Os 50 Melhores Discos Internacionais de 2018 [10-01]


De Ariana Grande à Robyn, de Kali Uchis à Mitski é hora de relembrar alguns dos principais trabalhos lançados nos últimos meses. São registros independentes ou mesmo obras apresentadas por grandes gravadoras que sintetizam parte da produção internacional em diferentes gêneros – pop, indie rock, hip-hop, R&B, jazz, experimental e eletrônica. Nos comentários, conte pra gente: qual é o seu disco favorito de 2018?


#10. Ariana Grande
Sweetener (2018, Republic)

Sweetener é o típico caso de um disco que já nasce clássico. E não poderia ser diferente. Resultado das experiências e traumas que bagunçaram a vida de Ariana Grande desde o último ano – como o fim do relacionamento com o rapper Mac Miller e, principalmente, o atentado terrorista durante a Dangerous Woman Tour, em Manchester, onde mais de 500 pessoas ficaram feridas e 22 delas morreram –, o sucessor do já maduro Dangerous Woman (2016) se projeta como o produto final de uma lenta escalada criativa que teve início ainda em 2013, durante a produção do elogiado debute Yours Truly. Decidida, na contramão de outros representantes da música pop recente, como Demi Lovato, Selena Gomez e Miley Cyrus, sempre inclinadas à explorar uma estética diferente a cada novo álbum de inéditas, Grande encontrou no R&B da década de 1990 e inícios dos anos 2000 a principal fonte criativa para os próprios registros autorais. Composições de essência nostálgica, ancoradas de maneira confessa na rica discografia de Mariah Carrey, Destiny’s Child e Whitney Huston, porém, atuais, dotadas de um raro frescor que vai da produção minuciosa à formação dos versos. Leia o texto completo.

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#9. SOPHIE
Oil of Every Pearl’s Un-Insides (2018, Transgressive / Future Classics)

Da artista misteriosa que surgiu com o lançamento de Bipp e Lemonade, para uma das produtoras mais requisitadas do pop contemporâneo. Em um intervalo de poucos anos, a escocesa Sophie Xion deixou o estúdio caseiro onde vinha colaborando com Charli XCX e demais representantes do coletivo PC Music, para assinar canções em parceria com Madonna (Bitch, I’m Madonna), Vince Staples (Yeah Right) e demais nomes de peso da música. Um preparativo para a explosão de melodias tortas, ruídos eletrônicos e vozes carregadas de efeito que tomam conta do primeiro álbum de estúdio da artista, Oil of Every Pearl’s Un-Insides (2018, Transgressive / Future Classics). Concebido em um intervalo de quase dois anos, entre as brechas de outros projetos assinados por SOPHIE — como a produção do novo álbum da dupla Let’s Eat Grandma —, o registro de nove faixas dá um visível salto criativo em relação ao material entregue na coletânea Product, de 2015. Onde antes brotavam composições aleatórias, sempre guiadas pelo desejo da artista em brincar com a música pop, hoje borbulham criações tão experimentais quanto melódicas e conectadas conceitualmente. Leia o texto completo.

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#8. Low
Double Negative (2018, Sub Pop)

Ouvir qualquer disco do Low está longe de parecer uma experiência aprazível. Pelo contrário, desde o início da carreira, quando o grupo norte-americano revelou ao público o primeiro álbum de estúdio, I Could Live in Hope (1994), versos consumidos pela dor e estruturas inexatas, sempre arrastados, vem sendo trabalhados de forma a estimular o que há de mais doloroso na alma e mente de qualquer ouvinte. Versos guiados pelo isolamento e permanente sentimento de angústia do eu lírico, ponto de partida para a série de registros que viriam a ser produzidos pelo grupo pelas próximas duas décadas. Primeiro trabalho de inéditas da banda em três anos, Double Negative (2018, Sub Pop) não apenas preserva a essência melancólica e o aspecto torto que vem sendo explorado pelo casal Alan Sparhawk (guitarra e voz) e Mimi Parker (bateria e voz) desde o início da carreira, como perverte todo e qualquer direcionamento melódico em prol de um registro marcado pelo aspeto caótico dos elementos. Ruídos, vozes submersas, distorções e falhas que bagunçam na mesma medida em que parecem capazes de hipnotizar o ouvinte. Leia o texto completo.

