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Disco: “Wonderland”, Ceo

Ceo
Indie Pop/Alternative/Electronic
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Ceo

É curiosa a transformação que orienta a obra de um artista entre um trabalho e outro. Outrora personagem recluso dentro das emanações brandas que ocupam a música sueca, Eric Berglund fez do primeiro trabalho de estúdio à frente do Ceo um projeto de descoberta. Intitulado White Magic, o disco lançado em 2010 é o típico caso de uma obra que não precisa de muito esforço e nem reviravoltas elaboradas para surtir efeito. Apenas boas melodias aliadas ao exercício preciso das vozes e versos, como uma extensão daquilo que o músico/produtor vinha desenvolvendo com o extinto The Tough Alliance.

Com a chegada de WONDERLAND (2014, Modular), mais novo registro solo de Berglund, toda a calmaria de outrora se mantém ativa, porém, em um estágio evidente de libertação. Além de ressaltar a interação com os antigos trabalhos de sua antiga banda – principalmente o último, A New Chance (2007) -, o produtor parece inclinado resgatar aspectos pontuais da música sueca produzida nos anos 2000, esbarrando vez ou outra no trabalho de conterrâneos como Air France e Jens Lekman. O resultado não poderia ser outro: Explosão.

Do momento em que tem início, até a chegada da última faixa, mesmo o arranjo mais sutil da obra ecoa grandeza e proposital exagero cênico. Pista segura para a formação do álbum, Whorehouse, canção de abertura do disco, parece definir toda a base estética a ser costurada por entre as faixas. Enquanto White Magic era sustentado em doses, o que explica a fluidez lenta no eixo inicial da obra, WONDERLAND quer ser grande, reforçando constantemente esse propósito. São vocais amplos, sintetizadores adornados por elementos festivos, e toda uma série de interferências que esbarram no épico. Um exagero de cores e essências que escapa das canções, atinge a capa do disco e fisga sem dificuldades o ouvinte.

Em um sentido evidente de manter a aproximação entre as faixas, Berglund, assim como no disco anterior, preenche cada música com uma série de características funcionais. Dos diálogos sampleados ao uso de harmonias clonadas, das batidas eletrônicas ao vocal marcado pelo coro sintético, todos esses elementos são alinhados de forma a acolher o espectador em um cenário atento. É como se tudo fosse parte de uma mesma canção. Seja nos atos brandos instalados em Harikiri, ou no catálogo de referências ascendentes em OMG, cada música se movimenta como uma assertiva partícula do todo.

A construção homogênea e naturalmente assertiva do disco, entretanto, não impede que as canções sejam observadas individualmente. Enquanto Whorehouse segue por uma veia pop entusiasmada, outras como Mirage apostam no autocontrole sem perder a força comercial. Em Juju, por exemplo, todo o cardápio de emanações acessíveis logo envereda para o experimento, transformando a essência colorida do disco em algo brando, próximo da Ambient Music. Sobram canções tomadas pela fluidez pueril (como na faixa-título), músicas de puro recolhimento (In a Bubble on a Stream) e até composições que misturam todo esse jogo de fragmentos em um mesmo universo (OMG).

Complementar ao resultado imposto em White Magic, WONDERLAND é um disco que resgata a essência autoral de Berglund, sem necessariamente cair em redundância. Como um olhar atento aos mesmos exageros e acertos do primeiro disco, o sueco parece reinventar a própria obra sem sair da zona de conforto, um exercício já administrado de forma inteligente com o extinto The Tough Alliance, mas interpretado de maneira muito mais assertiva pelo Ceo.

 

Ceo

WONDERLAND (2014, Modular)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: The Tough Alliance, jj e Air France,
Ouça: Whorehouse, OMG e Mirage


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