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Disco: “Valsa e Vapor EP”, Phill Veras

Phill Veras
Brazilian/Indie/Singer-Songwriter
https://www.facebook.com/PhillVeras

Por: Allan Assis

Phill Veras

Maranhense de vinte e poucos anos, representante de uma MPB que admira The Strokes, Phill Veras anuncia sua carreira solo após o fim de sua banda Nova Bossa, com o lançamento do EP Valsa e Vapor (2013, Independente). Composto por cinco músicas que polvilham açúcar sob uma atmosfera calma e delicada, o registro faz uma ponte com uma sonoridade conhecida por quem tem acompanhado os álbuns nacionais: cuidadosos acordes de violão e uma voz sem sobressaltos – sutilmente versando sobre amor e melancolia.

Abre o registro Dia Dois, canção com cara de surf music, pronta para com sons de uma guitarra havaiana e dedilhados de banjo que levam o ouvinte a se espreguiçar numa rede em fim de tarde, o tipo de música incapaz de se desgostar. Como nos meus sonhos tem letra abstrata e a voz do compositor se sobrepõem aos arranjos mais discretos, permitindo que se evidencie a estranha semelhança entre o timbre de Veras e Hélio Flanders (Vanguart), com a diferença das notas de agressividade e catarse presentes na do segundo. Vício é candidata a melhor do EP. A composição toma emprestado algumas das experimentações quase fofas testadas por grupos como Pato Fu nos anos 90, reforço que abraça a melancólica letra de Phill e o aproxima de outro compositor que se deu bem louvando o abandono: Cícero.

 Phill Veras

É justamente nas referências que moram os acertos e também os pontos fracos do trabalho. Ao se aproximar de uma sonoridade leve que embala a tristeza de Cícero e um Marcelo Camelo, só declarações de amor em sua fase pós-Los Hermanos, Phill se curva demais ao ressaltar seus elementos calmo, impedindo que se crie uma identidade musical para seu trabalho, em suma, o doce disco fica com gosto de mais do mesmo em alguns instantes. Depois de escancarar as portas das confessas declarações de amor Camelo, Mallu Magalhães e Marcelo Jeneci, abriram caminho para que outros artistas, com menos talento no campo das composições, se integrassem a essa MPB de fácil assimilação – o mesmo tipo que lota unidades do SESC ao redor da capital paulistana. Como sempre, o tempo trata de fazer a triagem entre os músicos que apenas acompanham uma cena musical em crescimento e artistas que conseguem se sobressair em meio às vozes que fazem o popular coro de fim de faixa. Phill Veras se apresenta tocando seu violão afinado e cantarolando amor e melancolia muito bem, mas ainda não consegue se tornar essencial dentro dessa estética.

Cantarolando suas músicas desde os primeiros acordes, talvez o ouvinte veja que também não é necessário reinventar a roda e esperar ser surpreendido toda vez que um artista novo se lança em voo solo. Veras produz canções altamente apreciáveis, que carregam uma inegável verdade em seu familiar timbre, capaz de aterrar qualquer um em calma. O fato é que você vai gostar de Valsa e Vapor sendo novidade ou não; afinal, não é difícil se abrir às sutilezas de música feita pra fazer sorrir.

Phill Veras

Valsa e Vapor EP (2012, Independente)

Nota: 7.6
Pra quem gosta de: Marcelo Camelo, Cícero, Mallu Magalhães
Ouça: Vício e Acabou de Acabar

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