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Disco: “W”, Planningtorock

Planningtorock
German/Experimental/Electronic
http://www.myspace.com/planningtorock

Por: Cleber Facchi

Se para você Lady Gaga é o ápice da bizarrice dentro da música pop, cruzando elementos visais e sonoros de forma nada convencional, então espere para conhecer Janine Rostron e seu alter-ego Planningtorock. Estudante de música clássica desde os oito anos de idade, a musicista alemã foi aos poucos moldando um som que converge diferentes aspectos da música dentro de uma sonoridade banhada pelo esquizofrênico. Depois de um bem recebido álbum lançado em 2006 (Have It All) e algumas participações ao lado do duo The Knife, a artista retorna com mais um trabalho de pura excentricidade e sapiência.

Nada se mantém no lugar em W (2011), segundo e mais recente álbum de Rostron, que além de movimentar sua carreira musical investe no desenvolvimento de instalações artísticas, performances ao vivo, além de coordenar o selo musical Rostron Record, voltado à produção independente. Assim como em seu debut, a alemã transforma o que poderia ser um som tradicional em algo novo, inédito e acima de tudo: estranho. É música clássica que se encontra com a eletrônica, glam rock que se choca com o hip-hop e o synthpop que se quebra e acaba convertido em algo puramente experimental.

Ouvir Planningtorock é como montar um extenso quebra-cabeças sem que você tenha a imagem da caixa para saber de fato o que está montando. A cada nova peça (ou som) que vai se encaixando, você passa a ter uma pequena noção do todo, embora ainda sobrem diversas peças pelo chão e a imagem final ainda seja incompreensível. Entretanto, quanto mais complexo fica o encaixe das peças, mais instigante fica a brincadeira, com o ouvinte se jogando fundo na tentativa de compreender os sons e a dinâmica proposta por Rostron ao longo do disco.

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Ao contrário do primeiro álbum, W se revela um disco até mais acessível, com a alemã absorvendo uma série de conceitos voltados à eletrônica e por consequência desenvolvendo algo próximo do dançante. O ampliado uso de sintetizadores parece vir da forte aproximação com os suecos do The Knife, principalmente com o projeto solo de Karin Dreijer Andersson, o Fever Ray, que torna-se uma influência perceptível em boa parte das composições do álbum. Em The Breaks, por exemplo, a condução dada faz com que a faixa, com seu clima soturno e quase gótico aproximam a faixa do que foi apresentado por Andersson em seu álbum de 2009.

Além das tendências eletrônicas, expondo faixas carregadas de sintetizadores e programações sintéticas, o novo álbum de Janine Rostron acaba por expor uma tonalidade ligada ao pop e à música soul, afastando o som recluso de sua estreia e se evidenciando como um trabalho até mais assertivo. Tanto Living It Out quanto I’m Your Man soam como hits de grande potencial, mesclando uma sonoridade menos complexa com letras fáceis e um ritmo convidativo. Enquanto a primeira entrega as pendências aos sons do The Knife (portando teclados bem similares aos encontrados por todo o álbum Silence Shout), a segunda soa bem similar ao que o Goldfrapp desenvolveu em Head First (2010), sempre com o foco no dançante.

Quando findam os teclados hipnóticos e a percussão quebrada de #9 (última faixa do álbum), nos deparamos com o quebra-cabeça ainda incompleto, como se a imagem que pensávamos montar não fosse exatamente aquela, mas algo ainda maior e mais misterioso. Planningtorock nos obriga a ouvir seu novo álbum repetidas vezes, sempre fornecendo mais e mais peças para acrescentarmos a sua trama complexa.

W (2011)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Fever Ray, The Knife e Zola Jesus
Ouça: The Breaks

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