Juliana Perdigão: “Mulher Limpa” (VÍDEO)


O incerto é parte substancial do trabalho de Juliana Perdigão emFolhuda (2019, Circus). Inaugurado pela poesia sarcástica de Mulher Limpa (“Uma mulher brava / Não é uma mulher boa / E se ela é uma mulher boa / Ela é uma mulher limpa“), composição que se abre para o coro de vozes femininas orquestrado por nomes como Tulipa Ruiz, Ava Rocha e Iara Rennó, o registro de 12 faixas muda de direção a todo instante. Frações de ideias que se convertem em atos grandiosos, sempre turbulentos, ou mesmo blocos instrumentais que se esfarelam de forma a revelar um conjunto de experiências melódicas, sempre sensíveis.

Exemplo disso está na segunda música do álbum, Torresmo, colaboração com Arnaldo Antunes que se revela ao público em pequenas doses. São camadas de guitarras e versos sobrepostos que servem de alicerce para o fechamento caótico da composição, proposta que vem sendo aprimorada pela cantora e compositora mineira desde o disco anterior, Ó (2016). Arranjos e vozes que encolhem e crescem a todo momento, como retalhos conceituais que se amarram dentro de uma mesma faixa, versatilidade que se reflete também na colorida Máquinas Líquidas, música composta a partir de fragmentos da obra de Paulo Leminski (1944 – 1989). Leia o texto completo.

Síntese da essência feminista que move o novo álbum de Juliana Perdigão, o excelente Folhuda (2019), Mulher Limpa foi justamente a canção escolhida para se transformar no mais novo clipe da cantora e compositora mineira. Dirigido por Carol Castanho, Marcelo X e Sara Lana, o vídeo utiliza de imagens coletadas a partir de pesquisa realizada na internet sobre mulheres e publicidade.


Juliana Perdigão – Mulher Limpa


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