"Xen"

Ano: 2014
Selo: XL
Gênero: Experimental, Eletrônica
Para quem gosta de: FKA Twigs, Oneohtrix Point Never
Ouça: Family Violence, Thievery
Nota: 8.5

Disco: “Xen”, Arca

As criaturas estranhas que aparecem no encarte e até mesmo vídeos de Xen (2014, Mute) funcionam como uma representação do som assinado por Arca. Instalado em um campo aberto ao experimento, o produtor venezuelano Alejandro Ghersi, grande responsável pelo projeto, parece brincar com as pequenas possibilidades rítmicas, interpretando e ou mesmo encaixando elementos tão íntimos do Hip-Hop e Ambient, quanto peças extraídas de diferentes campos da eletrônica recente.

Naturalmente centrado na ruptura de conceitos, Ghersi assume no primeiro álbum oficial um som que parece flutuar entre o autoral e a específica desconstrução da própria essência. Quem esperava por um trabalho homogêneo ou possível continuação do material explorado no decorrer da mixtape &&&&&, de 2013, talvez se decepcione. Ainda que seja possível amarrar as pontas entre a canção de abertura do álbum e a derradeira Promise, cada peça do registro transporta ouvinte (e criador) para um cenário completamente novo, por vezes isolado.

Diferente do material apresentado há poucos meses, e até mesmo quando observamos faixas produzidas para FKA Twigs e Kanye West, o “debut” de Ghersi é um registro que encanta pelo curioso uso de instrumentos. Arranjos de cordas (sampleados) em Family Violence e Sad Bitch, pianos em Held Apart e até mesmo flautas em Now You Know. De fato, pouco parece ter sobrevivido da soma de manipulações eletrônicas e temas sintéticos apresentados nos vídeos de Jesse Kanda. Mesmo as pequenas “vinhetas” do registro reforçam o uso de inusitadas alterações instrumentais, aproximando Ghersi de um ambiente similar ao de Daniel Lopatin no último disco do Oneohtrix Point Never, R Plus Seven (2013).

Em se tratando do uso de batidas e diferentes ambientações eletrônicos, Xen é uma obra que segue e ao mesmo tempo distorce as pistas lançadas pelo produtor no último ano. Enquanto músicas como Thievery e Slit Thru se aproximam das pistas em um nítido exercício torto, outras como Fish revelam ao público o completo experimento de Arca. São composições rápidas, dois ou três minutos de duração, mas que carregam no próprio interior uma variedade de outras faixas e tendências compactadas.

Ecos do R&B 90’s em Sisters; sintetizadores empoeirados (e frenéticos) ao longo de Bullet Chained; ambientações minimalistas no interior de Failed. Mesmo as canções mais curtas e talvez “inexpressivas” do trabalho ocultam um possível traço de linearidade por parte do artista – instável durante os quase 40 minutos do álbum. Em um exercício proposital, Arca se concentra apenas em testar diferentes possibilidades em estúdio, colecionando arranjos, vozes e batidas arquitetadas de forma instável a cada nova curva do disco.

Anunciado como um dos principais produtores do novo álbum de Björk – previsto para 2015 -, Arca naturalmente assume Xen como uma vitrine autoral. Trata-se de uma exposição versátil do trabalho do artista como compositor e, principalmente, produtor. Cada detalhada composição aos poucos se acomoda dentro de um novo gênero, tendência ou sonoridade específica, apresentando e também antecipando prováveis inventos de Ghersi, hoje residente em Londres. De forma inteligente, um eficaz cartão de visita, mas que em nenhum momento escapa do cenário de imagens disformes e bases tortas há poucos meses apresentado ao ouvinte.

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