Miojo Indie Mixtape Birthday Edition III

Miojo Indie Mixtape

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Três anos e muita música. Para celebrar mais um ano de vida no Miojo Indie – o aniversário mesmo é só no dia 23 de Novembro -, nada melhor do que uma Mixtape especial de Aniversário. Diferente das edições anteriores, em que as melhores faixas dos últimos 12 meses eram selecionadas e condensadas em um só especial, resolvi seguir uma estratégia diferente. Para a Birthday Edition III, selecionamos 20 faixas/artistas de 2013 que o público do blog adora e busca freneticamente pela página. Duas dezenas de faixas que gostaríamos que tocassem na nossa festa de aniversário. Tem Hip-Hop, Chillwave, Rock, Experimental, Samba e Eletrônica. E o melhor de tudo isso: apenas músicas cantadas em português. Para baixar/ouvir a mixtape completa, basta dar um pulo que você encontra todos os links logo abaixo, além, claro, de informações sobre todos os artistas selecionados.

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#01. Castello Branco – Necessidade

Castello branco

“De atmosfera hippie, tanto na concepção dos temas que embalam as letras, como no contorno bucólico das melodias, o debut corta com leveza a relação que Branco levava com a extinta R. Sigma. Se até bem pouco tempo era o fluxo cinza das guitarras que orientavam o trabalho do cantor e demais parceiros de banda, hoje pouco parece ter sobrevivido da mesma essência. O caos deu vida ao silêncio e a cor a empoeirada da metrópole levou o músico para o campo, o que decide de forma natural o teor matutino/bucólico dos versos, arranjos e sentimentos que tingem com tranquilidade a construção da obra. Serviço é, de forma natural, uma obra de isolamento, mas que se abre e recebe com atenção os visitantes”. [Resenha]

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#02. Fábrica – Mais um

Fábrica

Menos de um ano depois de lançar o primeiro disco de estúdio, a banda carioca Fábrica já está de volta com novo material. Trata-se de Grão, segundo álbum do projeto encabeçado por Emygdio Costa, um dos integrantes do Sobre A Máquina, mas que, distante do sombrio projeto em que é baixista/guitarrista, busca por ambientações melódicas, próximas do Los Hermanos da fase Ventura (2003) ou quem sabe do conterrâneo Cícero, no primeiro disco, claro. Entretanto, longe do conforto tímido do álbum de estreia, com o novo single, Mais Um, Emygdio e os colaboradores deixam claro o quanto os rumos do coletivo agora são outros. Carregada de ruídos, a canção ameniza o pop redundante do último disco em prol de um resultado que encanta e provoca na mesma medida. Vozes que se opõem às distorções, versos harmônicos que brigam com os ruídos, cada instante da recente composição cheira a mudança, como se da essência fixada em Melhor que Eu e demais faixas do debut pouco tivesse sobrevivido – ainda bem.

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#03. Boogarins – Lucifernandes

Boogarins

“Manipulado do princípio ao fim pelo enquadramento áspero das guitarras, a estreia da banda – comandada por Fernando Almeida e Benke Ferraz – está longe de esbarrar em qualquer aura hippie-nostálgica ou de composição minimamente preguiçosa. Dinâmico e manipulado do princípio ao fim em um intencional tom de urgência, o álbum substitui o bucolismo ocasional, ou mesmo as extensas viagens lisérgicas por uma composição urbana dos temas. Claro que a banda ainda passeia abertamente pelo uso de efeitos, distorções e vozes instrumentais, mas nada que se deixe consumir pelo excesso, como se mesmo a viagem proposta pelo grupo fosse programada”. [Resenha]

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#04. Cérebro Eletrônico – Não Bateu Nosso Santo

Cérebro Eletrônico

Seus pais, provavelmente, devem ter alertado para não andar com estranhos, sempre dizer não às drogas e manter o controle – físico e emocional – em todas as situações possíveis, correto? Ainda bem que os membros da banda Cérebro Eletrônico resolveram ignorar sumariamente essas indicações. De volta ao cenário lisérgico e cada vez mais excêntrico que acompanha a produção do grupo, o quinteto paulistano estreita os laços com a cidade cinza e os exageros instrumentais para embarcar em mais um passeio urbano-musical, agora, marcado de forma expressiva pela experimentação. Fuga da realidade, abusos e confissões são algumas das marcas de Vamos Pro Quarto (2013, Independente), quarto álbum de estúdio da banda e, possivelmente, uma ruptura em se tratando da estética regressa do grupo. [Resenha]

