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Disco: “Take Care”, Drake

Drake
Canadian/R&B/Hip-Hop
http://www.drakeofficial.com/

 

Por: Cleber Facchi

 

Não há como contestar, a presença de Abel Tesfaye (The Weeknd) dentro do famigerado cenário voltado ao R&B acabou causando um forte abalo sísmico nas estruturas musicais que delimitam todo o gênero. O clima essencialmente hermético das composições, o cruzamento de versos carregados de melancolia com uma batida puramente sedutora e envolvente acabou delimitando os rumos de uma série de trabalhos lançados logo em sequência, mostrando que o rapper canadense está muito além de uma mera aposta passageira do cenário alternativo norte-americano.

Entre “veteranos” como Terius Youngdell Nash (The-Dream), quem surge agora apresentando um registro claramente embebido nas mesmas referências de Tesfaye é o conterrâneo Aubrey Drake Graham, ou simplesmente Drake, que passado pouco mais de um ano desde sua bem sucedida estreia surge agora com um novo e ainda melhor registro em estúdio. Menos épico que o agraciado Thank Me Later – que mesmo sendo um bom disco não passa de um trabalho mediano – e se apoiando em uma formação sutilmente melancólica, o álbum evidencia a figura de um artista verdadeiramente maduro, mas que ainda pode crescer.

Mesmo cercado por uma profusão de grandes representantes da Black music norte-americana, Drake se afasta visivelmente do eixo pop e excessivamente comercial de seu primeiro registro, possibilitando o explorar de tonalidades instrumentais mais ampliadas, além de investir na colaboração de produtores vindos diretamente do cenário musical alternativo. Entre bem exploradas contribuições do já mencionado The Weeknd, quem acaba surgindo é cada vez mais badalado Jamie Smith (The XX), além de todo um conjunto de novos nomes do hip-hop que ganham destaque pela primeira vez através do trabalho do canadense.

A opção por um grupo de produtores vindos diretamente do cenário underground, entretanto, não impediu que Drake se aproximasse de uma soma de grandes figurões da música pop. A própria faixa título, por exemplo, conta com uma significativa contribuição de Rihanna, que acompanhada das bases projetadas por Smith acaba perfumada por um toque nada convencional e verdadeiramente interessante. O mesmo se repete na participação de Nick Minaj em Make Me Proud, que acabou mergulhada em um oceano de sons que estranhamente se aproximam do UK Garage.

Por mais bem exploradas que sejam as 17 composições do álbum, a extensa duração de Take Care – que ultrapassa fácil 80 minutos de duração – acaba aprisionando o ouvinte em um ambiente musical excessivamente similar e em alguns momentos deveras enfadonho. Até Doing It Wrong (com participação de Stevie Wonder), o trabalho se movimenta de forma satisfatória, mobilizando uma sucessão de verdadeiros acertos e faixas que devem garantir boa repercussão ao trabalho de Drake. Contudo, à medida que o rapper prossegue com o álbum, menos interessante ele fica, algo que poderia ser facilmente solucionado com a transposição desses excessos para uma edição especial do trabalho ou mesmo um futuro EP.

Seja ao buscar por um som diminuto e pouco capaz de conversar com o grande público, ou mesmo produzindo um resultado puramente melódico e radiofônico, enquanto mantém o domínio de sua obra Drake inegavelmente acerta. Menos óbvio que em sua estreia – embora ainda se revele como um verdadeiro romântico – e apoiado em uma sucessão de novos ritmos e fórmulas musicais, o canadense promove um trabalho capaz de dialogar com diversos públicos, sendo este o registro definitivo para se fixar como um dos grandes nomes do atual panorama R&B.

 

Take Care (2011, Young Money)

 

Nota: 7.9
Para quem gosta de: The Weeknd, Frank Ocean e The-Dream
Ouça: Take Care e Crew Love

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