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Disco: “The Branches”, Long Arm

Long Arm
Electronic/Experimental/Jazz
http://www.myspace.com/longarmusic

 

Por: Cleber Facchi

Muito embora o Hip-Hop Instrumental exista há décadas, obtendo uma crescente de artistas do gênero nos anos 90, os bons lançamentos de produtores como Flying Lotus e Teebs nos últimos anos ajudaram o gênero a se evidenciar ainda mais. Seguindo dentro de uma temática bem similar, o DJ russo Long Arm sem alardes lança o sensacional The Branches (2011), um dos álbuns mais bem desenvolvidos do ano e um registro digno de botar gente grande no chinelo.

Lançado através do selo Project Moon Circle, que traz como foco a produção de música eletrônica, experimental e o hip-hop alternativo, o disco é uma enorme convergência de sons, períodos e gêneros musicais diversos, que quando expostos pelas mãos hábeis do produtor russo resultam em um tipo de som único. Sem que seja necessário se ater a um único estilo específico, o DJ explora desde o Jazz, as batidas compenetradas do Downtempo, a soul music, a IDM e, claro, o hip-hop. Dentro desse grande encontro de ritmos Long Arm situa-se como um grande maestro, e o resultado, não poderia ser outro.

Para se ter noção da maneira como o produtor gerencia seus sons After 4AM é a faixa mais recomendada. A canção abre em meio ao uso de pianos desenvoltos em looping, ruídos suaves (como se o instrumento viesse de fato do áudio captado de um toca-discos), além de pequenos e pontuais instrumentos de sopro sampleados. Pequenas inserções de vocais surgem a todo o momento, apenas como um acompanhamento discreto. Tendo todos estes elementos, o DJ vai nos guiando, inserindo cada um dos sons com uma exatidão que surpreende.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=BtSjZoJhC9k?rol=0]

As influências de Arm ficam mais do que evidentes ao longo de todo The Branches. Há desde o jazz de John Coltrane afagando as canções com toda sua suavidade, passando pelo hip-hop dos anos 80 – influência que se fixa nos momentos finais do disco – até a IDM da década de 1990 ou mesmo Radiohead pós-Kid A. Thom Yorke e sua banda aparecem a todo o momento, porém, petardos como Double Bass in Love, com seus ruídos abafados e grooves melancólicos deixam a influência ainda mais em voga.

Se na abertura do trabalho o russo situa composições mais herméticas e envoltas por uma atmosfera jazzística, na segunda metade do trabalho é a exposição de um som menos recluso e até mais dançante que ganha os espaços. Há desde canções escancaradamente alegres, como Key Door, com seus teclados multicoloridos, brincando com as programações eletrônicas assíncronas, até composições que pendem ao Nu-Jazz, feito Dummy. Irrequieto, Long Arm distribui uma coleção de faixas deliciosamente feitas para emocionar e capturar o ouvinte, bastando apenas uma audição.

Em um ano em que o minimalismo se mostra tão em voga ouvir The Branches é praticamente um alívio, como se um pouco de “mais” ainda fosse necessária e fizesse toda a diferença. Os 50 minutos de duração do álbum são como um convite a fugir da realidade, um momento para se afundar confortavelmente dentro das incontáveis camadas de som do álbum e simplesmente se deixar guiar por todo o detalhamento desenvolvido dentro dessa pequena obra.

The Branches (2011)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Flying Lotus, The Weeknd e Teebs
Ouça: After 4AM

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