Miojo Indie Mixtape POP Edition

Miojo Indie Mixtape Pop

Nada de Lady Gaga, Katy Perry ou Britney Spears, nas regras do pop as queridinhas do Miojo Indie são outras. Em um cenário tão rico quanto o de 2013, o que talvez muita gente tenha deixado passar é a presença cada vez maior de artistas inclinados a brincar com a música pop, mas em um sentido distinto ao que é produzido para as massas. Boas melodias, produção assinada por nomes de peso da cena alternativa, flertes com o R&B e a música da década de 1990. O que não falta são artistas que carreguem a essência da música pop sem necessariamente cair nos exageros que há tempos esculpem a estética do gênero. Em um sentido de passear pelo que há de mais divertido, musicalmente acessível e melódico no cenário recente, chega a Miojo Indie Mixtape Pop Edition. Com pitadas de eletrônica e certo toque de estranheza, cada uma das 13 composições selecionadas vão das pistas ao isolamento sem perder os gracejos emanados por cada uma das artistas que as apresentam.

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#01. Katy B – 5AM

Katy B

Em algum momento de 2013, Katy B deve aparecer com o sucessor de On a Mission (2011) e, mais uma vez, reivindicar uma parcela grandiosa da música pop apenas para ela. Cada vez mais apoiada no R&B da década de 1990 – influência assumida da cantora Aaliyah -, a artista britânica faz da recém-lançada 5AM uma extensão do resultado exposto até pouco tempo no ótimo Danger EP (2012). São quase quatro minutos em que vozes, batidas e uma camada leve de sintetizadores se espalham confortavelmente pela composição, transformando o jogo colorido de essências em um hit perfeito para ser executado tanto dentro, como fora das pistas. A canção é o segundo single da artista desde o último EP, sendo uma composição irmã (em termos de proximidade lírica e sonora) com a também excelente What Love Is Made Of, lançada há alguns meses.

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#02. M.I.A. – Come Walk With Me

MIA

Pop, melódica e possivelmente a composição mais confortável já lançada por M.I.A. até hoje, assim é Come Walk With Me. Ou pelo menos até que ela realmente mostre suas “garras”. Dividida em dois atos, o novo single da rapper britânica traz nas melodias típicas da década de 1960 um mero tempero para o que explode nas batidas, sons acelerados e vozes robóticas da segunda metade. Apresentada na última semana em uma versão de 90 segundos, a faixa aparece agora em sua versão integral, mantendo a mesma proposta que há tempos vem alimentando o cenário torto de Matangi, novo e ainda inédito disco da artista. Com previsão de lançamento para o dia cinco de novembro – se não mudar de data novamente – , o trabalho já acumula as boas Bad Girls e Bring the Noize, sendo um dos registros mais aguardados de 2013.

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#03. Icona Pop – Girlfriend

Icona Pop

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#04. Sleigh Bells – Bitter Rivals

Sleigh Bells

O caos parece longe de encontrar descanso nas mãos da dupla Sleigh Bells. Depois de repetir mais uma sequência de ruídos ensurdecedores, batidas distorcidas e vozes curiosamente melódicas em Reign Of Terror (2012), Alexis Krauss e o parceiro Derick E. Miller estão de volta para mais uma sequência dos mesmos elementos – agora muito mais próximos da música pop. Em Bitter Rivals, mais novo single do casal, todos os tradicionais elementos da banda se encontram no mesmo cenário de desordem, com a diferença de que todos os arranjos parecem próximos de tocar o grande público. Influência da trilha sonora de The Bling Ring ou não, a canção abre espaço para a chegada do terceiro registro em estúdio da banda, trabalho que será oficialmente lançado no dia oito de outubro pelo selo Mom+Pop.

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#05. Charli XCX – What I Like (Ft. Danny Brown)

Charli XCX

De todas as composições que integram o primeiro e bem sucedido registro solo de Charli XCX, True Romance, What I Like é de longe uma das mais pegajosas. Melódica e capaz de manifestar a proposta anárquica da britânica em relação à perversão do pop em prol de um som versátil, a faixa circula em meio a batidas esparsas, vocais que tendem ao Hip-Hop e uma utilização adequada os elementos eletrônicos. Não por acaso a composição aparece transformada agora, trazendo na presença do inquieto Danny Brown um complemento fundamental (ainda que curto) para a música. A canção segue o mesmo exemplo do que a dupla canadense Purity Ring testou no último ano com o lançamento da nova versão de Belispeak, também com a presença de Brown.

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#06. Azealia Banks – Count Contessa

Azealia Banks

Se você não deu muita atenção para a eletrônica no último ano, talvez tenha pulado um dos registros mais empolgantes (e cuidadosos) da cena britânica em tempos. Trata-se de Galaxy Garden, quinto registro em estúdio de Matt Cutler pelo Lone e obra que encaminha o artista inglês até aqui para produzir o novo single de Azealia Banks. Intitulada Count Contessa, a inédita composição reforça todo o fascínio de Banks (e de Lone, claro) pela década de 1990, efeito claro nas bases que cheiram a Ibiza e no clima ensolarado que percorre os mais de cinco minutos da faixa. A canção, infelizmente, não é parte do aguardado Broke with Expensive Taste, mas um dos primeiros exemplares de Fantasea II: The Second Wave, nova mixtape da rapper e trabalho que também chega em 2014, junto com o debut.

