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Disco: “Veraneio”, Eddie

Eddie
Brazilian/Alternative/Manguebeat
http://www.myspace.com/bandaeddie

 

Por: Cleber Facchi

 

Ainda que seja a Nação Zumbi o primeiro nome a surgir em nossas mentes quando pensamos a respeito da invasão pernambucana gerada através do Mangue Beat, não foram poucos os artistas que encontraram dentro do mesmo “gênero” musical toda uma gama de possibilidades para seus próprios trabalhos. Seguindo o mesmo fluxo instrumental que os vizinhos do Mundo Livre S/A, os veteranos (e muitas vezes desconhecidos) integrantes do grupo Eddie reaparecem agora com seu novo trabalho, um registro capaz de comprovar que para muito além das batidas de Chico Science existe todo um amplo universo de sons emanados pela gente de Pernambuco.

Mesmo pouco conhecidos mediante a grandiosidade dos principais enunciadores musicais de sua região, Fábio Trummer (Guitarras & Voz), Alexandre Urêa (Percussão & Voz), Andret Oliveira (Trompetes, Teclados & Samplers), Rob Meira (Baixo) e Kiko Meira (Bateria) já vêm de uma longa e bem delineada carreira musical. Mantendo uma aproximação com sua cidade de origem – Olinda –, a banda acaba de alcançar a marca de cinco discos, todos administrados dentro de uma maré de sons calorosos, capazes de evocar desde fluidez do samba, passando pelo frevo, reggae, dub e toda uma vasta possibilidade de ritmos e formas musicais.

Mais recente obra do quinteto – que já conta com mais de 20 anos de carreira -, Veraneio (2011, Independente) como o próprio título já aponta revela uma coleção de sons tomados pelo clima caloroso de Pernambuco, transformando suas 11 faixas em uma sucessão fórmulas suingadas e versos pegajosos. Menos “conceitual” que o último trabalho da banda – o poderoso Carnaval no Inferno, de 2008 -, o presente álbum se concentra na produção de sons carregados pela praticidade, misturando doses colossais de versos acessíveis e um ritmo que encanta o ouvinte em poucos segundos de execução.

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Embora seja visível a produção de um som orgânico e que reforça a sempre pulsante instrumentação do grupo, muito do que delimita e dá sustento ao recente registro está no bem explorado jogo de mínimas inclusões eletrônicas. Da abertura com Delírios Espaciais – no melhor estilo Mundo Livre S/A da fase Por Pouco – ao fecho do trabalho, o que encontramos é uma sucessão de sons carregados pela fluência sintética, arquitetando não o pilar central do registro, mas uma espécie de tempero que transforma a obra do grupo pernambucano em algo ainda mais proveitável.

Feito um carnaval fora de hora, Veraneio desce as ladeiras de Olinda destilando uma sequência de composições tomadas de intensidade e vigor. Como grande bloco que é o trabalho não poderia vir solitário em hipótese alguma, para isso o quinteto pernambucano convida a já velha parceira Karina Buhr e o conterrâneo Otto para que juntos proporcionem ainda mais beleza e ginga aos quentes versos de O Saldo da Glória. Quem também aparece é o bom e velho DJ Dolores, que transforma o fechamento do álbum em um verdadeiro carnaval sintetizado, arrastando a sonoridade do grupo pernambucano inclusive para dentro das pistas de dança.

Diversificado e tomado por distintas nuances instrumentais, a quinta epopeia musical do quinteto de Olinda desce tão fácil como um gole de cerveja gelada em um dia de sol escaldante. Funcionalmente sincronizado com toda a onda de sons praieiros que delimitam a atual cena alternativa estrangeira, o registro abre as portas para a chegada do verão em território tupiniquim, presenteando seu público com um jogo de 11 acertos musicais. Prepare os óculos escuros, passe bem o protetor solar e cima de tudo: não se esqueça de carregar Veraneio em seu player de música.

Veraneio (2011, Independente)

 

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Mundo Livre S/A, Mombojó e DJ Dolores
Ouça: Delírios Espaciais