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Disco: “Taxi Imã”, Pipo Pegoraro

Pipo Pegoraro                                                                
Brazilian/MPB/Alternative
http://pipopegoraro.com/

Por: Cleber Facchi

 

Existe algo de belo e relevante na atual safra da música popular brasileira que ultrapassa os limites das temáticas, peculiaridades poéticas ou exaltações aos individualismos dos personagens que circulam pela cena musical: a coletividade. Por mais que assinaturas individuais de discos ou diversificados projetos estejam por todos os lados, cada vez menos é possível encontrar algum trabalho parido única e simplesmente por um solitário ser. Da produção aos versos, passando pelo trabalhar dos instrumentos, o que torna a obra de indivíduos como Marcelo Jeneci, Karina Buhr ou quaisquer outros nomes da nossa música é o sistema de trabalho colaborativo.

Exemplo claro e talvez mais latente disso está no lançamento do segundo e mais novo álbum do paulistano Pipo Pegoraro. Cantor, compositor e produtor musical, o artista lançou em 2008 o praticamente desconhecido Intro, registro produzindo, cantado e composto inteiramente pelas mãos do próprio, e (talvez) por conta disso, um projeto muito menor e quase irrelevante quando observado em relação ao vasto jogo de sons e multiplicidades sonoras do novo Taxi Imã (2011, YB Music).

Se em 2008 o paulistano assumiu solitário todas as tarefas de desenvolver um registro musical, aqui ele se afasta de qualquer possibilidade individualista, acompanhado por uma bela fatia de músicos vindos da cena paulistana atual. Embora o trabalho todo esbanje a presença de Pegoraro (ainda mais inspirado que em seu primeiro disco), cada canto do registro é ocupado de forma invejável por integrantes da Big Band Bixiga 70, grupo que acabou nascendo em virtude do encontro entre distintos músicos durante as gravações deste disco.

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Quem também aparece para deixar uma marca visível (e necessária) ao longo do álbum é o paranaense Bruno Morais. Assim como em seu trabalho de 2009, A Vontade Superstar, Morais (que assume a produção de Taxi Imã) busca manter certo limite dentro do álbum, quebrando os conceitos básicos do que poderia ser compreendido como a velha MPB, ao mesmo tempo em que mantém uma linearidade instrumental e certo padrão entre as faixas, impossibilitando que o registro se dissolva em exageros ou acabe perdendo o rumo.

Bem delineado, porém, nunca óbvio, o trabalho vai desenvolvendo com parcimônia uma constante conexão entre os sons esbanjados pela música pátria – o samba e a bossa – além de claríssimas evidências vindas diretamente do continente africano – o jazz e os toques de afrobeat. Pipo, por sua vez, passeia com total liberdade por toda essa soma de ritmos, emprestando seu vocal tanto para músicas mais suculentas como Rastro e Graveto, como para faixas menos vastas e preguiçosamente acolhedoras, algo que a música título e Arapuê transmitem sem grandes esforços.

Distante da “MPB Cool” que tem se anunciado ao longo dos últimos dois ou três anos, Pegoraro e o vasto número de contribuintes que o acompanham partem em busca de uma sonoridade mais “tradicional”, desenvolvendo uma clara conexão com a boa fase de Gilberto Gil durante a década de 1970 ou dialogando diretamente com a sonoridade proposta em solo nigeriano pelo mestre Fela Kuti. Ao mesmo tempo em que mantém um pé no passado, o músico tempera tudo com uma limpidez instrumental e traços sonoros que obviamente o situam no presente, promovendo um som nostálgico e inovador na mesma medida.

Taxi Imã (2011, YB Music)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Bruno Morais, Bixiga 70 e Leo Cavalcanti
Ouça: Graveto


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