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Disco: “Through The Green”, Tiger & Woods

Tiger & Woods
Electronic/Nu-Disco/IDM
http://www.myspace.com/tigerandwoods

 

Por: Cleber Facchi

Redundância
re.dun.dân.ciasf (lat redundantia)
1 Qualidade de redundante.
2 Superfluidade de palavras; pleonasmo.
3 Superabundância. R. de estilo: abuso de ornatos no discurso.

Redundância, a grande vilã em um bom número de lançamentos musicais se transforma em uma poderosa arma nas mãos da misteriosa dupla Tiger & Woods. Imersos em loopings nada enfadonhos e repetições necessárias de programações eletrônicas, samplers, vozes e batidas, o duo de nacionalidade desconhecida vai pouco à pouco desenvolvendo uma verdadeira trama de sons diversificados, minimalistas e dançantes até conseguir total controle sobre o espírito do ouvinte, tornando-o refém de suas composições ardilosas.

Ao lado de projetos como Azari & III, ou as criações do norueguês Lindstrøm, talvez até em uma menor escala próximos do que Hercules and Love Affair vem desenvolvendo, a dupla traz em seu primeiro registro Through The Green (2011, Running Back) um verdadeiro concentrado de referências que ecoam através de décadas de tendências eletrônicas. Da música disco nos anos 70 aos princípios da Euro Disco e da House Music nos anos 80, o que não faltam são influências para que o duo transforme seu álbum em um agregado de sons nostálgicos, mas que chegam aos ouvidos como novos.

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Em suas composições sempre volumosas, as cores que delimitam a boa condução das faixas vão lentamente sendo pinceladas. Don’t Hesitate talvez seja uma das músicas que melhore evidenciem a estratégia da dupla, acrescentando pequenos golpes de pincel por cima das bases das faixas, esbanjando suas tintas vindas de uma vasta paleta de cores raras, tintas que mesmo recordando cores já conhecidas parecem ter encontrado uma textura própria nas mãos do duo. Dessa forma, as pequenas redundâncias construídas ao longo das faixas passam a evidenciar algo completamente novo e que escapa de qualquer pleonasmo sonoro.

É possível perceber cada mínimo detalhe ou referência vindo das distintas eras musicais que compõem a sonoridade da dupla. Os vocais, sempre picotados e impossíveis de serem identificados são frutos óbvios da década de 70, mesmo período que traz para dentro do álbum a soma de teclados e sintetizadores dançantes, todos sampleados de algum álbum clássico da época. As batidas levemente ecoadas escapam da Euro Dance, enquanto o aspecto esvoaçado e amplo das canções, elemento que lentamente vai movimentando o corpo de forma involuntária atravessa décadas de House music em sua composição.

As pequenas e grandes redundâncias instrumentais apresentadas ao longo do álbum vão jogando o ouvinte em uma espécie de transe, sintoma mobilizado pelo encaixe certeiro dos loopings, que geram uma sonoridade puramente hipnótica através do álbum. Embora possa soar difícil ou convencional em uma única e descartável audição, Through The Green parece crescer e ganhar contornos ainda mais amplos quando apreciado com atenção, evidenciando um trabalho que rompe quaisquer amarras com as pistas de dança, proporcionando um som conceitual e não mais limitado à dança.

Through The Green (2011, Running Back)

Nota: 8.1
Para quem gosta de: Azari & III, Tensnake e Lindstrøm
Ouça: Gin Nation

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