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#7. Janelle Monáe
Dirty Computer (2018, Wondaland / Bad Boy / Atlantic)

A imagem robótica de Cindi Mayweather, personagem que vem sendo explorada por Janelle Monáe desde o primeiro trabalho de estúdio, o EP Metropolis: Suite I (The Chase) (2007), talvez sirva como um indicativo do rico conceito que abastece a obra da cantora e compositora norte-americana, entretanto, há muito parece sufocar a verdadeira identidade da artista. “O público não conhece Janelle Monáe, e eu senti que realmente não precisava ser ela porque eles estavam bem com Cindi“, explicou em entrevista ao The New York Times. Entretanto, com a morte precoce do mentor e uma de suas principais referências criativas, o músico Prince (1958 – 2016), com quem vinha trabalhando em estúdio, Monáe se viu forçada a repensar diversos aspectos a própria carreira. “Eu não podia fingir ser vulnerável. Eu sabia que precisava fazer esse álbum, e adiei porque o assunto é Janelle Monáe“, respondeu. O resultado desse confesso desejo de mudança se reflete na honestidade dos versos em Dirty Computer (2018, Wondaland / Bad Boy / Atlantic), terceiro álbum de estúdio e o primeiro registro autoral desde que passou a se dedicar ao cinema – vide a presença em filmes como Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016) e Estrelas Além do Tempo (2016). Leia o texto completo.

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#6. Yves Tumor
Safe in the Hands of Love (2018, Warp)

Em estúdio, Yves Tumor nunca pareceu seguir uma estrutura muito convencional. Prova disso está em toda a sequência de obras que vem sendo produzidas pelo cantor, compositor e multi-instrumentista nos últimos anos. Trabalhos de essência experimental, como When Man Fails (2016), Serpent Music (2016) e Experiencing the Deposit of Faith (2017), em que o artista norte-americano utiliza de elementos do R&B, pop e música eletrônica para revelar ao público um material guiado pelo aspecto torto dos arranjos, melodias e vozes. Mesmo simples colaborações, como o remix produzido para The Altar, de Alice Glass, parecem pensadas para jogar com a experiência do ouvinte, mudando de direção a todo instante. Lançado de surpresa, Safe in the Hands of Love (2018, Warp) talvez seja o registro em que todas essas ideias são melhor organizadas e exploradas por Tumor dentro de estúdio. Pensado em unidade, cada composição do disco representa uma fração da obra, direcionamento que convida o ouvinte a se perder em um cenário tão turbulento (Let the Lioness in You Flow Freely), quanto acolhedor e sensível (Economy of Freedom). Ideias que reforçam o interesse do artista em explorar todas as brechas do próprio trabalho. Leia o texto completo.

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#5. Beach House
 7 (2018, Sub Pop / Bella Union)

Não seria uma surpresa se depois de uma década de carreira, Victoria Legrand e Alex Scally sufocassem pelo peso da própria obra. Mesmo entregue ao permanente reinvento da identidade artística — vide a boa sequência montada com  Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars —, desde o ápice, em Teen Dream (2010) e Bloom (2012), a dupla original de Baltimore, Maryland, parece dar voltas em torno de um mesmo ambiente criativo. Não por acaso, no último ano foi apresentada a coletânea B-Sides and Rarities (2017), uma limpeza de repertório, como uma despedida de tudo aquilo que vem sendo produzindo pelo duo desde o primeiro registro em estúdio. Soprada a poeira dos antigos projetos, Legrand e Scally entraram em estúdio para a gravação do sétimo álbum de inéditas do Beach House, 7 (2018, Sub Pop / Bella Union). “Queríamos repensar métodos antigos e abandonar algumas limitações auto-impostas. No passado, limitávamos nossa escrita a partes que pudéssemos realizar ao vivo. Em 7, decidimos seguir o que veio naturalmente“, explica o texto de apresentação da obra, indicando o esforço e completo desejo da dupla em se reinventar dentro de estúdio. Leia o texto completo.

