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Disco: “Visions”, Grimes

Grimes
Canadian/Experimental/Electronic
http://www.myspace.com/boucherville

Por: Cleber Facchi

 

A música tal qual conhecemos não parece ter o mesmo significado para a canadense Claire Boucher. Mais conhecida pelo pseudônimo de Grimes, a musicista vem desde 2010 se revezando na fabricação de composições sempre distantes da obviedade, mesclando eletrônica, psicodelia e uma versão particular da música pop em compostos sonoros permeados pela experimentação, se evidenciando como uma espécie de diva (ou anti-diva) do que há de mais estranho na cena musical contemporânea, título que a jovem honra a cada nova e deslumbrante composição.

Perceptivelmente estudiosa dos ensinamentos ministrados por Björk no clássico Post, de 1995, a canadense transforma toda a experimentação de sua obra em algo tátil, acessível e incrivelmente vendável. Geidi Primes, primeiro grande trabalho da cantora apresentado no ano passado explicita com propriedade todos os caminhos percorridos por Boucher, que através de singles como Rosa e Shadout Mapes mergulha em um lago de sensações místicas, pescando os vocais etéreos Siouxsie Sioux, o que há de mais volátil na Witch House, além de toda uma variedade de referências que mesmo similares parecem apenas dela.

Mesmo agradável e cercado por bons hits, vê-se hoje que o primeiro trabalho de Grimes nada mais era do que um estudo, uma prévia de um registro ainda maior e mais inventivo que seria posteriormente apresentado. Menos de um ano depois de tão comentada estreia – que destacou a canadense como a responsável por uma das maiores estréias da temporada -, Boucher retorna com a segunda obra de sua ainda curta carreira, Visions (2012, 4AD), um disco que não apenas dá continuidade ao que a garota desenvolveu durante todo o ano de 2011, como abre as portas para um universo mágico de novas e ricas experiências.

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Por mais que seja necessária uma apreciação completa da obra para termos uma visão ampla da total mudança na carreira de Grimes, pouco antes de apresentar o registro e as 13 faixas que o compõem, a cantora já havia dado uma mostra consistente de sua evolução com os dois primeiros singles do disco, Genesis e Oblivion. Enquanto a primeira evidencia o lado mais doce (e intencionalmente comercial) da cantora, que impõem reforço nas batidas e no lado melódico da canção, a segunda apresenta um lado mais sujo, etéreo e obscuro da canadense. Duas referências tecnicamente distintas, mas que se completam pela voz suave da cantora, um vocal que parece simplesmente desfazer-se no desenrolar da faixa.

Partindo desse principio musical duplo, a artista percorre os 47 minutos do registro se revezando entre composições terrenas e mágicas (Skin), e faixas marcadas por uma experimentação dançante e etérea (Circumambient), culminando em um tratado vasto e que cativa o ouvinte até seus últimos segundos. Embora penda em diversos momentos para as exposições sintetizadas da década de 1980, Grimes parece seguir os mesmos passos que gente como Crystal Castles e Zola Jesus incorporam nos próprios trabalhos, desenvolvendo um som que mesmo referencialmente nostálgico rompe paradigmas e aposta em novas possibilidades.

Dentro dessa diversidade e procura constante por um resultado não comum, a cantora acaba produzindo um disco místico-futurista, se evidenciando como uma espécie de ninfa obscura em uma floresta cibernética. Com esse plano musical distinto, apenas a voz – sempre picotada e quase incompreensível – de Claire parece servir como único elemento guia para o ouvinte, que inicialmente perdido dentro desse novo universo logo parece se acostumar aos experimentos da cantora, que consegue não apenas substituir nossa realidade pela dela, como nos transforma em habitantes naturais desse ambiente novo e repleto de detalhes.

Visions (2012, 4AD)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Sleep ∞ Over, Holy Other e Zola Jesus
Ouça: Oblivion e Circumambient

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