Miojo Indie Mixtape “Future R&B” Edition

Future R&B

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Quem acompanha o Miojo Indie sabe do nosso interesse pela nova safra de artistas que vêm ocupando com invenção o R&B, o Neo-Soul e a Eletrônica – principalmente na cena britânica. Então por que não concentrar todas essas novidades em um só lugar? Dando continuidade ao trabalho iniciado com a mixtape R&B no último ano, chega agora a Miojo Indie Mixtape Future R&B. São 12 novas faixas – nacionais e internacionais – que ressaltam justamente esse novo aspecto da produção musical. De “velhos conhecidos” como AlunaGeorge e Autre Ne Veut, ao trabalho de novatos como Sampha e FKA Twigs, a seleção passa por diferentes aspectos do gênero em uma tentativa de captar parte do que está acontecendo na cena atual. Para ouvir/baixar o trabalho, basta dar um pulo logo abaixo.

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#01. FKA Twigs – Water Me

FKA Twigs

De todas as grandes surpresas de 2013, a britânica Twigs foi uma das mais interessantes. Ao surgir com a delicada Breath em dezembro do último ano, a cantora/produtora abriu as portas para uma série de inventos divididos entre a nova safra do R&B e o Trip-Hop no começo dos anos 1990. Depois de voltar a surpreender com How’s That, há alguns meses, a artista volta com mais um brilhante exemplar: Water Me. Mesmo sob novo nome, agora ela se chama FKA Twigs, a cantora não parece ter abandonado o solo experimental por onde caminhava. Com produção dividida com o cada vez mais requisitado produtor ARCA, a faixa cresce em uma medida branda e melancólica, reforçando nas batidas um princípio para o vídeo lançado em parceria com a diretora Jesse Kanda.

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#02. AlunaGeorge – Bad Idea

AlunaGeorge

Representantes do lado mais nostálgico da nova safra de artistas/produtores da cena britânica, o casal Aluna Francis (vocais) e George Reid (produção) encontra no bem planejado alinhamento dos sons e vocais uma relação de novidade com a música negra e o pop trabalhados há duas décadas. Mais do que reviver marcas específicas da música conquistada nos anos 1990 – e até depois disso -, o duo londrino converte o aguardado primeiro registro de estúdio em um catálogo convincente de hits. Faixas que pervertem a nostalgia empoeirada do R&B, estreitam o laço com a eletrônica e trazem nas confissões dos versos um esforço para além do básico.

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#03. Autre Ne Veut – On & On

Autre Ne Veut

Com o lançamento de Anxiety (2013), Arthur Ashin conseguiu um lugar de destaque para o trabalho do Autre Ne Veut. Um esforço que o produtor mantém com composições sempre épicas, transformações que alteram frequentemente a estrutura base do R&B e uma carga confessional que se estende para além do último álbum de estúdio do artista. Mais novo lançamento de Ashin, On & On entra para o time das composições que integram a edição 2013 da coletânea Adult Swim, repetindo a boa forma do nova-iorquino. Conduzida em cima de sintetizadores e batidas irregulares, a canção brilha nos vocais límpidos do cantor, que mantém a mesma dramaticidade expressa em Play by Play e Counting, faixas memoráveis do último disco.

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#04. Sampha – Without

Sampha

Quem acompanha a produção musical britânica ou boa parte da safra de novos representantes do R&B inglês já deve ter esbarrado pelo trabalho de Sampha. Principal voz nas apresentações ao vivo do produtor Aaron Jerom (SBTRKT), Sampha anuncia para o dia 29 de Julho a chegada de Dual, EP que deve apresentar de forma definitiva o trabalho do cantor. Lidando de forma bem sucedida com os vocais e o clima instrumental que se derrama em trabalhos do gênero, o músico entrega ao público a melancólica Without, faixa que concentra em pouco mais de três minutos de duração um resultado plenamente sutil e de grandeza particular dentro das delimitações do estilo. Cuidando dos versos à produção, o britânico faz da canção um retrato essencialmente particular, propósito que deve conduzir toda a formação do ainda inédito registro.

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#05. Jessy Lanza – Kathy Lee

Jessy Lanza

Recentemente o selo britânico Hyperdub – casa de artistas como Burial, Laurel Halo e The Bug – anunciou a série de lançamento que devem ocupar o catálogo do grupo até o final do ano. Além de obras como o novo disco de Laurel Halo e mais um trabalho de DJ Rashad, o destaque ficou por conta do primeiro registro em estúdio da cantora canadense Jessy Lanza, Pull My Hair Back. Previsto para o dia 10 de Setembro, o registro traz a produção dividida entre a artista e Jeremy Greenspan, uma das metades do Junior Boys. Abrindo espaço para a obra (ou seria para viciar o ouvinte?), Lanza apresentou a delicada Kahty Lee, um R&B eletrônico que encontra distinção, mesmo em meio a massa de lançamentos similares. Representação feminina do que Tom Krell propôs com o How To Dress Well, a faixa praticamente se desfaz nos ouvidos, tamanha a sutileza imposta pela compositora.

