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Disco: “True EP”, Solange

Solange
Pop/R&B/Indie Pop
http://www.solangemusic.com/

Recentemente a jornalista Carrie Battan publicou na página da Pitchfork um artigo que analisa, caracteriza e define um pequeno grupo de artistas norte-americanos e britânicos como membros de uma suposta onda carinhosamente compreendida como small pop. Um flutuar constante entre os entalhes melódicos e comerciais típicos do Mainstream, e a pluralidade de experimentos que ainda mantém tais artistas intimamente relacionados ao meio independente. Uma espécie de subgênero natural sob o qual podemos enquadrar nomes como Sky Ferreira, Toro Y Moi, Charli XCX, Passion Pit e a mais “recente” deles Solange.

Mais conhecida como a irmã caçula de Beyoncé, e por vezes lembrada como colaboradora do Of Montreal na faixa Sex Karma (do álbum False Priest, de 2010), Solange Knowles rompe com as comparações e a natural relação com outros artistas já conhecidos para brilhar individualmente. Longe da superprodução dos trabalhos anteriores, a artista de Houston, Texas apresenta o compacto e inventivo True EP (2012, Terrible), um passeio doce no que há de mais inovador na nova safra de artistas relacionados com a música pop. Delimitado em torno de sete rápidas composições, o disco transporta Knowles para um novo cenário, agora banhado pela luz e palas melodias cantaroláveis.

Mesmo rodeado pelos acertos, é preciso entender True como um aperitivo. Rápido, o registro distancia a artista da proposta excessivamente trabalhada em cima do sucesso da irmã, para incluir Solange em um universo próprio e naturalmente comercial em sua própria medida, assim, preparando terreno para o álbum que será apresentado no próximo ano. Por mais que restem traços do que fora promovido dentro do trabalho anterior da artista – Sol-Angel and the Hadley St. Dreams (2008) –, nas sete faixas pensadas no decorrer do recente disco temos um novo encaminhamento, com a cantora se relacionando com a mesma proposta lírico-instrumental abordada nas obras de tantos artistas independentes com quem manteve convívio ao longo dos últimos anos.

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O próprio R&B – gênero amplamente explorado nos últimos meses e íntimo da família da artista – passa por uma clara transformação ao longo do curto trabalho. Pensado de forma leve e até se aproveitando de alguns toques “experimentais”, o estilo flui suave e romântico sem em nenhum momento parecer demasiado doloroso – típico de trabalhos do gênero. Mesmo nos versos amargurados de Lovers In the Parking Lot e Don’t Let Me Down fica claro que o distanciamento entre o que ecoa na obra de outras artistas passa longe da proposta de Knowles, cantora que encontra uma espécie de “face ensolarada” da mesma proposta obscura firmada por Beyoncé dentro do ótimo 4 (2011).

Melhor exemplo de como tudo flui de maneira distinta dentro do registro está na formatação simples, porém honesta de Losing You, primeiro grande single do álbum. Com produção dividida entre Blood Orange e Kevin Barnes, a faixa talvez seja um das melhores e mais completas músicas de 2012. Passeando pelo R&B sem se desligar da aproximação com o pop e a eletrônica, a música cresce em cima de um refrão pegajoso, sample assertivo, teclados e toda uma variedade de elementos que a tornam simplesmente viciante. Um composto de natureza simples, porém, tão cuidadoso que converte qualquer outro lançamento vindo em sequência em algo naturalmente assimilável e intenso na mesma medida.

Talvez pela grandeza do pequeno álbum, fica difícil prever o que Solange vai apresentar no próximo ano, quando o terceiro registro de estúdio estiver pronto. Em pouco menos de 30 minutos de duração, True consegue soar tão eficaz quanto qualquer obra vulgarmente compreendida como “completa”. Um concentrado leve de composições agradáveis, um “pop diminuto”, como bem define Carrie Battan, mas um trabalho tão volumoso e rico em detalhes quanto qualquer outro exemplar do mesmo gênero.

Solange

True EP (2012, Terrible)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Beyoncé, Sky Ferreira e Jessie Ware
Ouça: Losing You e Lovers In the Parking Lot

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