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Disco: “Wildheart”, Miguel

Miguel
R&B/Soul/Rock
http://www.officialmiguel.com/

Com o lançamento do single Coffee, no começo de maio, Miguel dava fortes indicativos de que as mesmas experiências musicais testadas em Kaleidoscope Dream (2012) serviriam de base para o terceiro registro de inéditas do cantor. Batidas lentas, solos de guitarras provocantes e o vocal sempre limpo, quente, estímulo para a poesia erótica que orienta a sonoridade do músico norte-americano. Elementos talvez previsíveis, também base natural para o recém-lançado Wildheart (2015, ByStorm / RCA), porém, encaixados em uma estrutura completamente torta dentro de cada faixa do trabalho.

Pulsante, o novo álbum segue a mesma trilha iniciada pelo cantor desde o debut All I Want Is You (2010): um compilado de faixas marcadas pela obsessão sexual, loucura e agressividade. Um catálogo de 12 composições que lentamente escapam do domínio lírico de Migual, visitam a intimidade de qualquer casal e convertem em melodias íntimas do R&B alguns dos tormentos mais sujos de qualquer indivíduo – “pervertido” ou “puritano” – embaixo dos lençóis.

A diferença em relação aos dois últimos discos do cantor está na “urgência” que movimenta as canções. Ainda que Wildheart seja o trabalho mais extenso já lançado por Miguel – com quase 50 minutos de duração -, perto de Kaleidoscope Dream e  All I Want Is You , a ferocidade que movimenta os versos e arranjos parece catapultar o ouvinte da primeira para a última música. Com exceção de exceção de Coffee, de fato a composição “mais lenta” do trabalho, Miguel segue com ferocidade até o último instante do disco, violentamente excitado, raivoso.

O rápido distanciamento do pop plástico dos dois primeiros discos se revela como outro importante elemento para o crescimento do cantor ao longo do novo álbum. Em um explícito diálogo com o rock dos anos 1970 e 1980, cada faixa do presente disco abre espaço para a interferência das guitarras, preferência que aproxima com naturalidade o trabalho de Miguel de uma de suas principais influências: Prince.

Difícil não perceber a essência de obras como Purple Rain (1984), Sign o’ the Times (1987), Lovesexy (1988) e toda a boa fase do veterano do Soul-R&B em cada fragmento provocante do registro. A própria interferência de Lenny Kravitz na derradeira Face The Sun reflete o completo interesse do artista pelo passado recente da música negra, passagem rápida que em nenhum momento oculta vozes e melodias íntimas apenas do universo de Miguel. Mesmo Freddy Mercury, Led Zeppelin e outros nomes do “Sex-Rock” encontram pequenas brechas para crescer no interior da obra.

Toda essa aproximação de Miguel da música lançada há mais de três décadas reflete na composição de uma obra esquiva da recente safra do “neo-R&B”. Distante de Frank Ocean, The Weekend e até de si próprio no último registro em carreira solo, Miguel sustenta com naturalidade a formação de um registro intenso, repleto de composições sedutoras e invasivas. Um cenário onde as guitarras, vozes e sentimentos tomam o controle, gritando cada vez mais alto.

Wildheart (2015, ByStorm / RCA)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Prince, The Weekend e Usher
Ouça: FLESH, Hollywood Dreams e Face The Sun

Para Lucas Silva. 

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3 thoughts on “Disco: “Wildheart”, Miguel

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