Leon Vynehall: “I, Cavallo”


Quem esperava por uma possível continuação da sonoridade tropical detalhada em Rojus (2016), casa de músicas como Blush e Kiburu’s, acabou encontrando em Nothing Is Still (2018) a passagem para o lado mais experimental da obra de Leon Vynehall. Inspirado pela travessia de sete dias que os avós do produtor inglês fizeram Londres para Nova Iorque em um navio, o registro de dez faixas se espalha em meio a ambientações contidas, ruídos e instantes de profundo refinamento estético, cuidado explícito desde o amadurecer criativo em Music for the Uninvited (2014).

Interessante perceber na inédita I, Cavallo, mais recente composição de Vynehall, uma criativa combinação entre esses dois universos criativos. Inaugurada em meio a abstrações atmosféricas e sintetizadores que parecem resgatados de Nothing Is Still, a faixa logo mergulha em uma espiral de temas eletrônicos e batidas deliciosamente destacadas, como uma passagem para as pistas de dança. Instantes em que o produtor britânico parece dialogar com o mesmo universo criativo de Nicolas Jaar, vide a forte similaridade com o repertório apresentado na coletânea Nymphs (2015).


Leon Vynehall – I, Cavallo