Experimente: Agorero

Por: Cleber Facchi

Agorero

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Provocação transformada em música, música planejada de forma e desestruturar o ouvinte. Esta parece ser a proposta do Agorero, projeto comandado por Jota Cavalcante e que mistura som, imagem e diversas colagens referencias em um mesmo universo instável. Desenvolvido em cima de um composto tribal, torto e provocante, o projeto ultrapassa os limites da World Music, amenizando cada manifestação picotada em uma onda de sons eletrônicos, mas que não se distanciam de uma série específica de elementos humanos. Estão lá vozes, gemidos, gritos e suspiros, princípio para aquilo que músicas como Massissi, Twain Healers e demais faixas do produtor amenizam em um resultado pouco ou nada convencional.

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Como se partilhasse das mesmas experiências do Gang Gang Dance, The Knife ou qualquer outro projeto que se entrega a princípios sonoros de bases similares, excêntricas, Cavalcante praticamente transporta o ouvinte para uma espécie de tribo futurística – sem deixar o conforto dos fones de ouvido. Uma imensa oca urbana que abastece as composições de Dodo e Ṭairō Paṇḍita / Mariri, primeiros trabalhos do artista, mas que mais parecem um aglutinado extenso de referências, todas trituradas e entregues ao ouvinte sem qualquer ordem aparente. Quem espera pelo óbvio talvez deva tapar os ouvidos, afinal, nada do que abastece a proposta do artista é ou pretende ser impulsionada pelo comum. Experimente.

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