Miojo Indie Mixtape “Ethereal Pop” Edition

Miojo Indie Mixtape

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Experimentos eletrônicos, R&B, Pop Lo-Fi e uma seleção cuidadosa de faixas que vão do comercial ao excêntrico em um instante. Assim é a Miojo Indie Mixtape Ethereal Pop, condensado com três de nossas melhores mixtapes do último ano – Ethereal, R&B e Small Pop. Separamos 13 faixas de destaque lançadas de Janeiro até agora e que se adequam à temática do trabalho. Na primeira metade, composições mais dançantes e mergulhadas na eletrônica, caso de Recover do CHVRCHES e Grammy do Purity Ring. Para a segunda metade do trabalho, um reforço ambiental que, inclusive, conta com a presença dos brasileiros Sants e Secchin. Ouça, dance, flutue e relaxe.

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#01. Dorgas – Hortência

Dorgas

Desde o lançamento de Loxhanxha em fevereiro de 2011 que a carioca Dorgas tem assumido uma postura cada vez mais experimental e consequentemente inventiva dentro da música brasileira. Passeando pelo Jazz, Art Rock e tantas outras vertentes que pervertem o óbvio, o grupo faz da recém-lançada Hortência o ponto máximo de uma longa transformação que deve resultar no ainda inédito primeiro disco da banda. Com a chegada do recente single temos novamente uma corrupções da própria obra do quarteto. O que antes era ambiental e abstrato, agora se envolve com as mesmas camadas etéreas e matinais que tanto caracterizam a Chillwave ou mesmo os recentes inventos de Ariel Pink.

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#02. Selebrities – Everywhere (Fleetwood Mac Cover)

Selebrities

Originalmente lançada em 1987 como parte do disco Tango in the Night da banda Fleetwood Mac, a apaixonante Everywhere passou por um acabamento cuidadoso nas mãos do ainda desconhecido trio Selebrities. Com uma sonoridade que não abandona as experiências oitentistas, a composição mergulha de forma decidida nos mesmos sintetizadores revigorados e batidas com eco que transformaram Something do Chairlift em um dos melhores álbuns do último ano. Os vocais bem delineados (que ainda contam com a colaboração de Erika Spring e Lissy Trullie) flutuam em uma medida romântica e dançante, algo como os primeiros lançamentos do Chromatics.

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#03. Youth Lagoon – Dropla

Youth Lagoon

Trevor Powers parece viver em um universo mágico conhecido e construído inteiramente por ele. Mergulhado em sintetizadores, melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos e letras que dançam em nossos ouvidos, o músico deu formas em 2011 a um dos discos mais encantantadores daquele ano, The Year Of Hibernation, proposta que deve se repetir em breve com o segundo lançamento do Youth Lagoon. Encantadora e contando com uma lírica emocinada, Dropla se espalha em teclados etéreos, tudo isso enquanto os vocais do jovem compositor crescem em um misto de euforia, sutileza e entrega. A melhor composição lançada pelo músico até agora e uma das grandes faixas de 2013.

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#04. CHVRCHES – Recover

CHVRCHES

Ao transformar o pop sintetizado de The Mother We Share em uma das composições mais incríveis do último ano, o grupo britânico CHVRCHES entrou sem grandes esforços na nossa lista de grandes apostas para 2013. Ainda dentro da mesma proposta musical, o trio de Glasgow faz do single Recover mais uma boa prova da atuação convincente da banda. Com base nos mesmos sons oitentistas, vozes reformadas pela eletrônica e uma letra que gruda na primeira ouvida, o novo hit chega para anunciar o primeiro trabalho do grupo, um EP que carrega o mesmo título da canção e tem data de lançamento prevista para o próximo dia 25 de março.

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#05. Purity Ring – Grammy (Soulja Boy Cover)

Purity Ring

Muito embora as batidas que circulam por Shrines já fossem capaz de identificar o fascínio da dupla Purity Ring pelo Hip-Hop, foi só com o lançamento de Belispeak II ao lado do rapper Danny Brown que o casal assumiu de fato o interesse. Por enquanto, nada de novas composições, pelo contrário, um cover inusitado da faixa Grammy, canção de encerramento do álbum The DeAndre Way (2010) do rapper Soulja Boy. Mais do que uma nova versão, a faixa consegue soar ainda melhor do que a versão original, comprovando de vez a capacidade dos canadenses em lidar com um gênero praticamente inexpressivo quando voltamos para os primeiros lançamentos da dupla.

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#06. James Blake – Retrograde

James Blake

James Blake finalmente conseguiu aperfeiçoar o que vem experimentando há mais de três anos. Outrora fascinado pela eletrônica tramada de forma matemática pelos encaixes certeiros do dubstep, o cantor e produtor britânico fez da relação com o R&B/Soul uma possibilidade de transformação para sua obra – assim como para o próprio gênero. Colecionando referências distintas de cada um de seus trabalhos anteriores, Retrograde, como o título já aponta, passa pelo looping hipnótico de CYMK, dança ao som dos teclados crescentes de Love What Happened Here até valorizar cada nuance intimista do que o artista acomodou no lançamento do primeiro disco solo em 2011.