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#06. Dornik – Play Something About You

Dornik

Depois da boa repercussão em torno de Settle (2013), trabalho de estreia da dupla Disclosure, espere por uma nova onda de artistas capazes de brincar com a mesma sonoridade nostálgica e repleta de frescor que fornece sustento ao trabalho do duo inglês. Recomendado recentemente pelos próprios irmãos Lawrance, o britânico Dornik Leigh parece o principal candidato a este posto. Brincando com o mesmo R&B envolvente que circula pelo trabalho de Miguel, mas sem se distanciar da camada sintética que ocupa a eletrônica inglesa recente, o músico apresenta ao público a comportada e naturalmente sexy Something About You, primeiro single da carreira. São quase quatro minutos de vocais em falsete e batidas que parecem preparar o território para o sexo.

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#07. Banks – Waiting Game

Banks

Parte natural da beleza que acompanha o trabalho da californiana Banks não está nos versos ou nos vocais sensíveis da cantora, mas no time assertivo de produtores que a acompanham. Depois de contar com o apoio de Totally Enormous Extinct Dinosaurs na construção na construção do single Warm Water, a cantora volta a emocionar, dessa vez aos comandos do britânico/austríaco S O H N. Utilizando das batidas e bases instrumentais como um complemento para a voz presente da artista, o produtor atravessa os mais de três minutos de Waiting Game em meio a uma cama de ruídos acolhedores. Um agregado de recortes vocais e sintetizadores que flutuam entre o erótico e a melancolia, resultado quase óbvio nos inventos impostos por Banks.

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#08. Kwes – 36

Kwes

Antes da invasão de artistas inclinados a brincar com o R&B e garantir novo acabamento à música negra, o britânico Kwes já fazia disso um exercício constante a cada novo lançamento. Depois da boa quantidade de singles apresentados ao longo dos anos e de Meantime EP, trabalho apresentado em 2012, chega a hora do artista entregar ao público o primeiro álbum oficial: ilp. Antecipando o que deve vir a abastecer cada uma das dez faixas do registro, Kwes prepara o terreno com 36, faixa que evidencia o lado mais melódico do produtor. Lembrando muito Sampha e Frank Ocean, a canção cresce em virtude dos vocais, deixando a tapeçaria eletrônica irregular em segundo plano, o que está longe de parecer um erro.

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#09. Mahmundi – Vem

Mahmundi

Um salto. Há pouco mais de um ano quando Marcela Vale e os parceiros do Mahmundi entregaram o encantador Efeito das Cores EP (2012) ao público, a necessidade da banda era de resgatar elementos específicos da década de 1980 em aproximação ao que ecoava na Chillwave. Uma obra conduzida pela maquinação suave dos vocais e sons, como se ondas lançadas por Marina Lima ou Barão Vermelho (da fase Cazuza) só chegassem agora. Com a chegada de Vem, mais novo single da artista e aquecimento antes do primeiro disco oficial os rumos são outros. Encantada por elementos do R&B e devota de Jessie Ware, Vale assume na nova composição um verdadeiro pulo temporal/instrumental, não para a década de 1990, mas para o que decide a música recente.

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#10. Lil Silva – Salient Sarah (Ft. Sampha)

Lil Silva

Como mencionado na última edição da Samples & Noodles, o produtor britânico Lil Silva entrega hoje (05) mais um novo EP. Trata-se de Distance, trabalho que mantém a essência dos anteriores lançamentos do produtor, mesclando as bases do Future Garage com uma sonoridade climática, próxima do R&B. Além do trabalho em parceria com Rose Lowe, Silva aparece com mais um novo convidado: Sampha. Responsável pelas vozes que acompanham a produção de SBTRKT e dono de uma das grandes composições de 2013, a melancólica Without, o cantor assume os domínios vocais de Salient Sarah, faixa que parece adaptada tanto ao vocalista quanto ao produtor, tamanha a divisão entre gêneros.

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#11. Sants – Valerie (Ft. Gorky)

Sants

Diego Santos caminha a passos largos e cada vez menos previsíveis. Se há poucos meses as batidas tomadas pela densidade, colagens e certa dose de nostalgia guiavam o trabalho do paulistano no versátil Soundies! – registro de estreia pelo Sants -, ao alcançar o recém-lançado Low Moods (2013, Beatwise), os inventos do produtor se expandem de maneira visível. Cada vez mais distante do que parecia uma singela homenagem ao trabalho de Flying Lotus, Clams Casino e tantos outros inventores da produção eletrônica norte-americana, Sants encontra no presente álbum a tão sonhada identidade, exercício que esculpe em composições de sublime referência estrangeira, mas que lentamente se fazem particulares nas mãos do produtor.

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#12. Lulu James – Step By Step

Lulu James

Enquanto Azealia Banks parece fundir a eletrônica da década de 1990 com versos rápidos, típicos do Rap dos anos 2000, a britânica Lulu James parece interessada em manter a mesma sonoridade, porém, trilhando as curvas amargas e naturalmente sintetizadas do R&B. Mais novo single da artista que já acumula bons EPs e uma série de singles particulares, Step By Step – não confunda com a música de mesmo nome da boy band New Kids On The Block – cresce em uma medida erótica, dolorosa e dançante, permitindo que as vozes da cantora circulem livremente, como se quisesse provar de cada referência. Com lampejos de Aaliyah e lembrando uma versão menos plástica de Katy B, a cantora transforma os mais de cinco minutos da faixa em uma canção que funciona tanto na cama como nas pistas.

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