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Disco: “The Year Of Hibernation”, Youth Lagoon

Youth Lagoon
Lo-Fi/Experimental/Indie
http://youthlagoon.bandcamp.com/

Por: Fernanda Blammer

Não há nada melhor do que as pequenas surpresas que vão surgindo ao longo do ano dentro do cenário musical. Depois de Jhameel, Foster The People, Jamie Woon e The Weeknd, quem chega em surdina para nos agraciar com um excelente disco é o jovem Trevor Powers, da cidade de Boise. Caindo fundo em uma sonoridade marcada pelo Dream Pop e o experimental, o rapaz que sozinho dá vida ao Youth Lagoon faz de sua inesperada estreia um registro convidativo, quase místico e que expõe de forma desembaraçosa através de seus versos, entregando todas suas aflições, amores e composições existenciais típicas de alguém da sua idade.

Decore esse nome, The Year Of Hibernation (2011), disco de estreia do norte-americano que com pouco mais de vinte anos já chamou a atenção de boa parte da imprensa americana, isso tudo graças ao delicado single July, uma das faixas mais doces e sinceras já lançadas em 2011. Em meio a um bem resolvido jogo de camadas e mais camadas de som, o rapaz destila todo seu sofrimento pela amada que dá nome à faixa, enquanto pontuais inclusões de teclados, uma percussão moderada e guitarras levemente distorcidas dão o complemento necessário. Porém, quem espera que a música de vocais quase incompreensíveis seja o único reduto de beleza da obra de jovem músico desconhece o que ainda estava guardado.

Conforme o disco se desenvolve o sentimentalismo de Powers vai aflorando, assim como a musicalidade proposta por ele cresce de maneira perceptível, com o músico ultrapassando os limites de um singelo registro caseiro, construindo um registro de pura grandiosidade. Um bom exemplo disso se esconde (ou revela-se) nos sons que dão vida a Cannons, segunda canção do disco, e  faixa dotada de um cuidado significativamente maior do que a composição que a precede. Passeando pela inclusão de sons eletrônicos e um ampliado uso de teclados, o músico de Idaho expressa as várias possibilidades lançadas em sua música, escapando do óbvio e soando ainda mais gracioso.

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Como se ali fosse o último ato de sua pequena obra, Trevor surpreende ainda mais com a dupla seguinte de canções. Em Afternoon o norte-americano apresenta uma faceta de maior inovação, construindo uma composição repleta de lirismo e um toque ainda mais adocicado, entregando ao álbum um sentimento quase bucólico. Já em Seventeen o músico se entrega de vez à melancolia. Apoiado no uso de teclados e um instrumental crescente, o rapaz relembra seu passado recente, enquanto reverberações tomadas por uma tristeza incontrolável tomam conta das harmonias suaves por ele desenvolvidas.

Momento de maior experimentação dentro do disco, Posters passeia por uma varidade de fórmulas instrumentais, indo do drone ao synthpop, do excêntrico ao pop em poucos segundos. Tomada inteiramente pela construção de paredões de teclados a canção serve quase como uma abertura para a faixa que a procede, a grandiosa Montana. O que parece com mais um lamento de Powers, tomado por vocais inaudíveis e pianos sujos em seu princípio, logo se transforma em um pequeno épico, onde a sobreposição de bases e as harmonias mais límpidas preenchem a composição com uma sensibilidade magistral, esclarecendo todas as dúvidas sobre quem ainda não via em  The Year Of Hibernation um trabalho excepcional.

Para o fecho do trabalho, Youth Lagoon primeiro se entrega à dança na fácil Daydream, repleta de sintetizadores e guitarras nada compactos, fluindo de maneira completamente oposta ao que ele vinha construindo no disco. Já em The Hunt, o rapaz cruza a melancolia com o enérgico, em algo que se evidencia como uma síntese de todo o disco. A pouca idade de Powers se representa como um oposto de sua habilidade como compositor, afinal, a cada segundo que se passa em seu trabalho de estreia, mais nos adaptamos ao clima sujo, triste e jovial de sua obra.

Youth Lagoon

The Year Of Hibernation (2011)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Lady Lazarus, PURITY RINGS e Cults
Ouça: Montana

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