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#4. Kali Uchis
Isolation (2018, Rinse Records / Virgin EMI)

Kali Uchis poderia facilmente ser uma dessas artistas que passam grande parte da carreira se revezando em diferentes projetos até, inevitavelmente, cair no esquecimento. De Get You, bem-sucedida parceria com Daniel Caesar, ao frequente diálogo com o rapper Tyler The Creator, com quem colaborou na delicada See You Again, a cantora e compositora colombiana passou os últimos cinco anos se revezando em uma sequência de músicas dentro do trabalho de outros artistas. Fragmentos que agora se revelam como parte de um delicado exercício de aprimoramento para o material entregue no primeiro álbum solo da cantora, Isolation (2018, Rinse Records / Virgin EMI). Guiado pelo profundo desejo de mudança, o registro de 15 faixas não apenas amplia parte do repertório destacado durante o lançamento do EP Por Vida, de 2015, como consolida a estrutura versátil que tanto caracteriza o som proposto por Uchis. Em um intervalo de 46 minutos, tempo de duração da obra, a artista original de Pereira, na Colômbia, parece testar todas as possibilidades dentro de estúdio, costurando diferentes fórmulas instrumentais, ritmos e vozes com leveza e naturalidade. Leia o texto completo.

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#3. Kacey Musgraves
Golden Hour (2018, MCA Nashville)

Em um intervalo de poucos anos, Kacey Musgraves foi da jovem apaixonada que sussurrava confissões românticas nas canções de Same Trailer Different Park (2013), primeiro álbum de estúdio, para a rainha do baile conceitualmente detalhada no maduro Pageant Material (2015), segundo trabalho de inéditas da cantora. Um misto de passado e presente, fuga do óbvio e permanente busca por uma nova identidade artística, como se a artista de origem texana fosse do folk-rock explorado em meados da década de 1960/1970 ao country pop produzido no começo dos anos 2000. Terceiro e mais recente álbum de inéditas de Musgraves, Golden Hour (2018, MCA Nashville) – sequência ao material entregue na coletânea natalina A Very Kacey Christmas (2016) –, talvez seja o trabalho em que todo esse conjunto de referências e preferências poéticas/instrumentais se conectam e crescem com maior naturalidade. Um lento desvendar de ideias e tendências que não apenas preserva a essência romântica detalhado nos dois primeiros discos da cantora, como convida o ouvinte a se perder em um mundo de novas possibilidades. Leia o texto completo.

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#2. Robyn
Honey (2018, Konichiwa / Interscope)

Estranho pensar que Honey seja apenas o primeiro registro em estúdio de Robyn desde o elogiado Body Talk (2010). De fato, em um intervalo de oito anos, poucas artistas se mostraram tão prolíficos e versáteis quanto a cantora e compositora sueca. Do encontro com a dupla norueguesa Röyksopp, em Do It Again (2014), passando pela atmosfera nostálgica de Love Is Free(2015), colaboração com La Bagatelle Magique, ao surgimento de músicas isoladas, caso de Hang Me Out to Dry, parceria com Metronomy, e Out of the Black, ao lado da conterrânea Neneh Cherry, sobram instantes em que a veterana do pop europeu parece brincar com a própria identidade dentro de estúdio. Produto direto dessas experiências e improváveis encontros musicais, Honey sintetiza tudo aquilo que vem sendo explorado por Robyn nos últimos anos, porém, partindo de uma nova estrutura. Longe da euforia anunciada em Dancing on My Own, Call Your Girlfriend e todo o repertório montado para o álbum anterior, cada elemento do presente disco se projeta de forma contida e deliciosamente econômica. Um propositado recolhimento estético que acaba servindo de estímulo para o que há de mais precioso nas obra da cantora sueca: os sentimentos. Leia o texto completo.

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#1. Mitski
Be the Cowboy (2018, Dead Oceans)

Imersa em conflitos existencialistas, relacionamentos fracassados e desilusões amorosas, Mitski Miyawaki acabou encontrando nos próprios versos um precioso refúgio criativo e sentimental. Canções sempre intimistas, transitando entre a fúria e o parcial recolhimento do eu lírico, conceito que vem sendo aprimorado pela cantora e compositora desde o primeiro álbum de estúdio, o pouco conhecido Lush (2012), mas que acabou ganhando novo significado durante o lançamento de Puberty 2 (2016), obra que se conecta ao recém-lançado Be the Cowboy (2018, Dead Oceans). Quinto registro de inéditas na carreira da artista japonesa que cresceu em Nova York, Be the Cowboy, como o próprio título indica, é uma obra guiada em essência pela solidão dos versos. “Para este novo registro eu experimentei em termos de narrativa e ficção. A imagem de alguém solitário em um palco, cantando sozinho com um único holofote apontado uma sala escura”, disse em entrevista à Out. De fato, grande parte do trabalho gira em torno de um mesmo personagem sorumbático que buscam se reerguer depois de uma nítida experiência melancólica. Um misto de dor, aceitação e busca declarada por renovação. Leia o texto completo.

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