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#07. Annie – Back Together

Annie

Annie não poderia ter escolhido música melhor para anunciar o seu retorno do que Back Together. Faixa de abertura de The A&R EP, mais recente trabalho da norueguesa, a canção encontra no cruzamento entre a eletrônica e o pop da década de 1990 um princípio de transformação dentro da obra da artista. Melódica e pronta para as pistas, a faixa assume na proposta nostálgica dos sons um princípio natural para as imagens. Lançado agora em vídeo, o clipe transporta comicamente a cantora para o topo das paradas de sucesso dos anos 90. Bem humorado, o trabalho se vale de todos os possíveis clichês do gênero, com informações que surgem na tela sobre a vida da artista, além de efeitos de edição típicos da época. Assista.

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#08. CHVRCHES – Night Sky

Chvrches

Em março, quando Recover EP foi oficialmente apresentado ao público, brincar com o pop, conquistar notoriedade e preparar o terreno para uma obra maior parecia ser a base do trabalho do CHVRCHES. Cada vez mais conscientes da própria sonoridade, Lauren Mayberry, Iain Cook e Martin Doherty transformaram o curto registro em uma evolução clara aos inventos previamente testados, resgatando o já gasto Synthpop e em uma massa de sons coloridos tomados pela novidade. Se as três pequenas faixas do curto álbum eram um prelúdio, então The Bones of What You Believe (2013, Virgin/Glassnote) chega como a confirmação: o pop nas mãos do trio britânico tem outro significado.

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#09. Mø – XXX 88 (ft. Diplo)

Mø

Em um cenário cada vez mais ocupado por novas cantoras europeias, a dinamarquesa MØ assume com beleza um ponto de destaque dentro desse universo. Longe do princípio comportado, a cantora trouxe em XXX 88, parceria com o caçador de tendências Diplo uma pequena ruptura. Desenvolvida em cima de batidas levemente voluptuosas, a canção esbarra na estética de Lykke Li, corre pelo Hip-Hop instrumental do Purity Ring, até agrupar os sons etéreos da obra de Grimes em um ambiente ensolarado, base para aquilo que o diretor Tim Erem entrega no clipe da canção. Quente, a canção leva a cantora para o deserto, entrecortando o trabalho com cenários cotidianos e uma curiosa tentativa de ressaltar o apelo sexual da artista. Assista.

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#10. Yuna – Rescue

Yuna

Com tantos artistas interessados em resgatar a música negra dentro de um sentido dramático e de plena seriedade em relação aos versos, a artista malaia Yuna parece seguir por uma manifestação cada vez menos densa desse mesmo propósito. Cercada de leveza, a cantora (hoje situada em Los Angeles, Califórnia) faz da adorável Rescue um respiro pop dentro do cenário recente. Ora apoiada na mesma estética do Quadron, ora dançando pelas mesmas vocalizações de Eliza Doolittle, a canção entrega uma artista cercada pela simplicidade, efeito da relação com Robin Hannibal (Rhye), com quem Yuna trabalhou no single anterior, Falling, mas que deixa marcas bastante específicas na presente obra. Assim como a canção anterior, o novo single é parte do disco Nocturnal, que será oficialmente lançado no dia 29 de Outubro.

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#11. Eliza Doolittle – Big When I Was Little

Eliza Doolittle

Apresentada oficialmente em 2010 como a “nova Lily Allen”, Eliza Doolittle pode não ter ocupado o lugar da conterrânea, entretanto, soube como apresentar um adorável primeiro disco e uma seleção de pequenas composições marcadas pelo Pop e o R&B. Sem fugir da mesma sonoridade, e aproveitando de uma proposta mais tropical, a cantora inglesa apresenta agora Big When I Was Little, primeiro single do ainda inédito segundo álbum da carreira, registro previsto para 2013. Reforçando a presença de elementos do Ska e da música jamaicana, a faixa passeia por uma instrumentação ensolarada, reforçando a atuação da cantora para o novo disco. A cantora é parte de uma das melhores faixas de 2013, o hit You & Me, parceria com o Disclosure.

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#12. Lorde – Royals (The Weeknd Remix)

Lorde

Aos poucos Lorde se transforma na nova queridinha da cena alternativa. Oficialmente lançada em setembro, Royals, mais recente single da jovem neozelandesa encontra nas mãos do canadense Abel Tesfaye (The Weeknd) um complemento sonoro mais do que natural. Ampliando a carga erótica sobre a faixa, o uso de batidas esculpidas dentro do R&B recente, além dos vocais assinados pelo canadense, a canção rompe com o cenário inicialmente tímido a que estava enclausurada, crescendo de forma expressiva no decorrer das batidas. Soando como uma Florence Welch menos exagerada ou uma Lana Del Rey não-letárgica, a cantora parece finalmente ter encontrado seu lugar musicalmente, prova de que a escolha de Tesfaye para a produção do primeiro disco talvez fosse uma boa escolha.

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#13. Lulu James – Sweetest Thing

Lulu James

Lulu James, é sem qualquer dificuldade uma das artistas mais maduras e envolventes do R&B atual. Dona de achados como Step By Step, Closer e Be Safe, a cantora britânica encontra na construção de Sweetest Thing uma obra que flutua pelo tempo. Enquanto os vocais, batidas e a estética parecem estacionados confortavelmente em algum lugar entre o fim dos anos 1980 e o princípio da década seguinte, as bases cuidadosamente delineadas catapultam a artista para o presente. Vocais recortados, sintetizadores amenos e um ar empoeirado, Lo-Fi, acomodam a cantora no cenário atual. Menos acelerada que os trabalhos anteriores, a nova música parece feita para seduzir (ou seria amenizar os sentimentos) do ouvinte, posicionando todos os elementos em um ambiente previsível, mas não menos encantador.

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