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#07. Secchin – Night Lights (Ft. Maria Luiza Jobim)

Secchin

Se Léo Justi resolveu dar novo acabamento ao Funk, Mahmundi abraçou os sintetizadores e o Sobre A Máquina o que há de mais sombrio no mundo da música, Julio Secchin, ou apenas Secchin tratou de absorver o que há de mais estranho no meio de todo esse cenário. Ora dialogando com o R&B Lo-Fi que se apodera da música estrangeira atual, ora colecionando batidas eletrônicas capazes de dançar pela IDM da década de 1990, o produtor faz de Night Lights uma estreia de percursos inexatos. Acompanhado dos vocais doces de Maria Luiza Jobim, Secchin dá vida a pouco mais de dois minutos de experimentações sintéticas e confessionais capazes de unir Clams Casino e Jessie Ware em um mesmo universo.

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#08. Sants – Alone

Sants

“Assim como o ‘Canal Laranja’ de Frank Ocean funciona como uma válvula de escape para todos os sonhos e melancolias de seu realizador, Sants utiliza do recente Soundies! como um passeio nostálgico por uma infinidade de colagens sonoras e até mesmo visuais. Marcas que acumulam mais de duas décadas de manifestações culturais distintas em um só ponto. “Nickelodeon, Spacejam, Kenan & Kel, Street Fighter, Papa Léguas” são algumas das experiências que flutuam durante a transmissão do canal imaginário comandado pelo produtor, um vislumbre soturno de um jovem adulto que converte partidas de videogame, maratonas de desenhos e experiências banais em música. A mesma incorporação sonora que transformou Steven Ellison e Willian Beavan em alguns dos mais influentes produtores da última década, porém adequadas ao cotidiano jovial de Sants”.

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#09. A/T/O/S – A Taste of Struggle

ATOS

Um encontro entre Jessie Ware, The Weeknd e Portishead parece algo difícil de acontecer, correto? Não se você se acomodar no misterioso trabalho dos ingleses do A/T/O/S – uma sigla para A Taste of Struggle. Brincando com o Trip-Hop e outras referências eletrônicas que marcaram com sensualidade (e dor) a música eletrônica da década de 1990, o projeto acomoda batidas lânguidas, sintetizadores e vozes em um mundo que vai do onírico ao erótico em poucos segundos. Para anunciar o trabalho dos produtores, nada melhor do que uma faixa-título que amarra tudo o que há de mais inventivo dentro da produção musical recente.

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#10. AraabMuzik – Beauty

AraabMuzik

Você não está ouvindo AraabMuzik” anuncia a voz robótica que passeia pelo disco. Dois anos depois de firmar espaço dentro da cena instrumental que toma conta do Hip-Hop atual, a “incerteza” de ouvir um novo álbum do produtor Abraham Orellana é sem dúvidas a garantia de um encontro com as batidas volumosas e o ritmo grandioso que se dissolve com exclusividade no trabalho do artista de Rhode Island. Sem o mesmo compromisso conceitual proposto em Electronic Dream (2011), o produtor norte-americano transforma a mixtape For Professional Use Only em um verdadeiro experimento. Duas dezenas de composições recheadas pela mesma intensidade rítmica de outrora, agora acrescidas de uma dose extra de ineditismo e novidade constante.

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#11. Evenings – Friend (Lover)

Evenings

Imagine um cenário em que Gold Panda, Grimes e as experimentações climáticas do Grouper partilham de uma sonoridade harmoniosa e mágica. Tudo isso reside nos pouco mais de quatro minutos que Nathan Broadus dissolve no mais novo single do Evenings, Friend (Lover). Lançada logo depois do produtor norte-americano ter assinado com o selo Friends of Friends, a faixa anuncia a chegada do primeiro registro oficial do músico, Yore, previsto para o dia 16 de Abril. Metade psicodélica, metade ambiental, a canção brinca com a eletrônica de maneira climática, espalhando uma variedade de referências que tranquilizam e convidam o ouvinte para um passeio pelo etéreo.

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#12. Rachel Zeffira – To Here Knows When’ (My Bloody Valentine)

Rachel Zeffira

Originalmente lançada em 1991 como parte do clássico Loveless, obra-prima do My Bloody Valentine, To Here Knows When’ passou por um tratamento sombrio e delicado nas mãos da cantora e compositora Rachel Zeffira. Se relacionando de forma angelical com a obra de Kate Bush, bem como com o trabalho de artistas recentes a exemplo de Julianna Barwick e Grouper, Zeffira derrama pianos e arranjos controlados de forma sempre suave e livre dos ruídos que outrora marcavam a versão original da música. Consumida pelo teor onírico, a canção antecipa parte do que será encontrado no primeiro registro solo da artista, que entre outras colaborações é uma das metades do Cat Eye’s.

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#13. Julianna Barwick – Pacing

Julianna Barwick

Julianna Barwick talvez seja uma das artistas mais influentes da nova geração de compositoras norte-americanas. Passeando livremente pela magia instrumental do etéreo em uma medida que inevitavelmente tende à suavização das formas musicais, a artista parece dar continuidade ao que acertou em 2011 com o lançamento do abstrato The Magic Place. Sem letras e se apoiando livremente no uso assertivo dos vocais de forma doce e ambiental, Barwick faz de Pacing um preparativo para o que deve vir a aprimorar ainda mais com o lançamento de seu próximo disco – já em fase de produção. Sem fugir da brincadeira com as harmonias que tanto orientam a obra da compositora, a faixa se manifesta em uma sequência atmosférica de pianos e vozes que se acomodam em um mesmo cenário. Um reduto de pura experimentação, mas que ao mesmo tempo conforta o ouvinte.

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