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#05. Baleia – Motim

Baleia

O tempo apenas trouxe benefícios ao trabalho do coletivo carioca Baleia. Se até poucos meses os contornos jazzísticos e a brincadeira em “amadurecer” o pop servia como base ao cenário instrumental do grupo, ao passear pelo campo que se abre em Quebra Azul (2013, Independente), primeiro registro em estúdio, a banda prova que pode ir ainda mais longe. Estranho e acessível em uma divisão exata, o álbum esforça um resultado que segue na contramão do que outros coletivos nacionais insistem em apostar, trazendo na real quebra – de vozes e sons – o apoio para uma obra que mesmo passadas diversas audições, ainda esconde um catálogo imenso de surpresas. [Resenha]

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#06. Apanhador Só – Não se precipite

Apanhador Só

“Partindo de um financiamento coletivo, ao entregar os custos do segundo registro para os próprios ouvintes, a gaúcha Apanhador Só não apenas antecipava o que seria uma continuação exata do primeiro álbum, como parecia mergulhar no velho (e desgastado) reaproveitamento de fórmulas da música nacional. A expectativa era de que a banda surgisse confortavelmente instalada nas repetição de ideias testadas em Prédio, Bem-Me-Leve e todo o cardápio agridoce do debut. Um toque de Los Hermanos, uma pitada de samba, alguns acréscimos da poesia gaúcha e pronto: estava lançado o registro. Entretanto, nada poderia ser mais satisfatório do que saber que em Antes Que Tu Conte Outra (2013, Independente), segundo trabalho de estúdio da banda, pouco ou quase nada do primeiro álbum parece ter sobrevivido”. [Resenha]

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#07. Rashid – Virando a Mesa (Part. Daniel Cohen)

Rashid

O efeito melancólico e o teor sombrio dos versos instalados em Que Assim Seja (2012), por vezes aproximavam Rashid de um cenário triste de desfecho. Morte, fé e despedida são alguns dos temas encontrados em grande parte da segunda mixtape do paulistano, obra que mesmo amortecida em uma névoa cinza de palavras – bem representada em canções como Drama e Se O Mundo Acabar -, manteve a produção do rapper em alta, apenas, sorumbática. Como se o próprio se reerguesse do lodo amargo dos versos impostos no último ano, Confundindo Sábios (2013, Independente), terceira e mais recente obra do artista, substitui o sentido de depressão e abandono pela esperança, como se as trevas quase generalizadas de outrora, abrissem as cortinas para a luz. [Resenha]

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#08. Karol Conká – Gueto Ao Luxo

Karol Conká

“Há poucas coisas tão desafiadoras quanto criar uma canção completamente nova em cima de bases pré-gravadas. Para muitos ouvintes, fica a impressão de que o uso de samples se manifesta como um plágio anunciado e em nada proporciona novidade. Uma afirmação injusta. Já conhecida pela musicalidade diversificada de suas canções, a rapper Karol Conká faz da estreia com Batuk Freak (2013, Vice) uma representação particular de toda essa variedade de sons – sejam eles inéditos ou já conhecidos. Do afrobeat tribal de Corre, Corre Erê ao cover do samba de raiz Caxambu (de Almir Guinetto), a curitibana não hesita em se apropriar de todas as referências musicais a que tem direito, concentrando tudo em uma imensa massa sonora que tende à novidade”. [Resenha]

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#09. A Banda Mais Bonita Da Cidade – A Balada Da Contramão

A banda

“Beleza é uma palavra que flui com naturalidade em O Mais Feliz da Vida (2013, Independente). Segundo registro em estúdio d’A Banda Mais Bonita da Cidade, o trabalho se esquiva com firmeza da confusão de temas deixados para trás no álbum de estreia, ambientando o coletivo curitibano em uma obra que não apenas busca ser grande, como assume com acerto essa função. Equilibrando todos os efeitos e tramas para sustentar o proposto enquadramento sem descrédito, o grupo segue agora sem orações, exageros e longe de canções tortas de amor para apostar na intimidade entre os temas. Uma sequência bem aproveitada de traços líricos e instrumentais que em pouco tempo substituem a beleza inicial para exaltar evolução”. [Resenha]

