Lollapalooza Brasil: 10 shows que você precisa ver (e um para fugir)

Por: Cleber Facchi

Lollapalooza Brasil 2014

Ainda que entregue mais de 50 atrações entre os dois dias do evento, a terceira edição Lollapalooza Brasil deve fazer o público correr menos para aproveitar mais cada instante do festival. Com apresentações dispostas em horários bem planejados, além de um time de artistas escolhidos para agradar aos mais variados públicos – como Vampire Weekend (Indie), Ellie Goulding (pop) e Disclosure (eletrônica) -, quem for até o evento deve encontrar um cenário cujo foco é (realmente) a música.

Mas no meio de tantas atrações disputadas e headliners como Arcade Fire, New Order, Muse e Soundgarden, qual banda assistir? Levando em conta as recentes apresentações de cada artista, últimos registros em estúdio e, claro, o histórico ao vivo de cada um deles, montei uma seleção de 10 shows que você precisa ver no Lollapalooza 2014. Bandas veteranas e novatas, artistas nacionais e estrangeiros, além, claro, de um show que você precisa evitar a qualquer custo.

Arcade Fire

Responsáveis por uma das turnês mais disputadas dos últimos meses, a banda canadense é a responsável pelo fechamento do 2º dia do Lollapalooza Brasil. Quase uma década depois da primeira apresentação do grupo no país, em 2005, o coletivo comandado por Win Butler deixa de lado os sons orquestrais do elogiado Funeral (2004) para mergulhar nas experiências da década de 1980, tema do útlimo álbum do grupo, Reflektor (2013).

Com uma performance extensa, o coletivo reserva tanto músicas clássicas dos primeiros álbuns – como Rebellion (Lies), Ready to Start e Haiti -, até faixas que acompanham o último registro em estúdio – vide Here Comes The Night Time e Afterlife. Luzes, máscaras gigantes e uma euforia (quase religiosa) deve orquestrar cada segundo da performance.

Nine Inch Nails

“Caótica” é uma palavra que sempre representou com acerto as performances do Nine Inch Nails ao redor do globo. Desde o retorno da banda, em 2013, cada apresentação do coletivo orquestrado por Trent Reznor divide o repertório entre a aceleração pulsante das pistas, típica do novo álbum, e a crueza explícita do versos, marca conquistada desde os primeiros lançamentos.

Ainda que tenha perdido um pouco do exagero cênico e até mesmo o toque agressivo que guiava as primeiras apresentações do grupo, ainda na década de 1990, a turnê Tension vem reforçando com acerto a atual fase e consequente maturidade do NIN.

Phoenix

Você pode não conhecer nenhuma composição do Phoenix, mas uma coisa é certa: a banda francesa consegue hipnotizar o público sem grandes dificuldades. Responsáveis por uma das melhores apresentações do Planeta Terra Festival 2010, o grupo de Versalhes deve arrastar o público para a dança, resultado da euforia instalada nos últimos projetos do grupo – Wolfgang Amadeus Phoenix (2009) e BANKRUPT! (2013).

Com músicas como Lisztomania, Trying To Be Cool e 1901, o quarteto vai além dos limites do palco, afinal, é comum o vocalista da banda, Thomas Mars, “nadar” pela plateia durante as apresentações. Como a banda ocupa (quase) o mesmo horário que a cantora neozelandesa Lorde, o público vai ter que se decidir quem merece ser apreciado na íntegra. Eu fico com Phoenix.

Vampire Weekend

Se existe uma coisa que os nova-iorquinos do Vampire Weekend souberam como aprimorar ao longo dos anos são as apresentações ao vivo. Em ascendente crescimento desde a chegada do disco Contra, em 2010, a banda formada por Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Tomson e Chris Baio chega ao Brasil pela segunda vez para entregar o repertório do ótimo Modern Vampires of The City – o melhor disco de 2013.

Além de composições recentes, como Diana Young, Hanna Hunt e Ya Hey, faixas “clássicas”, caso de A-Punk e Cousins, devem aproximar o público do lado mais dançante da banda. Esquizofrênico, o show cresce e acalma durante todo o tempo, efeito típico das performances do grupo.

Pixies

O Pixies (há tempos) não se comporta como a grande banda que foi no começo dos anos 1990. Desfalcados da baixista Kim Deal e donos de uma sequência de EPs que beiram o insuportável, os veteranos do rock alternativo felizmente conseguem se transformar ao vivo.

Ainda que boa parte desse resultado venha do catálogo de hits assinados pela banda em começo de carreira – como Debaser, Here Comes Your Man e Where Is My Mind? -, a firmeza exposta nos palcos serve para ocultar qualquer defeito. Na dúvida, aproveite as faixas do disco novo – o ainda inédito Indie Cindy (2014) – para comprar cerveja ou se reservar para os momentos (realmente) mais entusiasmados do show.

