Miojo Indie Mixtape Rock Edition

Rock

Quem acompanha o Miojo Indie sabe que em Julho a nossa tradicional Mixtape não poderia ser outra se não a Rock Edition. Pensando nisso, separamos 13 novas faixas que marcaram o ano até agora e não poupam nos ruídos, berros e distorções. O motivo? Celebrar o mês do Rock. Nada de Arctic Monkeys, The Strokes e Queens Of The Stone Age, todos os artistas selecionados estão longe de qualquer conforto musical, deixando o pop e as aproximações com a eletrônica de lado. Diferente das edições anteriores da coletânea, parte dos selecionados apresentaram o primeiro álbum da carreira em 2013 e, pela primeira vez, nenhuma banda nacional foi inclusa. Do Punk ao Shoegaze, do Metal ao Hard Rock uma seleção de artistas que sujaram com ruídos a música durante o ano. Reclama que “o rock não é mais o mesmo”, então cale a boca e ouça/baixe nossa nova Miojo Indie Mixtape:

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#01. Garbage & Screaming Females – Because The Night

Garbage

Duas gerações de mulheres importantes dentro do rock alternativo juntos em um único propósito: regravar o clássico Because The Night da veterana Patti Smith. Originalmente lançada em 1978 como parte do disco Easter, a canção que conta com versos de Bruce Springsteen aparece completamente reformulada na parceria entre Garbage e Screaming Females. Enquanto a banda de Shirley Manson acrescenta um toque épico à faixa (fruto dos vocais exuberantes da cantora), o trio de New Jersey traz nas guitarras absurdamente barulhentas de Marissa Paternoster uma das sequências instrumentais mais assustadores dos últimos meses.

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#02. Thee Oh Sees – Toe Cutter/Thumb Buster

Thee Oh Sees

“Contradizendo a estética cinza e os sons quase amargos do álbum anterior, Putrifiers II (2012), ao alcançar o novo disco do Thee Oh Sees, Dwyer restabelece a sequência que havia iniciado há dois anos. Sustentado pelas mesmas experiências instrumentais que abasteceram cada espaço de Castlemania e Carrion Crawler/The Dream, ambos registros de 2011, o presente disco traz no uso orquestrados das guitarras um exercício de estimulo para manter o ouvinte atento durante toda a obra. Seja pelo uso de sons mais sérios (Night Crawler) ao uso de canções que brincam com a psicodelia em moldes “convencionais” (Strawberries One & Two), a maquinação das distorções e ruídos flui como a linha guia de todo o trabalho…” [Resenha]

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#03. Mikal Cronin – See It My Way

Mikal Cronin

“Fazendo uso de uma sonoridade totalmente reformulada e em oposição ao que fora testado em 2011, Cronin parte do princípio de que guitarras saturadas de fuzz e batidas rápidas são aproveitados como meros complementos para um trabalho de se sustenta inteiro nas melodias. Contrariando o propósito agressivo que fora testado em músicas como Is It Alright e Slow Down, cada etapa do novo disco possibilita o aprimoramento dos sons e principalmente das vozes. Um tipo de tratamento evidente logo na abertura do álbum, em que as harmonias de piano espalhadas pela ensolarada Weight indicam o novo sustento instrumental do músico…” [Resenha]

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#04. California X – Sucker

California X

É surpreendente a forma como as guitarras simplesmente deslizam nos ouvidos durante os mais de 30 minutos de duração que sustentam o primeiro álbum do Califonia X. Próximo e ao mesmo tempo distante de diversas marcas que predominam no rock clássico ou mesmo na cena alternativa recente, o autointitulado disco do grupo de Amherst, Massachusetts é praticamente um convite para um cenário semi-desértico, motocicletas e doses imoderadas de cerveja. Canções que praticamente se transformam na trilha sonora alternativa de um filme B da década de 1970 e ainda assim mantém firme a relação com o presente. Um som nostálgico, raro, mas que não deixa em nenhum momento de ser atual. [Resenha]

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#05. The Men – I Saw Her Face

The Men

Parte do recente New Moon, terceiro registro em estúdio da banda nova-iorquina The Men, I Saw Her Face foi a composição escolhida para se transformar no mais novo vídeo do grupo. Filmado e dirigido pela própria banda, o vídeo condensa uma série de imagens marcadas pelo clima caseiro e descompromisso. Sem se preocupar com qualquer acabamento descente, o vídeo dança de acordo com a vontade do grupo, que por sua vez acaba revelando a sequência visual mais surpreendente de 2013: um imenso solo no alto de um prédio enquanto fumaça é despejada do braço da guitarra. Tosco, porém, épico. Mais distinto lançamento do grupo até agora, New Moon é sucessor do ótimo Open Your Heart, trabalho apresentado no último ano e um dos 50 melhores discos internacionais de 2012.

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#06. Milk Music – Cruising With God

Milk Music

“‘Rock’, a palavra parece simplesmente brilhar no cérebro do ouvinte assim que Cruise Your Illusion (2013, Fat Possum), recente álbum da banda de Washington tem início. Misto de guitarras embrutecidas e sons ágeis que dançam de acordo com os vocais de Alex Coxen, a estreia do grupo parece assumir uma marca própria em relação ao que alimenta a recente música estadunidense. Uma individualidade que mesmo distante consegue se manter firme com os demais trabalhos lançados nos últimos meses – principalmente dentro do universo musical californiano. “Rock”, um som que se sustenta abertamente por marcas talvez esquecidas dentro da variedade de tendências que alimentam a cena musical presente, mas que encontram nessa diversidade um claro ponto de ineditismo e possíveis transformações…” [Resenha]

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#07. Waxahatchee – Coast To Coast

