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Disco: “The People’s Key”, Bright Eyes

Bright Eyes
Indie/Singer-Songwriter/Folk
http://www.myspace.com/brighteyes

 

Se existe alguém que nunca deveria ter crescido, esse alguém é Conor Oberst. Talvez devesse crescer só até os 25 anos, quando lançou I’m Wide Awake, It’s Morning (2005), um disco simples, sincero e o completo oposto de The People’s Key (2011), o mais novo lançamento do músico a frente do projeto Bright Eyes. Toda a simplicidade e sinceridade chegam aqui em doses cavalares de tédio, falta de inspiração e uma necessidade absurda em soar grande. Oberst não apenas quer parecer adulto com o novo disco, mas pretensioso e um profundo interessado em destruir tudo o que já criou.

O começo “filosófico” com Firewall é apenas uma das mostras da incompetência do novo trabalho, que também conta com a presença dos músicos Mike Mogis e Nate Walcott. Essa necessidade desnecessária do ex-garoto em se tornar grande vem desde 2007, após o lançamento do álbum Cassadaga. Ali Oberst dava pequenas mostras de que seu som não era mais o mesmo, não contava mais com o espírito juvenil, a aura caseira dos primeiros álbuns e a mesma qualidade de outrora, embora ainda fosse possível encontrar beleza em algumas de suas composições.

Vieram então dois álbuns solo – Conor Oberst em 2008 e Outer South em 2009, esse ao lado do The Mystic Valley Band – e a participação no “supergrupo” Monsters Of Folk, ao lado de Jim James (My Morning Jacket), M. Ward (She & Him) e do parceiro Mogis do Bright Eyes. Uma sucessão de trabalhos intragáveis, forçosamente elaborados e que tentavam a todo custo soar grandiosos. Até em seus antigos projetos paralelos ele era melhor, veja o Desaparecidos e seu disco Read Music/Speak Spanish (2002).

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As composições recheadas do novo disco ao contrário de soarem distintas parecem mais como uma série de repetições ausentes de qualidade. Shell Games soa como qualquer coisa, menos como algo vindo do BE. Se antes o projeto ganhava rótulos de “Emo”, tamanha a sinceridade e as letras confessionais de Oberst, pelo menos era um trabalho que soava genuíno. Por exemplo, o delicado álbum Fevers And Mirrors (2000) com seu jeitão caseiro, e as faixas remetendo à Elliott Smith vem carregado de uma emoção sincera e que deixa transparecer logo na primeira faixa a comoção de seu compositor, algo que em nenhum momento é encontrado nesse oitavo disco.

Cada faixa no novo álbum vem como um infeliz exercício de mais do mesmo, repleto de sonolência e de pura inatividade. Approximate Sunlight é vergonhosamente tão comum e embromada que deixa a dúvida sobre sua seriedade. Haile Selassie com sua tentativa de parecer roqueira acaba mais é parecendo uma enorme vergonha alheia. Mesmo as inúmeras participações “especiais” ao longo do disco – Andy LeMaster (Now It’s Overhead), Matt Maginn (Cursive), Carla Azar (Autolux), Clark Baechle (The Faint), Shane Aspegren (The Berg Sans Nipple), Laura Burhenn (The Mynabirds) e Denny Brewer (Refried Ice Cream) – não conseguem em momento algum dar uma injeção de ânimo ao trabalho.

Ao que tudo indica The People’s Key deve ser o último trabalho do Bright Eyes. Segundo Oberst em algumas entrevistas o novo álbum vem para “trancar as portas” de sua banda. Sinceramente, essa é a melhor atitude tomada pelo músico em tempos.

 

The People’s Key (2011)

 

Nota: 5.1
Para quem gosta de: Conor Oberst, Monsters Of Folk e Desaparecidos
Ouça: Ladder Song

 

Por: Cleber Facchi