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Disco: “Ultramarine”, Young Galaxy

Young Galaxy
Indie/Electronic/Dream Pop
http://younggalaxy.com/

 

Por: Gustavo Sumares

Young Galaxy

Em Shapeshifting (2011), o Young Galaxy consolidou a sua característica forma de composição. Um acerto que muitas bandas tentam, mas poucas conseguem com tanto sucesso: a união entre a concisão e objetividade de canções pop com os climas densos de certos estilos de música eletrônica. Assemelhando-se, de certa forma, a uma versão atualizada das bandas de synthpop dos anos 80 como os Eurythmics e The Human League, ou a uma versão mais madura e menos freaky do The Knife, a banda realizou perfeitamente o conceito estético de transmutação proposto no título. Ultramarine (2013, Paper Bag), seu sucessor, vê o grupo quebrando um pouco do gelo que envernizava as antigas canções e arranjos quase robóticos, sacrificando a rigidez para se tornar bem mais calorosa e acessível.

Se no disco anterior as letras tratavam de ideias e temas grandiosos, gerais e abstratos, aqui por outro lado elas falam de emoções, sensações e temas mais pessoais e concretos – sem perder a genialidade poética e o gracioso manejo das palavras. Essa mudança é acompanhada por uma organização ainda mais cuidadosa das ideias melódicas nas canções e pelo uso um pouco mais frequente de instrumentos com sons orgânicos. Esses fatores deixam o som da banda convidativo e mais fácil, para o ouvinte, mergulhar nos profundos e imersivos grooves que a ela cria. Em contrapartida, limitam um pouco as possibilidades da banda de explorar arranjos mais intrigantes e complexos: não há nada aqui que se assemelhe à exuberância e exoticidade da faixa-título do álbum anterior.

Essas mudanças são visíveis desde a primeira canção, Pretty Boy, que, com a bateria dançante que entra no final por cima das batidas eletrônicas, parece uma tentativa da banda de fazer uma faixa o mais descaradamente pop possível e que, ainda assim, não foge à estética do grupo. Igualmente divertida, Priviledged Poor também tem um refrão grudento, que bem que poderia vir mais cedo no disco. Outro exemplo da maior acessibilidade do disco é a bem estruturada What We Want, uma das raras faixas da banda em tempo composto, que fala das complexidades e paradoxos da vontade humana.


Out the Gate Backwards, por sua vez, é um exemplo da preferência da banda, nesse álbum, por sons mais orgânicos, com uma guitarrinha e uma linha de baixo bem funkeadas, refrões dançantes e um pós-refrão que poderia estar na trilha sonora do jogo Streets of Rage do Mega Drive. Outro exemplo disso é Fever, que com seu ritmo marcante e backing vocals misteriosos, cria um clima quase tribal. Algumas faixas, por outro lado, lembram a sonoridade mais friamente eletrônica e calculada do disco anterior, como In Fire, que queima lentamente, e a bela Fall For You – embora suas linhas vocais marcantes as permitam se encaixar confortavelmente entre as outras do disco.

As melhores faixas, porém, são aquelas nas quais a banda consegue unir o calor dessa nova abordagem à sua incrível capacidade de mergulhar o ouvinte em certos climas. É o caso da bela New Summer, capaz de evocar perfeitamente os prazeres de uma noite quente passada em boa companhia pelo ritmo tranquilo e da letra fofinha. É uma faixa excelente, porque seria difícil imaginar, com base no disco anterior, que a banda seria capaz de fazer uma canção tão afetuosa e amável. É o caso também, embora em menor grau, da majestosa Hard do Tell, com seus refrões envolventes e grandiosos. Sleepwalk With Me, talvez a mais romântica do grupo, também consegue essa façanha, mostrando com belos sintetizadores a ânsia por compartilhar algo além das palavras e da vida desperta.

Embora não tenha o mesmo foco do excelente Shapeshifting, Ultramarine é um sucessor ótimo, pois consegue dar novos passos à frente sem abrir mão das inúmeras qualidades do quinteto canadense. Assim como o anterior, ele possui melodias memoráveis, organizadas em faixas concisas que constituem um disco direto e relativamente curto. Diferentemente do anterior, porém, ele abdica dos temas grandiosos e das ambições conceituais em favor de um tom mais pessoal, caloroso e aberto. O fato de que a banda consegue manter seu estilo de composição enquanto muda de abordagem dessa forma é extremamente louvável, mas o central é que, com o novo disco, o Young Galaxy prova que é possível trocar um pouco de rigor conceitual por muita acessibilidade.

 

Young Galaxy

Ultramarine (2013, Paper Bag)


Nota: 8.0
Para quem gosta de: Austra, CHVRCHES e Kate Boy
Ouça: Pretty Boy, Fall For You e Hard do Tell

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