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Disco: “V”, Wavves

Wavves
Garage Rock/Alternative/Surf Rock
http://wavves.net/

A busca de Nathan Williams por um som cada vez mais pop, melódico e ensolarado parece longe de chegar ao fim. Distante do Noise Pop empoeirado que marca os dois primeiros trabalhos do Wavves – Wavves (2008) e Wavvves (2009) -, o cantor e compositor norte-americano parece seguir a trilha assumida na dobradinha King of the Beach (2010) e Afraid of Heights (2013), transformando V (2015, Ghost Ramp / Warner Bros.), quinto registro de inéditas, em um bem-servido cardápio de hits.

Movido pelas guitarras e vozes rápidas de Williams, V, diferente dos dois últimos trabalhos da banda, soa como uma obra de fato homogênea, parte de um mesmo conjunto de ideias e temas instrumentais. Enquanto os versos passeiam por relacionamentos fracassados, tédio e drogas, em se tratando dos arranjos, todos os elementos convergem para o mesmo ambiente litorâneo testado no álbum de 2010. Solos e bases dançantes, dinâmicas, íntimas do Garage Rock de boa parte dos grupos californianos entre os anos 1970 e 1980.

Capaz de chamar a atenção do ouvinte logo nas primeiras faixa, V convence o público antes mesmo que All The Same, quarta música do disco, tenha início. Com a trinca formada por Heavy Metal Detox, Way Too Much e Pony, Williams e os parceiros de banda – Alex Gates, Stephen Pope e Brian Hill – praticamente soterram o público com uma avalanche de vozes e guitarras pegajosas. Um meio termo entre a fórmula testada pelo grupo nos dois últimos trabalhos em estúdio e toda a herança de veteranos como The Soft Boys, Ramones e The Replacements.  

Por falar no trabalho do grupo britânico The Soft Boys, difícil ignorar a série de referências ao clássico Underwater Moonlight, de 1980. Do vocal berrado e pop ao uso de guitarras marcadas por distorções leves, durante toda a execução de V, Nathan Williams estabelece uma espécie de ponte para o rock lançado entre o fim dos anos 1970 e o começo da década seguinte. Uma divertida apropriação de ideias que, longe de parecer copiosa, serve de estímulo para o nascimento de faixas como All The Same, Way Too Much e Cry Baby.

Assim como em Afraid of Heights, Williams consegue manter a atenção do ouvinte em alta até o último segundo do registro. São justamente os instantes finais de V que confirmam a maturidade do Wavves. De um lado, músicas como Flamezsz e Cry Baby, composições que resgatam parte da sonoridade suja dos primeiros trabalhos da banda sem necessariamente romper o diálogo com o presente. No outro oposto, as boas melodias e refrão explosivo de músicas como Wait e Tarantula, extensão inevitável do mesmo acervo de faixas que marca a abertura do disco.

De natureza acessível, V reforça a capacidade do Wavves em dialogar com o grande público. Assim como no álbum lançado há dois anos, todos os elementos incorporados no interior do trabalho parecem pensados para invadir a mente do ouvinte em poucos segundos. É praticamente impossível atravessar o conjunto de 11 faixas do disco e não se sentir atraído pelo jogo de vozes e guitarras que sustentam as canções, prova de que o som experimental, sujo e instável testado pela banda nos primeiros anos foi definitivamente sepultado.

V (2015, Ghost Ramp / Warner Bros.)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Best Coast, Cloud Nothins e Ty Segall
Ouça: Way Too Much, Wait e Cry Baby

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