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#10. Nevilton – Satisfação

Nevilton

“Nevilton é um respiro. Contraponto festivo dentro do jogo de experiências cada vez mais herméticas, eletrônicas e tomada por exageros clichês que marcam parte da música nacional, principalmente o rock, o músico paranaense e os parceiros de banda provam que é possível brincar com o pop sem desvios ou conceitos tendenciosos. Orientado em essência por versos radiofônicos, bem humorados e carregados por guitarras de formatação simples, o trio de Umuarama, Paraná assume com o lançamento do segundo registro em estúdio a prova de que bastam apenas músicas criativas (e certa dose de intensidade) para que exista o acerto. Entre canções de amor e passeios pelo cotidiano, chega a hora e a vez de Sacode”. [Resenha]

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#11. Silva – Amor Pra Depois

Silva

A sonoridade imposta em Claridão (2012), registro estrei de SILVA, cresce para além dos limites da própria obra. Em Amor Pra Depois, mais novo single do músico capixaba, as harmonias suavizadas de teclados e encaixes eletrônicos servem como reforço natural para a voz acolhedora do músico. Já conhecida do público que acompanha as apresentações de Silva, a faixa encontra na tonalidade pueril dos sons um princípio para uma seleção de versos apaixonados. Com ares de música tema da novela das sete, a canção se ausenta das possíveis experimentações deixadas em aberto no último álbum para seguir uma veia pop, cada vez mais próxima da obra de Guilherme Arantes.

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#12. Marcelo Jeneci – O Melhor Da Vida

Marcelo Jeneci

“Se pudesse definir De Graça (2013, Slap), segundo álbum solo de Marcelo Jeneci, em uma só frase, provavelmente seria algo como: “Um disco para toda a família”. E de fato é exatamente isso que o cantor e compositor paulistano ressalta com o sucessor de Feito Pra Acabar (2010). Da coleção presente de típicas canções de novela, representadas por Temporal e Alento, aos versos que esbarram na temática pueril, com Só Eu Sou Eu, até as canções perfumadas pela saudade, Um de Nós, cada faixa instalada no registro emana referências que parecem atender aos mais diversos públicos. Crianças e adultos, solteiros e casais, na sessão livre de Jeneci há espaço para todos – sem restrições”. [Resenha]

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#13. Wado – Rosa

Wado

“A busca por trabalhos desenvolvidos em cima de temáticas e conceitos bem definidos sempre foi a base ou pelo menos um princípio para os registros de Wado. Catarinense situado no Alagoas, o artista trouxe no manuseio das transformações específicas – líricas ou instrumentais – a base para cada um de seus projetos, um catálogo que já acumula seis exemplares de pleno invento para a música nacional. Seja a herança negra em Atlântico Negro (2009), os ritmos periféricos que deram vida ao dançante Terceiro Mundo Festivo (2008), ou mesmo os acertos eletrônicos que alimentaram a modernização de Samba 808 (2011), cada álbum assinado pelo músico dança livremente por estilos em apego temporário. Estranho que ao alcançar Vazio Tropical (2013, Oi Música), o músico pareça inclinado a se distanciar do mesmo propósito”. [Resenha]

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#14. Nana – Aniversário

Nana

Uma overdose de sentimentos, confissões e sonhos açucarados temperam o universo colorido de Nana em Pequenas Margaridas (2013, Independente). Brincando com o pop sem necessariamente fazer disso uma morada para sons plásticos ou possivelmente descartáveis, a cantora e compositora baiana assume com o primeiro registro em estúdio um misto constante de conforto e declaração. Como se deixasse à mostra uma brecha desse cenário marcado pela delicadeza, a artista faz de cada música um passo seguro, cobrindo com vozes e sons adocicados a construção de uma obra marcada de forma visível pelo detalhe. [Resenha]

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#15. Bonifrate – Eu não vejo Teenage Fanclub nos teus olhos

Bonifrate

Outrora habitante de uma floresta de experiências instrumentais mágicas, Pedro Bonifrate fez das próprias referências ao longo dos anos uma lenta transposição conceitual. O que antes era cercado por árvores, animais fantásticos e até mesmo duendes – em uma clara extensão ao cenário proposto para o Supercordas -, hoje parece se aproximar com nítido cuidado de qualquer centro urbano. O bucolismo místico virou concreto, o personagem verde-musgo do compositor resolveu caminhar por entre prédios e cada faixa que sustenta o recém-lançado Museu de Arte Moderna (2013, Independente) funciona como uma desconstrução do universo pastoril imposto previamente pelo músico. [Resenha]

