Experimente: Os Irmãos Carrilho

Por: Cleber Facchi
Fotos: Marcela Belz

Os Irmãos Carrilho

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Passado e presente se confundem com leveza no trabalho da dupla curitibana Os Irmãos Carrilho. De visual retrô e sonoridade posicionada de forma confessa na década de 1960, Alexandre Provensi e Matheus Godoy passeiam pelas limitações típicas da música de raíz em um senso honesto de resgate, mas ainda assim transposição. São temas comuns de jovens adultos, posicionados no cenário presente, encontrando na tapeçaria tímida de dois violões – e apenas isso – um salto de novidade em relação ao que ocupa com correria o caos diário de qualquer cidade. Reduto (quase) bucólico, o projeto segue as mesmas pistas deixadas pelos conterrâneos do Charme Chulo, há quase uma década, apenas se esquivando dos elementos elétricos em busca de uma composição totalmente artesanal, próxima de um resultado intimista.

Os Irmãos Carrilho

Divididos entre o rock caipira e a boa fase solo de Erasmo Carlos – algo entre Carlos, Erasmo (1971) e Amar pra Viver ou Morrer de Amor (1982) -, a dupla encontra no detalhamento melancólico das líricas um princípio para confortar e ao mesmo tempo se relacionar com o ouvinte. São típicas canções de amor, porém, capazes de esquivar do óbvio em se tratando dos versos, algo que Maldito Fim e Não Sabe Mais justificam sem grandes dificuldades. Detalhado pelas melodias de vozes e o perfume típico do passado, a sensação ao invadir o universo da dupla é a de ver capas empoeiradas de antigos discos de vinil ganhando vida, posicionamento que Provensi e Godoy assumem como genuína identidade. Experimente.

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Os Irmãos Carrilho – Maldito Fim

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Os Irmãos Carrilho – Não Sabe Mais