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Disco: “We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves”, John Maus

John Maus
Lo-Fi/Experimental/Indie
http://www.mausspace.com/

Por: Cleber Facchi

Foram necessários quase dez anos até que Ariel Marcus Rosenberg, ou simplesmente Ariel Pink concluísse seu pequeno condensado de sons psicodélicos, excêntricos e sujos para que em 2004 fosse lançado o estranho The Doldrums, suposto disco de estreia do músico – que antes disso já havia se aventurado em uma série de discos caseiros –, trabalho que introduzia de vez o público ao seu inusitado universo. Seria, entretanto, necessário quase outra década até que o músico retornasse com aquela que seria sua obra prima, Before Today (2010). Seguindo os mesmos passos, o músico e produtor John Maus, que já foi integrante da banda de apoio de Ariel Pink desenvolve em seu mais recente álbum o que parece ser as bases para algum futuro grande lançamento, além de um belo apanhado de melodias tão excêntricas e viajadas quanto as de seu antigo parceiro.

É inevitável aproximar o recente We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves (2011, Upset the Rhythm) com a obra de Ariel Pink pré-Before Today. O apanhado de melodias abafadas, reverberações claustrofóbicas, além de uma fluidez pop psicodélica soam obviamente similares ao que é propagado em The Doldrums ou Scared Famous (2007). Entretanto, delimitar a obra de Maus como uma cópia do que Pink construiu seria diminuir toda a precisão de sons lançados pelo músico em seu registro, um álbum que embora siga por uma peculiaridade acústica similar é visivelmente distinto e dono de uma clara autonomia.

Tanto Pink quanto Maus aparecem como a representação de dois seres místicos, criaturas que escaparam de universo próximo e que usam de seus álbuns para propagar suas similares histórias e sonorizações esquizofrênicas. Enquanto o primeiro conduz seus registros de forma variada, adornando-se de elementos que vão desde um pop oitentista desengonçado até explosões de uma música folk suja e viajada, o segundo parece condensar melhor seus elementos, gerando através de seu agrupamento sonoro um resultado hermético, mas ainda assim carregado pela mesma pluralidade rítmica que seu conterrâneo.

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Embora desenvolva suas experimentações sonoras desde muito antes de seu encontro com Ariel Pink, a ativa participação de We Must Become… em alguns veículos de comunicação especializados e principalmente através da blogosfera deram ao registro um caráter de estreia à obra de Maus. Mesmo dono de dois registros anteriores – Songs de 2006 e Love Is Real de 2007 -, talvez seja exatamente isso que o novo trabalho do músico represente: um começo. Por conta das demasiadas excentricidades ou construções atmosféricas exaltadas dos álbuns anteriores – o que parece conceitualmente resolvido dentro do novo disco -, o músico de Austin, Minnesota acabava soando difícil aos ouvidos mais frágeis, o que torna seu recente álbum uma maneira muito mais agradável de conhecer o trabalho do norte-americano.

Mesmo que ainda seja difícil dar ao álbum o mesmo rótulo de “pop” que foi dado ao último registro do Ariel Pink’s Haunted Graffiti, em sua totalidade a terceira epopéia sonora de John Maus se revela de forma aprazível e instrumentalmente bem conduzida. As predisposições eletrônicas que se movimentavam de forma quase incompreensível nos álbuns anteriores, agora parecem bem melhor resolvidas, com o músico caminhando em um universo ecoado, repleto de sintetizadores estranhamente divertidos e um tipo de poluição sonora que se revela de forma agradável e até aconchegante em determinadas faixas como And The Rain ou The Crucifix.

Se acessível é o resultado final apontado através de uma apurada audição do disco, uma mesma audição pode revelar o excessivo controle do músico ao longo do álbum. Tanto em suas letras quanto em sua instrumentação We Must Become…se revela como um trabalho deveras ponderado, como se o músico mantivesse o freio de mão puxado durante os 30 minutos de duração do trabalho. Os vocais e a musicalidade demasiado baixos, além dos sons agrupados de forma desmesurada inviabilizam que o disco alcance um melhor desempenho, fazendo com que a obra, mesmo bem orientada sirva apenas como um rascunho para algo que ainda está por vir.

We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves (2011, Upset the Rhythm)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Ariel Pink’s Haunted Graffiti, Puro Instinct e Pure X
Ouça: The Crucifix e Streetlight

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