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Disco: “Tales of Us”, Goldfrapp

Goldfrapp
Electronic/Ambient/Dream Pop
http://www.goldfrapp.com/

 

Por: Cleber Facchi

Goldfrapp

A mutabilidade dos arranjos e temas parece ser a única certeza de quem acompanha o trabalho da dupla Goldfrapp. Se em começo de carreira o duo londrino – formado por Alison Goldfrapp e Will Gregory -, parecia interessado em garantir uma nova tonalidade ao Trip-Hop, com o passar dos anos, a reformulação nos limites que abastecem a base do casal aproximou o projeto de uma frente de novas tendências. Seja o electroclash em Black Cherry (2003), a folktronica em Seventh Tree (2008) ou o Synthpop em Head First (2010), cada etapa assinada pelos ingleses reconfigura novidade sem que jamais haja um real distanciamento da essência primeva dos sons.

Com Tales of Us (2013, Mute), sexto registro em estúdio da dupla, não é diferente. Concebido em um estágio pleno de calmaria e intimidade constante, o álbum reforça de forma amigável o que parecia tímido na concepção de Seventh Tree. Com uma maior aproximação com os elementos do Dream Pop, Ambient Music, além de ensaios propensos a uma maior valorização das vozes, o registro sustenta em dez faixas um reino de inventos autorais. De forma clara, Gregory e a parceira apontam para uma maior reclusão dos sons, direcionamento que se divide naturalmente entre os erros e acertos do trabalho.

Retrospecto involuntário de tudo o que abasteceu o trabalho do casal ao longo dos anos, o novo disco parte de uma linguagem específica como natural senso de descoberta. São os mesmos sons, temas e enquadramentos instrumentais, apenas arquitetados dentro da atmosfera sombria da presente obra. É como se tudo o que o duo alcançou desde a chegada de Felt Mountain (2000) fosse acomodado em uma nuvem de sons climáticos. Um meio termo entre o bucólico e o sintético, marca que posiciona com sobriedade toda a composição do universo musical do Goldfrapp.

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Como a capa sombria do registro logo indica, Tales of Us cresce em uma atmosfera Noir. Especie de trilha alternativa para algum clássico cinematrográfico da década de 1940, o álbum se permite adornar por elementos específicos do gênero. Uma temática já representados pelo Portishead, no disco homônimo de 1997, e pelos também ingleses do Pram, no clássico The Museum of Imaginary Animals (2000). A diferença no trabalho do Goldfrapp em relação ao lançamento de outras obras próximas está na composição etérea dos sons. Do vocal suavizado da cantora aos arranjos enevoados do produtor, tudo parece estruturado em um entalhe efêmero, como se o disco se desfizesse aos poucos durante a audição.

Entretanto, por mais cuidadoso que o álbum possa parecer, não há como contestar o forte teor redundante da obra. Abastecido por elementos quase caricatos da carreira do Goldfrapp, o disco soa deveras próximo de outros conceitos líricos e sonoros  do casal, apenas “remodelados” pela obra. Não são poucas as vezes em que o trabalho resume uma série de conceitos já estabelecidos em Felt Mountain e Supernature (2005), substituindo a capa eletrônica de outrora por um som mais limpo, simples. Basta voltar os ouvidos para faixas como Human, Deer Stop e Pilots para perceber o quão forte é a repetição de essências.

Para além da visível relação entre os sons, o que salva em Tales of Us é a história sombria que o duo esconde em cada “personagem” fracionado pelas faixas. Ainda que as composições se esquivem de um possível efeito conceitual, vide a individualidade poética de cada música, é como se ao longo do disco o casal incorporasse um esforço temático, multiplicando a figura de Alison Goldfrapp em diferentes personas. Dentro desse contexto, o disco até parece romper com as próprias limitações, definindo um ambiente que mesmo tímido instrumentalmente, cresce no meio das sombras que tanto proclama.

Goldfrapp

Tales of Us (2013, Mute)

Nota: 6.5
Para quem gosta de: Portishead, Björk e Pram
Ouça: Alvar, Stranger e Laurel


5 thoughts on “Disco: “Tales of Us”, Goldfrapp

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