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Disco: “White Women”, Chromeo

Chromeo
Electronic/Dance/Funk
http://chromeo.net/

Por: Cleber Facchi

Chromeo

O pop não precisa ser inteligente para fazer o ouvinte dançar, entretanto, David Macklovitch e Patrick Gemayel fazem questão de amarrar essas duas pontas dentro do universo de tendências que definem o Chromeo. Seguindo a maturidade assumida desde a passagem por Business Casual, em 2010, o duo canadense transforma o quatro álbum da carreira em uma obra de possibilidades. Sim, White Women (2014, Last Gang) ainda é uma fina representação do trabalho da dupla, porém, é possível ir um pouco mais além dentro desse mesmo cenário dançante.

Apresentado em boa hora, o presente álbum do Chromeo é uma continuação das experiências lançadas no último ano por Daft Punk (Random Access Memories), Blood Orange (Cupid Deluxe) e outros interessados nas tendências musicais/estéticas dos anos 1970. Base para o trabalho dos canadenses desde o debut She’s in Control, de 2004, a tonalidade gerada há quatro décadas deixa de ecoar como um mero pastiche, típico dos outros álbuns, adaptando conceitos nostálgicos ao presente de forma natural.

Obra mais romântica, mas não menos sacana e “quente” da dupla, o disco cresce como uma verdadeira sequência de hits. Praticamente um “The Best Of 70’s” abastecido apenas por faixas inéditas, White Women apresenta na abertura do álbum um cardápio de ritmos, fórmulas e arranjos que serão interrompidos apenas no último instante do trabalho. Linha de baixo funkeada, falsetes distribuídos aleatoriamente e porções exatas de sintetizadores. Do suingue em Jealous (I Ain’t With It), ao pontuar de Fall Back 2U, tudo ecoa aproximação e um doce descompromisso. É hora de mergulhar na noite, e o Chromeo tem a trilha sonora perfeita para isso.

Longe de repetir a funcionalidade dos trabalho passados – principalmente o último -, o quarto álbum do Chromeo é uma obra de evidente transformação para o banda. Como uma passagem lenta para a década de 1980 e as bases da New Wave, White Women migra suas fórmulas com louvor particular. Melhor exemplo dessa transição está no fluxo criativo de Sexy Socialite, faixa que lembra (e muito) a estética do Talking Heads em discos como Fear of Music (1979) e Remain in Light (1980). O mesmo exercício se repete ainda em Play To Fool e Somethingood, músicas que abraçam tanto o Synthpop da época, como o clima dançante de Michael Jackson pós-Off The Wall (1979).

Mais do que um registro das atuais experiências de Macklovitch e Gemayel, o novo álbum do Chromeo é uma obra de abertura para todo um novo time de colaboradores. Enquanto Chaz Bundick abandona o caráter Lo-Fi do Toro Y Moi para transformar Come Alive em uma das melhores faixas do ano, Solange usa da passagem pelo disco para expandir o próprio território. Muito do que define Lost On The Way Home, da convidada, ecoa como uma extensão da sonoridade assumida em True EP (2012), reforçando de forma assertiva a nova fase da caçula da família Knowles. Até Ezra Koenig (Vampire Weekend) ganha um espaço só dele na curtinha Ezra’s Interlude, uma inteligente passagem para o eixo final do disco – mais pacato do que nas faixas iniciais.

Livre de qualquer traço de seriedade, White Women é uma atenta continuação dos três últimos álbuns do Chromeo, feitos “apenas” para dançar. Todavia, longe de ser comportar como uma obra rasa, o quarto disco do duo canadense se adorna de efeitos, relações honestas com o passado, além, claro, de uma sequência (quase) ininterrupta de faixas essencialmente radiofônicas, capazes de colar no cérebro em poucos segundos. Mais uma vez, o pop tem novo significado nas mãos da dupla, mas ainda serve perfeitamente para você possa cair na pista.

 

Chromeo

White Women (2014, Last Gang)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Duck Sauce, Holy Ghost! e Classixx
Ouça: Come Alive, Sexy Socialite e Lost On The Way Home