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#16. Hó Mon Tchain – Amizade

Hó Mon Tchain

“Hó Mon… Quê? Que porra é essa?”, como o próprio grupo questiona e responde nos instantes iniciais do álbum, “O nome é fácil, difícil é a interpretação”. Quase um mantra como os membros aproveitam nos instantes finais de Quem Somos Nós, o título nada mais é do que uma piada interna do coletivo, resultado da interpretação errada de um dos integrantes em relação ao termo em inglês One More Time. Entretanto, se o bom humor é a chave para a convivência do sexteto – formado por Amiltex, Diham, Falcon Mc, Mud, JG.Mano e Plano B -, em se tratando das rimas que habitam o trabalho, a seriedade parece ser ainda maior. [Resenha]

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#17. Emicida – Hoje Cedo (Part. Pitty)

Emicida

O teor melancólico dos versos parece conduzir os rumos de Emicida no ainda inédito “primeiro” registro em estúdio. Assim como em Crisântemo, single anterior do rapper, a recente Hoje Cedo encontra na saudade e na dor exposta um esforço de movimento natural para as rimas. Adornada pelos vocais específicos e bem posicionados de Pitty, menções à Amy Winehouse e Racionais MC’s, a canção ocupa um posto melódico em relação ao lançamento passado, definindo a mobilidade comercial que deve orientar o futuro registro. Cuidadosa, a composição masterizada por Tony Dawsey no estúdio Masterdisk, em Nova York, indica o acabamento primoroso que deve construir o álbum, trabalho anunciado para os próximos meses e uma extensão natural do que foi encontrado em Doozicabraba e a Revolução Silenciosa (2011).

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#18. Bixiga70 – Kriptonita

Bixiga 70

“Só quem já frequentou as acalentadas noites do Baile do Bixiga, ou mesmo outras apresentações ao vivo, entende a grandeza que ocupa a obra do coletivo Bixiga 70. Formada em 2011 como uma banda de estúdio para o álbum Taxi Imã, de Pipo Pegoraro, a Big Band paulistana não demorou a escapar do ambiente enclausurado a que estava submetida para apresentar material próprio, dominar os palcos e se transformar em um dos projetos nacionais mais criativos em tempos. Com a chegada do segundo álbum de estúdio, o grupo não apenas potencializa tudo o que conquistou na quente estreia, como parece transportar para o estúdio (e além dele) a mesma grandiosidade das apresentações ao vivo”. [Resenha]

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#19. Mahmundi – Arpoador

Mahmundi

Poucas coisas são tão satisfatórias quanto perceber a nítida evolução de um artista em um curto período de tempo. E tem sido assim com Marcela Vale ao longo dos meses, afinal, enquanto Calor do Amor (2012), EP que apresentou o trabalho da musicista carioca com o Mahmundi, era apenas um brinde tímido ao pop, essencialmente pegajoso e plástico, desde a chegada do single Vem, os rumos da cantora passaram a ser outros. Agora sóbria, melancólica e capaz de (mais uma vez) brincar com a década de 1980 em um sentido de novidade, Vale reforça a própria capacidade não apenas no manuseio nostálgico dos sons, mas das palavras, que em Arpoador dançam em uma medida compacta, mas nem por isso menos impressionante.

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#20. Dorgas – Viratouro

Dorgas

Com o primeiro registro em estúdio previsto para estrear nesta quarta-feira (15 de Maio), os cariocas do Dorgas fazem de Viratouro mais um aquecimento antes da chegada do aguardado álbum. Partindo de uma sonoridade que caminha pela Chillwave sem se distanciar de instantes leves de psicodelia e experimentação, a faixa de encerramento do álbum parece se manifestar como a composição mais acessível do grupo desde as experiências pós-Loxhanxha. Se aproximando de forma bastante clara da música nacional construída na década de 1980, a faixa se movimenta como um encontro entre Guilherme Arantes e Toro Y Moi, manifestando na letra melancólica um fechamento sombrio para o que deve decidir os rumos do disco.

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