"The Outsider"

^L_

Ano: 2016
Selo: ANTIME
Gênero: Eletrônica, Experimental
Para quem gosta de: The Field e Aphex Twin
Ouça: Phill Spector e She Just Loves Me...
Nota: 8.5

Disco: “The Outsider”, ^L_

Há dois anos, quando lançou o primeiro álbum da carreira, Love is Hell (2014), o brasiliense Luis Fernando, ou simplesmente ^L_, parecia caminhar em um terreno de pequenas incertezas. O canto torto de Justin Timberlake em My heart is a quasi-stellar radio source, a eletrônica suja, ancorada em diferentes regras e referências nostálgicas, ruídos e temas dançantes que pareciam transportar o ouvinte para diferentes cenários em um curto espaço de tempo. Um permanente ziguezaguear de possibilidades que assume um caminho ao mesmo tempo instável e coeso dentro do segundo álbum do produtor: The Outsider (2016, ANTIME).

Logo na abertura do disco, a versatilidade e o equilíbrio da crescente Phill Spector. Delicado resumo de toda a obra, a canção inicialmente alimentada por sintetizadores e ambientações brandas – um típico fragmento de Brian Eno em clássicos como Ambient 1: Music For Airports (1978) e Apollo: Atmospheres and Soundtracks (1983) -, lentamente se parte em um mundo de colisões e batidas instáveis. Ruídos, efeitos e encaixes certeiros que aproximam a obra da mesma cena eletrônica que abasteceu a cena britânica no começo dos anos 1990.

Segunda composição do disco, She Just Loves Me Because She Doesn’t Live With Me dá sequência ao mesmo direcionamento “dançante” que caracteriza os instantes finais da música de abertura. São quase oito minutos em que todo o catálogo de referências exploradas por ^L_ em Love Is Hell assume um novo direcionamento. Um meio termo entre a inevitável esquizofrenia das pistas e a sobreposição hipnótica que orienta bases e batidas da canção – marca do trabalho de Fernando desde os primeiros rascunhos no soundcloud. De forma autoral, a mesma mecânica explorada por Axel Willner (The Field) nos experimentais From Here We Go Sublime (2007) e Cupid’s Head (2013).

Passado o breve respiro em Outsider – faixa que utiliza de trechos de um discurso do escritor norte-americano David Foster Wallace -, um passeio atento pelo lado mais curioso (e complexo) da obra. Mosaico de ruídos e sobreposições sombrias, Locked-In Syndrome tanto esbarra na ambientação suja de nomes como Oneohtrix Point Never e Tim Hecker, quanto no preciosismo de veteranos da IDM, caso da dupla escocesa Boards of Canada – a semelhança com as canções apresentadas em Music Has the Right to Children (1997) é enorme.

Na dobradinha de encerramento do disco, Hello, I´m Richard Clayderman e Too Weird To Live, Too High To Die, uma sutil representação do lado mais “acessível” do produtor. Enquanto a primeira música parece moldada para as pistas, revelando uma solução de bases e batidas homogêneas, com a canção de encerramento, Fernando mais uma vez tinge um curioso (e instável) plano de fundo, detalhando melodias obscuras, vocais enevoados e todo um vasto cenário.

Mergulhado em detalhes, The Outsider é um registro que convida o ouvinte a se perder no interior das batidas e bases costuradas por Fernando. Ainda que seja possível observar as canções de forma isolada, ressaltando particularidades, temas e até referências confessas que diariamente pelo saltam pela timeline do produtor no Facebook, está na ausência de direção, pequenas incertezas e constante ruptura da obra o estímulo para explorar cada uma das composições.  

 

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