Waxahatchee

“Assumindo as mesmas referências de forma quase confessa, a cantora e compositora nova-iorquina Katie Crutchfield faz do segundo álbum solo não apenas um ponto de aproximação com os sons lançados há duas décadas, mas talvez o melhor disco dos anos 1990 apresentado nos dias atuais. Parcialmente oculta sob o curioso pseudônimo de Waxahatchee (uma menção à região de mesmo nome próxima de um lago no Alabama, onde os pais de Crutchfield mantém uma casa), a artista transforma todos os sentimentos (doces e amargos) na matéria-prima que alimenta Cerulean Salt (2013, Don Giovanni). Conjunto de fragmentos (quase) sempre dolorosos, o disco traz nas guitarras e versos da cantora uma das obras mais confessionais dos últimos anos…” [Resenha]

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#08. Savages – She Will

Savages

Ao longo de toda a década de 2000, centenas de bandas inglesas trataram de reassumir a herança do Pós-Punk abandonada anos com a “extinção” do movimento a partir da segunda metade da década de 1980. Durante todo o período nomes como Bloc Party, Editors, entre outros nomes de destaque trataram de reviver tais experiências, proposta que em nenhum momento alcança o bem sucedido novo single do quarteto Savages, She Will. Composto por quatro garotas – Jehnny Beth, Gemma Thompson, Ayse Hassan e Fay Milton -, o projeto acerta não apenas por incorporar as mesmas guitarras testadas pelo Joy Division no clássico Unknown Pleasures (1979), mas por se estender até o começo da década de 1990, bebendo do rock alternativo de artistas como PJ Harvey e outros artistas próximos. Três minutos de guitarras ascendentes, vozes tão firmes que o The Vaccines jamais irá alcançar, e toda uma sujeira distorcida que entope os ouvidos.

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#09. METZ – Can’t Understand

METZ

Os integrantes do METZ não querem saber de descansar tão cedo. Donos de um dos registros mais sujos e intensos do último ano, além de serem responsáveis pelo recém-lançado clipe da faixa Get Off, a banda canadense vai de encontro aos ruídos na construção da acelerada e inédita Can’t Understand. Lembrando a boa fase das bandas de Seattle na década de 1990, a canção emenda quase três minutos de distorções ascendentes e vozes berradas que deixariam Kurt Cobain orgulhoso, uma espécie de continuação automática de tudo o que a banda propôs no último ano. A canção é parte do selo Williams Street Records, que no último ano foi responsável pela coletânea Garage Swim, do bloco de desenhos Adult Swim. Preparem os ouvidos.

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#10. Deerhunter – Monomania

Deerhunter

“Nítido ponto de ruptura dentro da trajetória do grupo, Monomania (2013, 4AD) flutua em uma medida anárquica entre o Mainstream e o Underground, tratamento revelado no catálogo mais comercial e ainda assim desconcertante do grupo desde a fluidez excêntrica de Microcastles (2008). Compactado em uma medida que posiciona o Shoegaze e o Dream Pop em um plano de fundo, o álbum traz no uso saturado da psicodelia e ruídos voltados ao proto-punk um exercício de clara perversão das ideias posteriores do grupo. Soando como um encontro amargo entre o Sonic Youth (da década de 1980) com o Guided By Voices (no ápice dos anos 1990), o registro atinge em cada composição um exagero que se divide abertamente entre o cênico e a crueza não intencional…” [Resenha]

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#11. Pissed Jeans – Bathroom Laughter

Pissed Jeans

“De proposta jovial, o novo álbum mantém de forma decidida a mesma sequência de sons acinzentados e gritarias não maquiadas que outrora definiram o começo de carreira do grupo. Desse ponto, é possível observar o trabalho do quarteto norte-americano de duas formas: primeiro como uma banda madura e que soube como aproveitar o que há de mais assertivo ao longo dos anos, segundo como um grupo de pós-adolescentes que mantém o mesmo exagero cômico do passado. Uma proposta que tende ao descartável em diversos instantes, ao mesmo tempo em que transforma o trabalho da banda em um registro de clara longevidade…” [Resenha]

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#12. Iceage – Coalition

Iceage

“A raiva e toda a agressividade imposta pelo Iceage em New Brigade (2011) desde o começo nunca foi o suficiente para caber em um único disco. Logo, não seria nenhuma surpresa antecipar que o segundo trabalho do quarteto de Copenhagen, Dinamarca viesse orientado pelas mesmas reverberações caóticas iniciadas pela há dois anos, ainda mais se levarmos em conta os rasos 24 minutos que edificam os paredões de gritos, ruídos e distorções alicerçados pela banda. Entretanto, o que talvez ninguém fosse capaz de prever é que You’re Nothing (2013, Matador) visse consumido por uma carga ainda mais intensa e visceral que o registro antecessor, espancando o ouvinte com o mesmo vigor (ou talvez até mais) do que o último disco…” [Resenha]

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#13. Deafheaven – Dream House

Deafheaven

“Dessa forma, ao entender o novo álbum como um campo aberto aos experimentos que naturalmente abastecem a presente fase da banda, cada composição é observada como um ato isolado e ao mesmo tempo complementar para o imenso arsenal sonoro que se espalha pelo disco. Enquanto músicas mais extensas como Dream House, Vertigo ou mesmo a faixa título trazem um exercício detalhado de personificação das guitarras, utilizando dos vocais de Clarke como um atrito criativo para as melodias, os instantes menores, como em Irresistible, são preenchidos por detalhes e pequenas sutilezas melódicas. Momentos de prazer e calmaria que antecipam as ondas raivosas dissolvidas por todo o disco…” [Resenha]

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