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Disco: “Zeitgeist/Propaganda”, Astronauta Pinguim

Astronauta Pinguim
Brazilian/Krautrock/Instrumental
http://www.myspace.com/astronautapinguim

Por: Cleber Facchi

É bem provável que nenhum representante desta ou mesmo de outras épocas da produção musical brasileira seja capaz de traduzir com tanta propriedade a sonoridade exposta pelo Krautrock da década de 1970, ou mesmo os experimentos musicais de princípios dos anos 80, com tanta propriedade quanto o gaúcho Astronauta Pinguim. Perdido em algum vórtice temporal que o mantém confortavelmente enclausurado nessas duas décadas de excêntricas construções musicais, o artista faz de seus discos uma porta para um universo de sons sempre nostálgicos e programações analógicas capazes de reverberar um tipo de música sempre empoeirada e hipnótica.

Discípulo de Brian Eno, amante das trilhas sonoras de filmes Western Spaghetti e um profundo interessado nas tramas instrumentais propostas por grupos como Kraftwerk, Can ou mesmo David Bowie da fase Berlin, Pinguim faz de seu mais recente trabalho um fruto óbvio de anos de audições e experimentos em sua vasta biblioteca musical. Sob o nome emblemático de Zeitgeist/Propaganda (2011, Pineapple Music), o álbum se distancia visivelmente das antigas transições do músico por qualquer forma de som mais ensolarado, reproduzindo assim um trabalho visivelmente mais sério e denso.

Diferente do que fora apresentado em seu trabalho de 2008, Supersexxxysounds, em sua mais recente obra o músico se distancia categoricamente das predisposições aos sons da Surf Music, transformando o álbum em um projeto essencialmente urbano, maquiado por uma aura vintage e que busca a todo custo não se evidenciar como um tratado demasiado climático ou brando. Investindo em batidas que se desvencilhem de um som excessivamente suave, Pinguim traz um novo tipo de possibilidade ao seu trabalho, que faz brotar composições verdadeiramente entusiasmadas, músicas como a pulsante We are not alone ou mesmo Modern Machine, no melhor estilo Kraftwerk.

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Quanto mais tempo passamos dentro do álbum, mais se torna possível absorver cada mínima referência que delimita a música e as inspirações de Pinguim. Das trilhas sonoras de Ennio Morricone em The garden of earthly delights – faixa que acaba pintando na mente do ouvinte o cenário perfeito para um western futurista – aos experimentos musicais alemães em Wir sind nicht allein, tudo ecoa sensações de um passado não tão distante, que através das construções musicais do produtor ganham um toque de frescor, mesmo com o músico fazendo uso dos mesmos velhos equipamentos analógicos de outrora.

Talvez como uma tentativa em se aproximar de um público menos específico e mais variado, em Zeitgeist/Propaganda há uma constante aproximação de Astronauta com os sons produzidos na década de 1980, gerando algumas faixas que acabam pendendo visivelmente para um tipo de som mais despojado e até mesmo dançante. Tanto Harajuku Girl como Ghosts inside your house transparecem bem isso, com o artista se entregando de vez aos sons oitentistas, mantendo a constante divisão entre um tipo de som que esbarre na música pop, como na trilha sonora de algum jogo de videogame clássico.

Mesmo agradável e aparentando um salto musical enorme em relação ao último disco do produtor,  Zeitgeist/Propaganda e sua longa duração acabam pesando na hora em que sentamos para apreciar o álbum. Com mais de uma hora de duração e faixas que ultrapassam os sete ou oito minutos, o disco acaba enfrentando os mesmos problemas de Supersexxxysounds, que poderia facilmente ter grande parte de suas músicas cortadas, gerando assim um trabalho proveitoso, mais centrado e consequentemente melhor desenvolvido.

 

Zeitgeist/Propaganda (2011, Pineapple Music)

 

Nota: 6.5
Para quem gosta de:
Ouça: Modern Machine

 

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