Disclosure

A dupla britânica Disclosure tem tudo para fazer uma das grandes apresentações do palco eletrônico do Lollapalooza Brasil. Por dividir horário com o headliner Muse – os dois shows têm inicio às 21:30h de sábado -, os irmãos Guy e Howard Lawrence vão contar com um palco menos afogado, seguindo o exemplo do que foi a passagem do Major Lazer no ano anterior – que dividiu horários com Pearl Jam, Planet Hemp e Hot Chip.

Para a performance, além dos tradicionais laptops e MPCs, típicos de apresentações da dupla, espere pela inclusão de bateria, guitarras e uma série de aparatos “orgânicos”. O repertório da dupla é fruto do bem sucedido álbum Settle, casa de músicas como When a Fire Starts to Burn, Latch e You & Me.

Lorde

Possivelmente um dos shows mais disputados do primeiro dia do festival, a apresentação de Lorde deve provar (ou não) a capacidade da artista perante o efusivo público brasileiro. Assim como Lana Del Rey na última edição do Planeta Terra Festival, em 2013, é provável que o show da jovem neozelandesa seja abafado pelos gritos histéricos dos fãs, vozes em coro e a concorrida aglomeração na frente do palco, no caso, o palco Interlagos.

Com a voz sempre limpa, a artista está pronta para distribuir todo o repertório do debut Pure Heroine (2013), além, claro, de possíveis versões para Kanye West e The Replacements.

Savages

Busca por uma apresentação intensa? Então corra para ver o Savages. Formado em 2011 e responsável por um dos melhores discos de 2013, o sombrio Silence Yourself, o quarteto britânico formado apenas por mulheres trouxe uma nova interpretação ao já desgastado Pós-Punk. Ainda que o esforço da performance seja coletivo, é da vocalista Jehnny Beth a responsabilidade pela euforia que abastece o show.

Com letras marcados por versos feministas e amargas interpretações sentimentais, as britânicas devem apresentar o elogiado debut na íntegra, indo de faixas mais comerciais, caso de She Will, ao esforço de criações soturnas como Husbands. Em uma palavra: essencial.

Apanhador Só

Criadores de ruído, desordem e, ainda assim, donos de canções marcadas por boas melodias. Com o repertório sustentado por um dos grandes lançamentos de 2013, Antes que tu conte outra, a banda gaúcha Apanhador Só é uma das atrações nacionais que merecem (toda) a atenção do público que vai ao Lollapalooza.

Mesmo com um horário ingrato – a apresentação do quarteto começa 12h15 no domingo -, chegar mais cedo é a garantia de esbarrar em composições cruas como Despirocar e Mordido. Pequenos filtros instrumentais antes do grupo apresentar o lado mais “pop” do projeto, sustentado pelas ótimas Não se precipite, Rota e todo o cardápio de faixas lançadas no do álbum de estreia, de 2010.

Silva

Com o recém-lançado Vista Pro Mar (2014) em mãos, o músico capixaba Silva reserva para o público Lollapalooza uma performance marcada pela novidade. Mais do que entregar todo o conjunto inédito de faixas que abastecem o presente disco – entre elas É Preciso Dizer, Janeiro e Universo -, o músico surge pela primeira vez acompanhado de uma banda “de verdade”.

Enquanto a turnê do álbum Claridão foi dividida apenas entre o cantor e o baterista Hugo Coutinho, para o novo repertório, Silva conta com o apoio de Rodolfo Simor (guitarra e sintetizadores) e Giuliano de Landa (baixo e MPC). Além do conjunto de novas canções, faixas do álbum anterior, como 2012, Imergir e A Visita devem acompanhar a passagem do músico pelo primeiro dia do festival.

FUJA: Julian Casablancas

Julian Casablancas tem feito muito misterio em relação ao sucessor do debut Phrazes for the Young (2009). O motivo? Composições (muito) ruins e uma explícita falta de comunicação com a nova banda, o The Voidz.

Dono de uma das apresentações mais criticadas do último SXSW, o artista nova-ioquino deve reforçar sua passagem com uma atuação previsível, resgatando faixas do primeiro disco solo – sim, vai rolar 11th Dimension -, alguma adaptação do The Strokes – Reptilia, provavelmente – e a excêntrica interpretação de Instant Crush, parceria dele com a dupla robótica Daft Punk. Caso decida se arriscar, espere por uma multidão de fãs chorando e sintetizadores estridentes, muitos sintetizadores.

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