Disco: “The 2nd Law”, Muse

Categories Resenhas

Muse
British/Alternative Rock/Neo Progressive
http://muse.mu/

Por: Cleber Facchi

Muse

“Apoteótico”, “Épico”, “Colossal” e “Supremo” são alguns dos adjetivos que você deve encontrar em uma infinidade de resenhas e textos que surgirão pela rede exaltando o quão grandioso e bem elaborado é o mais novo disco da banda britânica Muse. Prefiro outros termos, como “sonolento”. Desde que formada ao final da década de 1990 o trio inglês composto por Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard não tem feito outra coisa a não ser se apropriar de uma série de referências batidas do rock (ou seria pop?) progressivo, preferência que curiosamente ainda encantam multidões mundo afora. Depois de um dos discos mais exageradamente cultuados dos últimos anos, o pseudo conceitual The Resistance (2009), a banda retorna para mais um trabalho que deve arrastar o público para onde quer que apontem os acordes proclamados pelo trio.

Com um nome tão forte quanto seus antecessores, The 2nd Law (2012, Helium 3/Warner) traz de volta os mesmos detalhamentos que há mais de uma década acompanham o grupo britânico. Do instrumental crescente a níveis “colossais”, passando pelas vozes “épicas” de Bellamy aos versos sempre “apoteóticos” que constituem as camadas do disco, pouco se transformou desde que o enfadonho debut lançado em findos de 1999 apresentou o trio inglês. Quem esperava por uma continuação do que outrora estabeleceu a banda como uma das mais aclamadas da presente geração pode ficar bem tranquilo: nada, absolutamente, nada se transformou na maneira como a banda estimula as canções entalhadas no corpo do álbum. Apenas a velha fórmula que deve encantar quem busca por um som plástico, mecânico e mais uma vez, sonolento.

Os mais revoltosos talvez ataquem: “como o disco não mudou? E o que são as referências eletrônicas que percorrem todo o disco? Os flertes com o pós-dubstep?”. Tudo bem, talvez o álbum até conte com uma maior valorização dos efeitos sintéticos, mas nada do que a tríade proclama ao longo do disco já não foi amplamente explorado nos projetos passados. Basta voltarmos os ouvidos para os mínimos encaixes eletrônicos testados dentro do disco Absolution (2003), quando Endlessly anunciou (como uma canção clone do Radiohead Pós-Kid A) o que a banda viria a desenvolver futuramente, quase dez anos depois. Os seguidores do Muse, entretanto, não querem novidade, e a banda sabe muito bem disso.

Se a redundância é lei, então se prepare para um assombroso conjunto de instrumentos e vozes crescentes (Survival), canções que fundem música erudita com o Rush dos primeiros discos (Supremacy) e até músicas mais confortáveis que fariam Bono Vox encostar o rosto em um travesseiro e suspirar emocionado (Explorers). Todos elementos bem típicos dos discos anteriores. Feito com visível cuidado, tudo é brilhantemente posicionado de forma a emocionar o ouvinte a cada curva, de forma já previsível, com o grupo tendo total domínio de toda partícula instrumental presente no registro – sejam elas arquitetadas na abertura grandiosa do álbum ou no fecho também límpido. Os espaços no trabalho são tão bem delimitados, polidos e brilhantes que se o Muse fosse um brinquedo você dificilmente iria tirá-lo da embalagem.

É dentro desse plano tão bem arquitetado (uma estratégia assertiva para fisgar o público adolescente em fase de descoberta musical) que mora a real marca da obra da banda: a frieza. O caráter plástico do registro é tamanho que parece até falso em vários momentos, como se o disco não fosse construído em estúdio, mas em um computador rodeado por executivos engravatados planejando o que deve ou não agradar os já facilmente moldados fãs do grupo. A estratégia da vez, por exemplo, é entregar um disco que funcione tanto em um som ambiente, dentro de casa, como nas pistas, vide o resultado proposto em Follow Me, canção que vergonhosamente soa como um The Killers (da fase Day & Age) para crianças.

The 2nd Law é exatamente como um filme de suspense que você assistiu centenas de vezes com os amigos: é possível até fingir um mínimo entusiasmo e tomar alguns sustos nos momentos de maior tensão da película, mas nada que não seja capaz de ser controlado ou mantido dentro de um domínio consciente. A banda por sua vez parece imersa em um domínio particular e ainda maior. Uma fórmula de sucesso garantido que deve se repetir mesmo nos próximos e ainda inéditos trabalhos. Sem grandes surpresas, já é possível afirmar que o material para os futuros discos já está pronto há bastante tempo, afinal, basta apenas ao trio trocar o nome das composições atuais – as mesmas que já vêm sendo usadas há vários anos.

The 2nd Law (2012, Helium 3/Warner)

Nota: 4.0
Para quem gosta de: The Killers, U2 e Skrillex
Ouça: Panic Station

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Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.

12 thoughts on “Disco: “The 2nd Law”, Muse

  1. Os critérios de avaliação do blog são simples: Virou mainstream = ruim. Pouco conhecido = ótimo.
    Mas realmente The 2nd Law é ruin, muito ruin.

  2. não curti muito esse disco, mas se comparado ao anterior, está uma perfeição.
    resistance é ruim de mais pqp!
    senti falta de comentarem as duas faixas, save me e liquid state, onde o matt nao canta (não que faça muita diferença rs)

  3. Resenha tecnica não tem valor. Falou muito de estrutura e pouco do que as músicas dizem, try it again (y)

  4. Cara, não é preciso ser um gênio para notar que tu detesta a banda, se bem , o que indies hipster não detestam? Banda Uó ? rsrs… o álbum é sim muito bom, algumas músicas são sim muito diferente de tudo que eles já fizeram, e quem disse que para um álbum ser bom precisa ser revolucionário ou inovador? Eu hein, os caras fazem música para quem gosta da banda, não pseudos críticos , e dizer que eles gravaram o álbum de forma orquestrada e maquiavelicamente, é uma piada, The 2nd Law não é o melhor registro da banda, mas passa longe de ser isso que essa resenha diz, para quem não escutou eu recomendo.

  5. Essa resenha tá em algum ponto, no mesmo caminho do ultimo album do Muse. Começou bem, com uma vontade boa, tem alguns pontos bons, mas no inteiro, nao faz sentido algum.

  6. Eu gostei muito do disco. Não supera o “Absolution”, mas supera muito do que outras bandas de rock têm feito atualmente.

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