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Disco: “The Magic Place”, Julianna Barwick

Julianna Barwick
Experimental/Ambient/Drone
http://www.myspace.com/juliannabarwick

Por: Cleber Facchi

Assim como o essencial Does It Look Like I’m Here (2010) do trio Emeralds ou os bons discos de Tim Hacker lançados na década passada, esse The Magic Place (2011) trabalho de estreia da nova-iorquina Julianna Barwick é um registro sonoro sofisticado e que deve ser apreciado de maneira cuidadosa. Todas as nuances e construções sonoras que se dão ao longo do álbum indispõem do uso de instrumentos musicais, mantendo no uso extenuante dos vocais da garota e esporádicos samplers o cerne do trabalho.

Caminhando por um terreno etéreo a musicista se responsabiliza por dar vida a uma sonoridade praticamente angelical, uma espécie de reprodução de um coro divino e ao mesmo tempo estridente que se divide nas nove faixas que conduzem o álbum. Diferente do outros artistas da drone music, Barwick preenche com minúsculos detalhes cada looping vocálico do álbum expondo assim pequenos enxertos instrumentais, seja pelo uso ponderado de pianos ou os quase inexistentes acordes de guitarra, que dão complemento às canções.

Boa parte do poderio das músicas está no sentimento. Mesmo indispondo de letra ou sons mais diretos a exemplo do que se encontraria em um trabalho comercial, The Magic Place evoca uma energia e uma sensibilização universal. A crescente melancolia que toma conta de faixas como Vow, por exemplo, passa uma sensação excludente e ao mesmo tempo de acolhimento. A forma contemplativa e verdadeira que constrói as canções deixa parecer que a musicista dialoga o tempo inteiro com o ouvinte, mesmo que essa conversa seja indisposta de frases ou qualquer tipo de palavreado naturalmente compreensível.

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Embora transpareça ser rodeada por um coro feminino em cada uma das faixas é apenas Barwick quem está ali, recortando e montando sua própria voz de maneira a soar pluralizada. Em Prizewinning, uma das poucas canções dotadas de instrumentos percussivos (mesmo que sampleados) dá o entendimento não apenas de que a garota chega acompanhada por um coral, mas também de um corpo de músicos cada um tocando de maneira distinta seu instrumento.

O bom explorar instrumental em algumas canções fortifica o trabalho da nova-iorquina, porém é na exaustão de seus vocais como em Flown, que a jovem tira o máximo de sua habilidade. Desenvolvida quase inteiramente valendo-se da voz de Julianna, a faixa transborda um clima de ópera ao mesmo tempo em que mergulha de vez em um terreno explorado de maneira hábil pelos islandeses do Sigur Rós. Diferente de seu primeiro EP lançado em 2009 – Florine – as músicas parecem muito mais grandiosas, como se feitas para ecoar dentro de enormes igrejas barrocas ou castelos medievais e não na singeleza de um fone de ouvido.

Ao contrário do EP, em que havia uma temática mais urbana por trás das canções, The Magic Place dá suporte a um tipo de som bucólico e naturalista. A própria capa esverdeada por um bosque já aponta pistas sobre isso. No decorrer do disco vamos lentamente sendo tragados para dentro desse mesmo bosque ou talvez uma floresta de proporções maiores, sempre seguidos pela voz suave Barwick, como se a mesma fosse uma espécie de guia dentro desse universo tão convidativo, um lugar mágico, como justifica o título desse trabalho.

The Magic Place (2011)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Sigur Rós, Beach House e Julian Lynch
Ouça: Vow

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