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Disco: “Wired Togheter”, The Whip

The Whip
British/Electronic/Dance
http://www.thewhipband.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Quando X Marks Destination, primeiro registro do The Whip foi lançado em março de 2008, o cenário britânico ainda vivia do que havia sobrado da famigerada New Rave, que desde o princípio não passou de uma piada sem graça e nunca um movimento musical como muitos alegavam na época. Mesmo apresentando alguns bons singles, a banda vinda de Oldham, nas proximidades de Manchester em nada contribuiu para a música do período, sendo fortemente criticada pela própria imprensa inglesa que em grande parte dos casos ajuda a alavancar grupos muitas vezes pouco ou nada relevantes.

Três anos após o lançamento de seu fraco debut, o grupo – formado por Fiona “Lil Fee” Daniel, Nathan Sudders e Bruce Carter – chega com mais um novo disco, buscando de todas as formas afastar os fantasmas do passado e obter as atenções do grande público. Denominado Wired Togheter (2011, Southern Fried Records), o álbum surge de maneira menos eufórica que seu predecessor, apresentando uma banda mais solta e visivelmente madura, abandonando as repetições do passado em prol de um som que no fim das contas consegue agradar.

Nada do que é apresentado ao longo do disco pode ser caracterizado como algo novo ou que se distancie de tudo que foi produzido em solo inglês nos últimos cinco ou até dez anos. Linhas de baixo abafadas, paredes de sintetizadores grudentos e versos policromáticos que falam tanto sobre as dores do coração como elementos típicos do cotidiano, tudo empacotado em uma camada sintética, levemente obscura e que em alguns momentos transita despretensiosamente pelos campos do pós-punk, assim se locomove o disco.

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Distantes da euforia e a jovialidade manifesta em seu primeiro álbum, o trio inglês concentra seus esforços em faixas que mesmo agradáveis em suas formatações atuais devem soar muito melhores ao vivo. Intensity, melhor composição do disco traduz muito do que é encontrado dentro do recente trabalho, com a banda fomentando um tipo de som que mesmo dançante e pop mantém um constante limite. Mesmo que os sons quase suingados (lembrando em alguns momentos um The Sunshine Underground sem guitarras) sejam capazes de encantar o ouvinte, a banda vai até certo ponto e para, o que garante um som distante de falsas euforias e de alguma forma maduro.

Por mais que o disco mantenha uma fluência agradável e constante, a partir da segunda metade do trabalho ele se torna levemente repetitivo, perdendo um pouco da boa sonoridade repassada através das músicas iniciais (talvez o disco funcionasse melhor como um EP do que um trabalho Full Lenght). Entretanto, o que acaba salvando o disco é Slow Down, última canção do álbum e composição que ultrapassa os sete minutos. A boa duração da faixa possibilita que o trio eleve sua sonoridade ao máximo, presenteando o ouvinte com uma verdadeira avalanche de sintetizadores e um ritmo sempre crescente.

Mesmo que Wired Togheter percorra uma sonoridade segura – e incrivelmente superior quanto comparada com um bom número de artistas da década passada e que voltaram para um segundo round -, não restam dúvidas que para um próximo álbum a banda precisará rever alguns conceitos, evitando cair em uma produção redundante. Por enquanto, ouvir músicas como Riot, Intensity e Secret Weapon ainda dão conta do recado.

 

Wired Togheter (2011,  Southern Fried Records)

 

Nota: 6.9
Para quem gosta de: Goose, Shitdisco e The Presets
Ouça: Riot e Secret Weapons

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