “sobra de estúdio do Mombojó”. A julgar pelas transições eletrônicas, experimentos tímidos e a voz abrandada de S, também vocalista do grupo recifense, esta é uma interpretação que parece longe de soar exagerada. Entretanto, longe de crescer à sombra dos responsáveis por NadadeNovo (2004) e Amigo do Tempo (2010), o debut do pequeno coletivo cresce em um cenário particular, de rumos e preferências bem resolvidas, próprias.

Trio Eterno

Basta um passeio rápido por faixas como Cachorro ou mesmo a autointitulada canção que inaugura o disco para perceber como funciona a identidade do projeto. Enquanto a primeira se acomoda em uma sequência de vozes e arranjos essencialmente próximos do grande público, a segunda faz do esforço climático um sentido de isolamento. É como se o disco a todo o instante crescesse para alcançar o pop, e logo depois fosse diluído em um alinhamento hermético. A proposta se sustenta de forma natural em um jogo de pequenos atos, como se a cada passo dado pela obra, o ouvinte fosse mais uma vez surpreendido.

É preciso observar que parte do que concede grandeza e versatilidade ao registro vem da presença de um bem aproveitado time de colaboradores. Enquanto Zarautz, Saí Descalço e Ruptura acomodam a presença de Dengue (Nação Zumbi) e Júlio Epifany (Stella Viva), outras como A Mulher e Pra Começar abrem as portas para que integrantes do Mombojó e demais colaboradores do cenário pernambucano surjam pela obra. Sobra ainda para a mão precisa de Domenico Lancelloti, convidado a abastecer os versos de Canudo ou mesmo as bases instrumentais da canção que inaugura o disco.

Com produção assinada por Arthur Joly e concebido sob o propósito simples de apenas registrar as ideias que flutuam pela mente do trio, Suíte Pistache parece fluir como uma obra naturalmente limitada ao estúdio – o que está longe de parecer um erro. Desenvolvido em cima de diferentes arranjos sintéticos e equipamentos analógicos, o trabalho parece ter cada mínima lacuna ocupada de forma minuciosa, o que garante ao ouvinte um catálogo específico de experiências, sem que isso necessariamente seja entendido como limite.

 

Trio Eterno

Suíte Pistache (2013, Independente)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Mombojó, Domenico Lancelloti e Glue Trip
Ouça: Saí Descalço, Cachorro e Ruptura

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