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Disco: “Total”, SebastiAn

SebastiAn
French/Electronic/Electro
http://www.myspace.com/0sebastian0

Por: Cleber Facchi

Embora viesse desde 2005 se revezando na produção de faixas próprias, remixes ou coordenando o trabalho de outros artistas estava mais do que na hora do produtor francês Sebastian Akchoté, ou simplesmente SebastiAn, lançar um long play só seu. A espera de seis anos, entretanto valeu à pena, afinal, Total (2011), debut do artista é um verdadeiro convite às pistas e uma bela estreia. Protegido por uma armadura de sintetizadores, o músico de 30 anos se apresenta como um verdadeiro cavaleiro medieval francês, transformando as pistas de dança no seu próprio campo de batalha, distribuindo doses de synths e batidas como quem brande uma espada.

Depois de ter atuado ao lado de grandes nomes do cenário local, como Mr. Oizo, Sebastien Tellier, Justice e Uffie (que mesmo nascida em Miami é a grande musa dos produtores franceses), a experiência acumulada e as sempre bem repercutas composições fazem com que seu primeiro álbum soe como um resultado de todos seus aprendizados, com o produtor dando formas a um som totalmente seu e de excepcional qualidade. São 22 faixas, das quais seis são pequenos interlúdios e outras duas funcionam como uma abertura e um fechamento para o álbum, compreendendo assim a pequena obra sintetizada de Akchoté.

Mesmo que o trabalho seja uma batalha do solitário produtor, como se este defendesse seu próprio feudo, a presença de outros “cavaleiros” é o que traz destaque e complemento ao trabalho de SebastiAn. Depois de soar as trombetas da guerra em Hudson River é músico norte-americano Mayer Hawthorne quem surge em Love In Motion, soando como um verdadeiro mercenário vindo de terras distantes para o auxílio do francês em sua difícil empreitada. Com jeitão de single fácil, a faixa carregada de efeitos e ruídos faz com que a complexa luta do europeu já comece com larga vantagem.

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Mais à frente, surgindo como uma amazona oriunda de algum território exótico e distante, M.I.A. faz de C.T.F.O. um verdadeiro banho de sangue para as pistas soltando uma série de versos tomados por uma acústica suja, muito similar à encontrada em // / Y / (2011), último trabalho da artista. O último a adentrar o campo de batalha é Gaspard Auge, uma das metades da dupla Justice, que colabora com o conterrâneo na poderosa Tetra, faixa que, justamente por seus teclados modulados como um cravo trazem um fiel clima medieval ao disco.

Entretanto, enquanto os parceiros de guerra não se apresentam ao lado de SebastiAn são as habilidades do francês que o salvam da morte certa. A primeira mostra de sua excepcionalidade é dançante Embody (primeiro single do disco), cruzando elementos de distintas décadas da música eletrônica na formação de um ritmo próprio. Fried e Prime vem para revelar a pluralidade rítmica do produtor, dividindo-se entre o dançante e o agressivo, mas sempre se apresentando de forma intensa. Porém, todas essas parecem apenas com uma preparação perto da força de Motor. Ecoando resquícios da onda Maximal e tomada por teclados ruidosos, a faixa é facilmente a mais intensa de todo o disco.

Quando Doggg (última canção antes do prelúdio que fecha o álbum) chega ao fim, a constatação sobre a vitória de SebastiAn é mais do que óbvia. Em meio a tantos e em geral enfadonhos registros da música eletrônica francesa, que quase diariamente tomam de assalto os lançamentos do mundo todo,  Akchoté faz de sua tão aguardada estreia um álbum que supre as expectativas. Ao mesmo tempo em que segue uma linha conceitual, o artista sabe como desenvolver novas concepções de sua própria música, evidenciando-se como um glorioso guerreiro, um hábil estrategista das pistas de dança.

Total (2011)

Nota: 7.7
Para quem gosta de: Mr. Oizo, Justice e Sebastien Tallier
Ouça: Motor

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