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Disco: “The 20/20 Experience 2/2”, Justin Timberlake

Justin Timberlake
Pop/R&B/Hip-Hop
http://justintimberlake.com/

Por: Cleber Facchi

Justin Timberlake

Justin Timberlake parece pouco interessado em facilitar as coisas para os ouvintes. Se em The 20/20 Experience, o músico provocou uma verdadeira divisão entre os seguidores, ou até em quem pouco parecia interessado na obra do cantor norte-americano, com a segunda parte do mesmo registro, o ex-N’Sync volta a “complicar” para os ouvidos dos espectadores. Composições imensas, um novo passeio nostálgico (e naturalmente extenso) pelo pop dos anos 1970/1980, além da capacidade do artista em aprisionar o ouvinte em um loop sintético que vai da eletrônica ao R&B em instantes. Timberlake, sem pressa e exigindo tempo, obriga o público a mais uma vez voltar as atenções para ele.

Embora tratado como uma continuação ao registro apresentado em Março, 2/2 é uma obra de conceitos, estética e rumos completamente diferentes em relação ao tão comentado disco. Trata-se de um resgate (não intencional) do mesmo Timberlake de FutureSex/LoveSounds, um artista que se deixa guiar pela tapeçaria eletrônica de seus produtores, batidas frias e um desligamento do efeito temático até pouco reforçado em faixas como Mirrors e Suit & Tie. É como se todo o orquestral exaltado por um time de instrumentistas se transformasse em sample, com o cantor seguindo a linha iniciada em Don’t Hold the Wall, ou mesmo todas as outras faixas do registro de 2006. O que era orgânico, agora virou sintético.

Claro que parte das canções presentes no novo disco se mantém dentro da mesma arquitetura pensada para a primeira metade do projeto, algo que TKO, com seus mais de sete minutos de duração, e o loop orquestral de Amnesia traduzem com entusiasmo. Entretanto, enquanto o extenso exemplar apresentado há poucos meses carregava na massa densa de vozes, sons e efeitos um exercício de necessidade, como se as canções fossem grandes pois elas realmente precisavam ser, irretocáveis, em 2/2 Timberlake e o mesmo time de produtores parecem forçar isso. É como se Timbaland, J-Roc e o próprio cantor, movidos pela ganância do acerto inicial, se perdessem em um jogo de emulações, um exercício de fabricar a si próprio, mas sem grandes novidades.

Se por um lado o jogo de acertos que movimenta o disco é grande, o exercício de erros parecem ser ainda maiores. Ao forçar a extensa duração de cada música, Timberlake e os parceiros tornam a audição do trabalho estafante, desnecessária em vários momentos. Mesmo que True Blood seja a melhor/pior representação de toda essa grandiosidade exagerada que preenche o disco, falseando os mesmos princípios instrumentais de Tunnel Vision, outras como Not A Bad Thing (a “melhor” música romântica que o N’Sync nunca lançou) e Murder (com Jay-Z mostrando toda sua presente irrelevância), tornam a audição da obra ainda mais arrastada e penosa. Enquanto a primeira parte do álbum se apresentava como um exercício prazeroso ao ouvinte, convidado a mergulhar nas camadas, arranjos e, principalmente, nas letras do trabalho, com 2/2 fugir parece ser a melhor resposta.

Da mesma forma que a pressa foi o grande erro de quem se aventurou pela parte inicial de The 20/20 Experience, e criticou o disco, ao alcançar o segundo eixo do projeto com a mesma aceleração, o próprio Timberlake escorrega, cai e se machuca. Claro que músicas como Take Back The Night revivem com maestria a essência de Michael Jackson da fase Thriller (1982); E o que dizer de Only When I Walk Away, canção que mergulha no Funk psicodélico dos anos 1970 em um visível exercício de provocação? Entretanto, mesmo quando acerta, o cantora parece desperdiçar as próprias criações. Cada faixa parece indisposta de um posicionamento exato ao longo do disco, como se tudo não passasse de um compilado ambicioso, músicas plastificadas e arremessadas para dentro de uma embalagem pré-fabricada.

Como explicado no texto de The 20/20 Experience, a (então) recente obra de Justin Timberlake parecia funcionar mais do que como um exercício para ser apreciado no conforto de casa, mas como um trabalho que merecia ser interpretado pelo público ao vivo – algo comprovado na passagem do cantor pelo Rock In Rio. Entretanto, com a chegada de 2/2 nem olhos, nem ouvidos parecem salvar o trabalho dos exageros que o recheiam. São questionáveis os motivos que levaram a RCA e o próprio músico a investir em uma continuação dentro de um espaço de tempo tão curto, afinal, o norte-americano precisou de quase oito anos para regressar com o sucessor de FutureSex/LoveSounds. Se há alguns meses Timberlake defendia que o distanciamento entre um disco e outro vinha do entendimento de que ele só lançaria um novo trabalho se realmente tivesse algo autêntico a ser apresentado, com a chegada do presente álbum a autuação contraditória do músico faz com que tudo isso caia por terra.

 

The 20/20 Experience 2/2

The 20/20 Experience (2013, RCA)

Nota: 5.0
Para quem gosta de: Usher, Miguel e Bruno Mars
Ouça: Take Back The Night, TKO e Cabaret


7 thoughts on “Disco: “The 20/20 Experience 2/2”, Justin Timberlake

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