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Disco: “Tropix”, Céu

Céu
Nacional/MPB/Electronic
http://www.ceumusic.com/

 

Batidas e vozes minimalistas, sintetizadores carregados de efeitos, o baixo volumoso e guitarras sempre precisas, levemente dançantes, como uma delicada ponte para diferentes épocas e tendências da música eletrônica. Quatro anos após o lançamento do psicodélico Caravana Sereia Bloom (2012), Céu se despede do som enevoado de composições como Retrovisor e Amor de Antigos para investir em pequenos experimentos e temas sintéticos, marca do quarto registro de inéditas da cantora, Tropix (2016, SLAP).

Precioso em cada sussurro, batida ou entalhe eletrônico, o álbum, uma parceria entre a cantora paulistana, Pupillo, baterista do Nação Zumbi, e o músico francês Hervé Salters, traz de volta a mesma atmosfera letárgica incorporada no clássico Vagarosa, de 2009. Uma obra de limites bem definidos, estratégica, conceito explícito na confessional e crescente Perfume do Invisível, música de abertura do disco, e uma espécie de trampolim criativo para o ondulado de beats que vai do Trip-Hop de Bristol ao som atmosférico dos anos 1970.

Sem pressa, criando respiros instrumentais, Tropix entrega cada canção em pequenas doses. A eletrônica tropical em Varanda Suspensa, o romantismo brega em Sangria, vozes cíclicas em Arrastar-Te-Ei, o rock levemente dançante em Pot-Pourri: Etílica/Interlúdio – parceria com Tulipa Ruiz. Longe do som homogêneo explorado no trabalho entregue há quatro anos, obra que flutua em uma mesma massa de guitarras e temas nostálgicos, Céu e o time de colaboradores exploram cada composição individualmente. Fragmentos que se encaixam de forma a revelar um imenso mosaico.

Nos versos, um vasto acervo de ideias que navega de forma atenta pelo universo particular da cantora, porém, mantém firme o diálogo com o ouvinte. Composições que visitam cenários paradisíacos (“Pés de manga, costela de Adão / Todos sentavam pra ver / Aquele quadro vivo mudar”), detalham inquietações (“Quando eu for em busca de mim”) ou simplesmente exploram o distanciamento entre os indivíduos, marca de faixas como Perfume do Invisível e Amor Pixelado, esta última, uma delicada análise sobre o amor em tempos de Whatsapp e outras redes sociais.

Das 12 faixas que preenchem o trabalho, apenas duas não contam com a assinatura de Céu: A Nave Vai, de Jorge Du Peixe, e Chico Buarque Song, clássica composição do grupo paulistano Fellini e faixa resgatada do álbum Amor Louco, de 1990. No restante da obra, pequenas interferências de José Paes de Lira (ex-Cordel do Fogo Encantado) e Fernando Almeida (Boogarins), além do parceiro de produção, Hervé Salters. Sobra até para uma “colaboração” com a filha Rosa, em A Menina e o Monstro, uma visão da pequena sobre o filme Onde Vivem os Monstros (2009), de Spike Jonze.

Versos que servem de estímulo para as batidas, batidas que detalham uma fina camada de sintetizadores, teclados e ruídos eletrônicos que lentamente revelam um mundo de sutilezas e texturas instrumentais. Um jogo constante entre a quentura dos versos e a timidez propositada que move as batidas. Tecido com leveza da abertura ao último verso de Rapisódia Brasilis, Tropix flutua com acerto entre a sonoridade concebida para os primeiros trabalhos de Céu e bases sintéticas que revelam um explícito senso renovação.

 

Tropix (2016, SLAP)

Nota: 8.8
Para quem gosta de: Tulipa Ruiz, Lucas Santtana e Gal Costa
Ouça: Varanda Suspensa, Perfume do Invisível e Chico Buarque Song


4 thoughts on “Disco: “Tropix”, Céu

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