Especial Planeta Terra Festival: Groove Armada

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Com o dia cinco de novembro se aproximando e com ele a chegada da nova edição do Planeta Terra Festival, nada melhor do que começar o aquecimento para aquele que é um dos maiores festivais de música do país. Depois de ter todos os ingressos vendidos em apenas 14 horas (um recorde para o evento), em sua nova edição o festival que será realizado mais uma vez no Paycenter em São Paulo deve seguir a mesma fórmula dos outros anos, oferecendo uma boa programação musical e uma organização impecável. Se você vai ao festival, mas ainda não conhece todas as bandas que irão se apresentar, não fique preocupado, afinal, durante os próximos dias vamos apresentar diariamente uma das atrações que tocarão no evento. Hoje: Groove Armada.

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Enquanto a Inglaterra vivia o apogeu do movimento Big Beat em meados dos anos 90, a dupla de produtores Andy Cato e Tom Findlay resolveu seguir a onda de trabalhos voltados para a música eletrônica e cair de vez nas pistas. Nascia assim, em idos de 1996, um dos mais bem sucedidos projetos do gênero: o Groove Armada. Além de todo o cruzamento de sons que incluíam doses significantes de House, Downtempo e até Trip-Hop, o duo londrino foi buscar sua inspiração na música da década de 1970, dando vida a composições sempre suingadas e dotadas de diferencial. Contando com um catálogo de seis discos de estúdio e uma sequência enorme de hits e composições memoráveis, a dupla é de longe responsável por um dos mais intensos projetos de música eletrônica que já nasceram nas duas últimas décadas, trilhando uma carreira tão sólida quanto a de nomes como Fatboy Slim e The Chemical Brothers.

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Northern Star (1998, Tummy Touch)

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Reflexo das primeiras experiências musicais da dupla, Nothern Star surge como um grande catálogo de já conhecidas canções apresentadas pelo duo em suas apresentações em diversos clubes londrinos. Menos centrado no lado dançante do projeto, o registro desenvolve uma soma de composições moderadas e climáticas, expondo toda a habilidade dos britânicos em promover um tipo de som mais denso e nada superficial. Muito do que revela a força do trabalho se dissolve através de faixas como At The River, que revela uma forte ligação da dupla com os sons exaltados através da cena de Bristol, unindo batidas típicas do trip-hop, uma controlada inserção de trompete, além de todo um clima sofisticado e levemente melancólico. Embora baixa a repercussão do disco, o registro serviu para abrir algumas portas para a dupla, que voltaria logo no ano seguinte com um trabalho melhor desenvolvido.

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Vertigo (1999, Jive Electro)

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Considerado pela crítica e pelo público como um dos melhores trabalhos da dupla inglesa, Vertigo divide suas composições em dois grupos bem distintos. De um lado uma tonalidade essencialmente enérgica e dançante, onde faixas como I See You Baby (o maior hit de todo o disco) revelam toda a força do duo, que dali para frente seria capaz de arrastar multidões para suas apresentações ao vivo. Do outro lado estão canções mais suaves, evocando diretamente as primeiras experiências musicais dos britânicos. Além do já clássico At The River (que acabou voltando por exigência da gravadora), o duo investe intensamente em faixas como Your Song, canção que se conecta diretamente com os sons da década de 1970, desenvolvendo uma linha de baixo calorosa e uma sonoridade puramente sofisticada e convidativa. Além de definir a dupla como um novo fenômeno das pistas, o álbum abriria as portas do mercado publicitário, que incluiria composições dos ingleses em diversas propagandas.

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Goodbye Country (Hello Nightclub) (2001, Zomba)

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Primeiro trabalho da dupla lançado sob grande expectativa, Goodbye Country (Hello Nightclub) não apenas agradou quem esperava por qualquer novidade da dupla, como revelou uma sonoridade ainda mais apurada e incrivelmente acessível. Se nos trabalhos anteriores ainda havia uma forte aproximação com a temática Chillout, com o lançamento do terceiro disco tudo se modificou. Embora traços das antigas experiências dos produtores ainda estejam por todos os cantos do disco (principalmente em seus momentos finais), muito do que dá vida ao trabalho se concentra em doses imoderadas de batidas intensas, refrões fáceis e uma naturalidade musical que praticamente convida o espectador para a dança. Contando com boas vendas e uma sequência de criticas favoráveis, o álbum acabaria definindo por completo os seguintes trabalhos da dupla.

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Lovebox (2002, Jive Electro)

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Aproveitando o sucesso de seu último álbum, o Groove Armada não tardou em esperar para lançar sua quarta obra musical. Sob o nome de Lovebox, o registro foca quase integralmente em uma sonoridade eletrônica pulsante, quebrando qualquer possível traço com suas suaves emanações do passado. Melhor exemplo dessa nova empreitada está em faixas como Easy (um verdadeiro arrasa quarteirões das pistas) e Purple Haze, essa última apostando em uma nova tonalidade do duo: os flertes com o rock. Variado, cada faixa do trabalho parece apostar em uma tendência musical distinta, transformando o disco em um verdadeiro catálogo musical que parece pensado para agradar os mais distintos públicos. Embora o uso de sons em formato explosivo acabe predominando, é através da calmaria de Hands of Time que a dupla alcança seu melhor desempenho.

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Soundboy Rock (2007, Columbia/Sony BMG)

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Lançado após um hiato de mais de cinco anos, Soundboy Rock marca o retorno do Groove Armada para as pistas, matando a saudade do público, que há tempos não tinha acesso a um novo material. Considerado pela dupla como seu melhor registro, o quinto álbum da carreira dos britânicos segue marcado pela intensa aproximação com sons exclusivamente sintéticos, além de um forte apego com os elementos da House Music. Mais extenso trabalho da dupla – dependendo da versão do trabalho ele chega a alcançar 18 faixas -, o disco se movimenta coeso, fugindo das antigas experiências do duo, que focava de forma excessiva no uso de distintas tendências musicais. Entre músicas como Love sweet sound e Get Down (que ganhou enorme destaque por conta de seu cômico clipe), o álbum mostra que mesmo depois de anos sem grandes novidades, a dupla inglesa ainda mantém sua boa forma.

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Black Light (2010, Cooking Vinyl)

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Primeiro trabalho da suposta trilogia das luzes, Black Light se revela como o primeiro projeto conceitual da dupla, que resolve se concentrar nos sons exaltados pela década de 1980 para promover suas composições. Afundados em sintetizadores e exaltando projetos como New Order, Gary Numan, além de boas doses de David Bowie da fase Berlin, o álbum apresenta em seus mais de 50 minutos uma série de boas composições. Além da intensa ligação com os sons oitentistas, o disco revela uma gama enorme de colaborações, vozes como Bryan Ferry, Fenech-Soler, Will Young e Nick Littlemore, que surgem para proporcionar certa dose de dinamismo ao trabalho. Dividindo a imprensa, porém, proporcionando boas canções para seu público, o registro, mesmo irregular, transparece algumas doses da boa e velha forma da dupla britânica.

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