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Disco: “Voyage”, The Sound of Arrows

The Sound Of Arrows
Swedish/Electronic/Indie Pop
http://thesoundofarrows.com/

Por: Fernanda Blammer

 

Não é de hoje que a dupla sueca The Sound of Arrows vem proporcionando uma série de bem sucedidas composições. Desde 2006 quando Stefan Storm e Oskar Gullstrand deram formas definitivas ao projeto que uma sucessão de acertadas canções tem passeado pela rede ou mesmo em formato físico, através dos dois únicos EPs dos produtores, Danger! de 2008 e M.A.G.I.C. lançado em janeiro de 2009. Faltava, entretanto, o apresentar de um verdadeiro registro um estúdio, um trabalho que o grupo pudesse de fato mostrar a que veio.

É somente agora, passados mais de cinco anos desde que as primeiras canções da dupla começaram a circular que é apresentado Voyage (2011, Own Label/Skies Above), aguardado debut do projeto sueco e registro que deve realmente demonstrar todo o potencial dos parceiros vindos de Estocolmo. Menos artificial que os anteriores trabalhos do projeto, o álbum transforma seus quase 60 minutos de duração em um passeio por um mundo de sintetizadores mágicos e emanações sonoras delicadas, abrindo os caminhos da dupla para fora das pistas de dança.

Mais do que um simples condensado de músicas assobiáveis e sobrepostos musicais banhados por uma fina luminosidade pop, muito do que dá sustentação ao registro vem do mesmo princípio melódico e conciso que em 2009 transformou o Passion Pit em um dos mais aclamados artistas do cenário independente. Claro que comparados ao grupo de Cambridge, Massachusetts os suecos estão muito mais apoiados em um terreno eletrônico, o que de forma alguma impede que o duo transite por um terreno musical doce, orgânico e tão encantador quanto o da banda norte-americana.

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De fato, muito do que caracteriza a primeira obra da dupla sueca parece se conectar diretamente com Manners, registro de estreia do Passion Pit. Melhor exemplo disso está no uso dos coros açucarados que temperam faixas como Magic e Ruins Of Rome, algo que Little Secrets e outras composições do grupo americano faziam uso com total propriedade. Soma-se a isso um bem entrelaçado jogo de sintetizadores, que para além dos clichês que acompanham trabalhos calcados em cima do instrumento acabam por fornecer beleza ao registro do duo.

Por mais esvoaçadas e quase místicas que sejam as sensações repassadas ao longo de Voyage, o trabalho passa longe de se anunciar como um registro substancialmente etéreo, condensando em seu interior uma somatória de faixas que mesmo frágeis mantém em sua estrutura um peso e uma força que as converte em composições duradouras. Belo exemplo disso está no conjunto de músicas que se responsabilizam em dar abertura ao álbum. Faixas como My Shadow, Into The Clouds e Magic, que encontram tanto referências na IDM pegajosa de projetos como Dntel ou mesmo no synthpop menos óbvio que a década de 1980 conseguiu proporcionar.

Mesmo visivelmente pensado para atender as demandas de um público que busca por um som pop e volátil, a partir de There Is Still Hope, décima canção do registro torna-se visível a aproximação dos suecos com uma sonoridade menos óbvia e mais ampliada, com a dupla buscando referências na obra do M83, ou mesmo outros grandes figurões do cenário musical contemporâneo. Por mais tempo que tenha passado quem esperou ansiosamente pelo primeiro álbum do The Sound of Arrows provavelmente não se decepcionará.

Voyage (2011, Own Label/Skies Above)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Passion Pit, Lo-Fi-Fnk e CocknBullKid
Ouça: Magic

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Jornalista, criador do Miojo Indie e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.